AMORES DO PEQUENO ECRÃ
Ao longo dos anos, a televisão tem conseguido transformar pessoas comuns em figuras famosas. Fora do pequeno ecrã, as suas vidas fazem as delícias dos mais curiosos, sobretudo quando o tema de conversa são os amores e os desamores. É que, ao que parece, o cupido tem a pontaria afinada entre os profissionais da “caixa que mudou o mundo”.
Costumam ser designados como Figuras Públicas. São jornalistas, actores, músicos, apresentadores, enfim, pessoas comuns a quem a profissão deu a oportunidade de aparecerem com frequência na televisão.
E, como quem trabalha no pequeno ecrã está sujeito à exposição e ao inevitável despertar das atenções, muita tinta corre na imprensa sobre as suas vidas. Porque em casa, o público sente-se na “obrigação” de saber mais das pessoas que o informam, que apresentam um concurso ou que, simplesmente, vão cantar a um “talk-show,” dando sempre especial atenção a um tema tórrido: as relações amorosas.
“Tenho noção de que há essa curiosidade, mas nunca senti que existisse invasão de privacidade em redor da minha vida pessoal. Sou da opinião de que aparecemos em casa dos telespectadores sem sermos convidados, e devido a esse motivo penso que também os devemos respeitar e mostrar-lhes alguma coisa.
É por isso que já me deixei fotografar com os meus filhos para algumas revistas”, explica Cláudia Borges, jornalista da SIC que está casada há oito anos com o também jornalista Ricardo Costa. Segundo esta profissional de Comunicação Social, a justificação para o elevado número de uniões no pequeno ecrã é simples: “No local de trabalho desenvolvem-se muitos romances, mas acho que na televisão o número é maior por se tratar de um meio muito absorvente.
No início da SIC vivíamos só para aquilo, estávamos juntos 24 sobre 24 horas, e fomos perdendo os amigos do exterior, criando um novo núcleo de amigos e relações muito estreitas entre colegas. Eu e o Ricardo, por exemplo, conhecemo-nos porque partilhávamos a mesma secretária e o mesmo computador. Tal como eu, muitos de nós encontrou lá a sua cara-metade.”
A juntar a esta explicação muito pessoal, os entendidos na matéria afirmam estar comprovado que o local de trabalho é uma plataforma para o romance (ver caixa). E a televisão não é excepção, que o diga Henrique Mendes, um dos históricos desse meio, figura muito querida do grande público e apoiante da tese de Cláudia Borges. “É normal haver tantos relacionamentos entre profissionais de televisão.
As pessoas convivem muito, trabalham lado-a-lado, colaboram nos mesmos trabalhos. Há uma grande entrega àquilo que estamos a fazer, o que acaba por provocar as relações de afectividade entre colegas.”, justifica o apresentador e actor. Casado há 31 anos com a actriz Glória de Matos, o homem que em tempos
partiu muitos corações recorda: “Conhecemo-nos precisamente pelas profissões que temos. Eu conhecia-a do teatro e ela conhecia-me da televisão, e detestávamo-nos mutuamente. Eu achava que ela tinha ar de grande dama do teatro e ela via-me como um galã do Lumiar”.
Mas do ódio ao amor foi um passo. “Tudo aconteceu num almoço em casa do João Soares Louro, para o qual fomos convidados. Quando lá cheguei e a vi pensei: ‘Agora vou ter que aturar esta durante o almoço’. Contudo, nesse mesmo dia convidei-a para jantar e a partir daí aconteceu tudo aquilo que já sabem.”
Apesar de actualmente as relações terem tendência para não resistirem ao desgaste dos anos, a união entre Henrique Mendes e Glória de Matos está longe de corresponder a um caso esporádico. Mesmo que as mais de três décadas de vida em comum sejam quase um recorde, a verdade é que não se trata de um caso único.
Casados desde 1985, os actores José Raposo e Maria João Abreu também iniciaram a sua história de amor a desempenhar as respectivas funções. “Conhecemo-nos na estreia da João em teatro, no musical “Eni” em 1983. A partir daí trabalhámos durante algum tempo como colegas, e em 1985 casámos.”
Esta dupla de actores já conta com 17 anos de matrimónio, assim como de muitos trabalhos em comum. “É por acaso que trabalhamos tantas vezes juntos. Gostamos da experiência porque há uma grande cumplicidade.
Mas não é assim tão taxativo porque grande parte da nossa carreira foi exercida individualmente. Só há cerca de 3 ou 4 anos é que nos começaram a contratar para os mesmos trabalhos, como dupla, e como casal.”, explica José Raposo. Para o actor, o contacto directo com o público é uma mais-valia. “As pessoas abordam-nos — a mim e à Maria João Abreu — com um grande carinho, o que é um privilégio.
O público acha piada sermos um casal. Gostam que representemos na ficção mais ou menos o que somos na vida real. Não nos importamos que venham ter connosco porque é um sinal de que as pessoas reconhecem o nosso trabalho.”
Estes três casais são apenas um pequeno exemplo que serve para ilustrar a lista interminável de uniões nascidas no ramo televisivo. Por exemplo, desde o arranque da estação de Carnaxide, em 1992, que são tornados públicos sucessivos romances entre jornalistas.
É o caso de José Alberto Carvalho, agora na RTP1, que enquanto trabalhou na SIC foi casado com Sofia Pinto Coelho, com quem teve duas filhas, e que actualmente namora com Marta Atalaia (SIC); Rodrigo Guedes de Carvalho, ex-marido de Paula Moura Pinheiro, está hoje com Teresa Dimas. E há mais… Pedro Mourinho e Iva Pamela (TVI) aguardam por um filho, Daniel Cruzeiro e Rita Ferro Rodrigues foram pais há cerca de um mês, Francisco Penim é marido de Clara de Sousa, e por aí adiante… não tomando, contudo, o jornalismo como o ramo alvo exclusivo da seta do cupido.
Muitos dos casos amorosos que envolvem figuras públicas acabam nos tribunais. No Brasil, o mais mediático deverá ser o da actriz Vera Fischer, que desde há vários anos trava uma batalha judicial com o actor e ex-marido Felipe Camargo, pela custódia do filho, Gabriel. Em 1997, a Justiça decidiu que Gabriel deveria ficar sob a guarda do pai, uma vez que a actriz atravessava uma crise de dependência química, não apresentando as condições físicas e psicológicas necessárias para tomar conta de uma criança.
Aliás, a actriz esteve até retirada do círculo de telenovelas, regressando em 1998 em “Pecado Capital”. Desde então, afirmando que está completamente recuperada, Vera Fischer não tem medido esforços para recuperar a guarda do filho. Apesar do casamento com Felipe Camargo não ter corrido pelo melhor, a actriz tomou o seu rumo e, após alguns breves namoricos, mantém uma relação estável com o actor Murilo Rosa.
Romances à americana
As estrelas americanas encaram o amor como um gesto simples e rápido, pelo que são poucos, muito poucos, os casais que mantêm casamentos ou namoros com as devidas juras de “…até que a morte nos separe”.
Jennifer Lopez e Ben Affleck comprovam essa facilidade em viver aventuras fugazes. Depois de uma série de relações tão badaladas quanto pouco duradoras, os dois formam o novo par do momento.
O casal assumiu o namoro, ficando assim desvendado o mistério que envolvia o divórcio de um casamento de tão pouca dura como foi o da cantora com o coreógrafo Chris Judd. Jennifer e Affleck conheceram-se nas gravações do filme “Gigli”, há mais ou menos quatro meses e ao que tudo indica o envolvimento já vem desde essa altura.
Casos extra-matrimoniais foram, provavelmente, o motivo para a explosiva Elizabeth Hurley ver, recentemente, a sua vida virada do avesso. Após uma relação de longos anos com o actor Hugh Grant, a história de amor acabou da forma mais negativa, com o actor de Quatro Casamentos e Um Funeral a ser apanhado em flagrante quando mantinha relações sexuais com uma prostituta, de nome Divine Brown.
Passado isto, a modelo e actriz assumiu alguns affairs, o último dos quais com o empresário Steve Bing. Liz Hurley engravidou, mas o namoro acabou e Steve Bing negou friamente a paternidade do rebento. A modelo teve pois que sujeitar o filho a testes de adn, que vieram comprovar que o empresário é pai de Damian Charles.
Os famosos do Brasil não escapam à onda de casamentos e divórcios, levando mesmo muita gente a pensar que a velocidade a que as relações acontecem só pode ser derivado do calor que se faz sentir no “país irmão”.
O par sensação do momento é, sem dúvida, Murilo Benício e Giovanna Antonelli, que protagonizam “Lucas” e “Jade” na telenovela “O Clone”. Os actores assumiram recentemente a relação amorosa de que há muito se vinha a especular, fazendo as delícias da imprensa do coração
No entanto, também existem exemplos negativos. A prová-lo, há poucas semanas, um dos romances que despertava a atenção dos brasileiros, que envolvia Deborah Secco e Maurício Mattar, chegou ao fim. O namoro durou apenas 10 meses e, segundo amigos de ambos, a actriz que já tem nova paixão.
Desta vez, o eleito é o director Marcos Paulo, que, coincidentemente, terminou o seu casamento de dez anos com a actriz Flávia Alessandra. Recorde-se que Marcos Paulo é director das duas actrizes em “O Beijo do Vampiro”, a telenovela que irá suceder a “Desejos de Mulher”. Confuso? Então prepare-se, porque, a este ritmo, a vida amorosa da jovem actriz promete não ficar por aqui.
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