A prevenção é coluna vertebral do programa
A jornalista Cláudia Borges regressa à RTP com ‘Centro de Saúde’, um novo programa que tem por obejectivo mostrar como se pode evitar a doença, a dor e o bloco operatório.
- Este novo ‘Centro de Saúde’ segue o formato do anterior?
- Não. Vai ter uma dinâmica completamente diferente. Não haverá estúdio, mas reportagem e pivôs com uma carga informativa grande.
- A prevenção volta a ser o objectivo desta edição?
- A coluna vertebral do programa é a prevenção.
- Ao contrário de ‘Ficheiros Clínicos’, na SIC?
- Sim, que era um programa sobre a técnica cirúrgica nos blocos operatórios.
- É melhor para si ‘fugir’ dos blocos operatórios?
- Não, tenho imensas saudades. Gostaria de voltar a fazer um programa sobre blocos e cirurgias. Neste programa abri mão do meu gosto pela cirurgia e pelo trabalho no interior do hospital por uma necessidade que existe de informar. É importante dizer às pessoas o que podem fazer para evitar a doença, a dor e os blocos operatórios.
- Isso passa por mostrar as doenças?
- Mostrar as doenças e falar com os doentes. Além da prevenção vamos mostrar doenças que são muito comuns em Portugal e para as quais as pessoas estão pouco sensibilizadas.
- Que doenças são essas?
- A doença cardiovascular e como ela afecta as mulheres. Até aqui a prevenção esteve canalizada para os homens, que eram as principais vítimas.
- O VIH sida será abordado?
- É um tema maldito em termos de informação. Nos primeiros anos falou-se muito da doença. Entretanto, o vírus e esta epidemia caiu no esquecimento. Por várias razões. Apesar de hoje se falar menos do VIH do que se falava há uns anos, os números são assustadores e a perspectiva de propagação da doença ainda mais assustadora. É urgente tratar o tema!
- Haverá um programa sobre o VIH na mulher grávida?
- Esse foi um dos trabalhos que mais me marcou. Vamos mostrar que as mulheres seropositivas, que têm uma gravidez controlada com medicamentos e grande trabalho de coordenação de várias equipas, podem dar à luz bebés livres do vírus.
- Um dos programas sobre a cegueira é gravado na Índia. Porquê?
- Fomos acompanhar o anúncio formal do prémio António Champalimaud para a investigação da patologia da visão. A Índia tem uma grande percentagem de doenças relacionadas com a visão, por isso o prémio foi divulgado em Nova Deli. Visitámos um grande instituto onde se faz o tratamento e muito boa investigação na área da visão. É uma realidade diferente da nossa, mas com a qual podemos aprender.
- Mantém a mesma equipa?
- Este programa seria impensável se não tivesse ao meu lado uma equipa fantástica de jornalistas que trabalha sem horários. E uma pessoa como Alberto Vasconcelos que é biólogo, mas trabalha na área do jornalismo de medicina científico. É essencial em todo o tipo de pesquisa científica.
VOCAÇÃO PARA A ÁREA DA SAÚDE: DO JORNALISMO À EDIÇÃO DE LIVROS
Nasceu em Coimbra há 41 anos, mas viveu sempre em Lisboa, onde se licenciou em Direito. Criada numa família de médicos, estreou-se no jornalismo em 1992, com o arranque da SIC. Especializou-se na área da saúde e deixou a estação passados doze anos. Trabalha desde então como freelancer.
Casada com Ricardo Costa, director da SIC Notícias, e mãe de três filhos, Cláudia Borges prepara uma colecção de livros sobre patologias que afectam a população portuguesa.
Canal: RTP 1
Estreia: 29
Horário: 21h00
Autor: Cláudia Borges
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