“A autonomia estratégica europeia não se pode reduzir a um slogan”: Seguro discursa na conferência do NOW
O Presidente da República criticou as “superpotências que querem ser países-império”. Foi na abertura da 2.ª Conferência do NOW: ‘As Grandes Transformações Globais Num Mundo de Incertezas’.
António José Seguro criticou, esta quarta-feira, no discurso de abertura da 2.ª Conferência de Lisboa do NOW, as “superpotências que querem ser países-império” e que se “revelam, primordialmente, Estados bélicos”.
O chefe de Estado apontou, entre outros exemplos, “a invasão da Ucrânia pela Rússia”, as “ameaças sobre a soberania da Gronelândia”, a “intervenção militar na Venezuela”, as “guerras das tarifas e das terras raras” e “a própria corrida ao Espaço e à Lua, já não como aventura científica da humanidade, mas como disputa pela apropriação de recursos”. “Começa a predominar uma ordem em que as regras pesam menos do que a força”, advertiu Seguro, acrescentando: “O pragmatismo do exercício de poder despreza a verdade e as alianças são circunstanciais com compromissos de plasticina.” Sobre o posicionamento da Europa neste contexto, o Presidente da República reafirmou o que tinha dito, a 12 de maio, numa conferência comemorativa da adesão de Portugal às Comunidades Europeias. “A Europa que hesita é a Europa que perde. A autonomia estratégica europeia não se pode reduzir a um slogan. É uma condição de sobrevivência”, alertou. No entender de Seguro, essa autonomia “exige uma defesa comum, com um arranjo institucional sólido e recursos adequados”; exige “autonomia energética e tecnológica”; e exige “uma parceria renovada com os Estados Unidos”, com “lealdade e reciprocidade”, mas “sem subserviência nem rutura”. Um olhar que não se pode fixar apenas nos EUA. “O Atlântico é, igualmente, uma ponte entre a Europa e o Canadá, a América Latina e a África”, considerou.
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