ALF: O DÓCIL INVASOR QUE GOSTAVA DE GATOS

Alf, um extra-terrestre do planeta Melmac, chegou à Terra quando a sua nave se despenhou sobre uma garagem nos subúrbios de Los Angeles, EUA. Depois de ter conquistado o coração da família Tanner, o simpático alienígena tornou-se numa das figuras mais célebres da TV nos anos 80.

27 de novembro de 2004 às 00:00
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A série ‘Alf’ nasceu de um projecto de Paul Fusco, rejeitado pela Disney e por Jim Henson, criador dos ‘Marretas’. Em 1986, a NBC demonstrou interesse pela ideia e o mito nasceu. Embora nunca tenha sido galardoada com qualquer prémio relevante, a produção de Paul Fusco reuniu uma legião de fiéis seguidores e permaneceu no ar ao longo de quatro temporadas.

A figura do extra-terrestre alaranjado, cuja voz foi emprestada pelo próprio criador e produtor da série, rapidamente se tornou no centro das atenções, relegando para segundo plano o elenco de actores. Alf – nome atribuído pelos anfitriões terrestres e que corresponde à sigla ‘Alien Life Form’, ou ‘Forma de Vida Alienígena’ – tinha como prato preferido gatos, as suas maneiras deixavam muito a desejar e a sua curiosidade natural criava o caos no lar dos Tanner. Mas ninguém lhe levou a mal as diabruras, graças ao charme de Alf, ou Gordon Shumway, como era conhecido no seu planeta natal.

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Mas chegar ao produto final que os espectadores viam no pequeno ecrã, não era tarefa fácil. Na primeira temporada, o alienígena era interpretado por Mihaily Meszaros, um anão com cerca de 90 centímetros, substituído por um boneco mecânico (robô) nos restantes episódios.

Para manter a ilusão de realidade, a equipa viu-se forçada a trabalhar 18 horas por dia, sendo que um episódio exigia entre 20 e 25 horas de gravações. Não é de estranhar que, no último dia de trabalho, Max Wright, o intérprete do patriarca Willie Tanner tenha abandonado o estúdio sem se despedir dos colegas. Depois de ‘Alf’, a carreira de Max Wright estagnou.

O stress levou a melhor a toda a equipa. Andrea Elson, que interpretou o papel da filha mais velha dos Tanner, ficou obcecada com a sua imagem e sofreu de bulimia. “Eu queria continuar a ser esquelética, como quando o programa foi para o ar”, explicou a actriz. Elson, que conheceu o seu marido, o assistente de produção Scott Hoper, nas gravações de ‘Alf’, conseguiu ultrapassar a doença quando engravidou, em 1997. Após o final de ‘Alf’, Elson fez aparições em séries de comédia e interpretou uma personagem de maior relevo na telenovela ‘The Young and The Restless’.

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Já Anne Schedeen, actriz que encarnou Kate Tanner, confessou que as gravações de ‘Alf’ eram tudo menos um prazer. Por seu turno, Ben Hertzberg, que vestiu a pele do pequeno Brian Tanner, também deixou para trás o ofício da representação. O elemento mais novo do elenco, na altura uma criança, diz que os estúdios eram para ele “uma enorme sala de brincadeiras”, mas não se deixou fascinar pela representação.

REGRESSO TRIUNFAL

O final abrupto da série, em 1990, deixou muitos fãs insatisfeitos e, seis anos depois, o filão voltou a ser explorado com o filme ‘Projecto: Alf’. Este ano, fez um regresso triunfal à frente do programa ‘Alf’s Hit Talk Show’, no canal TV Land. Neste ‘talk show’, que ainda está no ar, ‘Alf’ entrevistou celebridades como Dennis Franz, Joe Mantegna e Merv Griffin, tendo como parceiro

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o veterano da televisão Ed MacMahon. Por cá, a série original foi recuperada pelo canal SIC Comédia, que lhe dedica uma maratona de 24 horas na próxima quarta-feira.

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