ÂNIMOS EXALTADOS NA SAÍDA DE DÉBORA
“Racismo e injustiça”. Foram estas as palavras que ecoaram nos estúdios Valentim de Carvalho assim que os apresentadores Sílvia Alberto e Pedro Granger anunciaram a expulsão de Débora Gonçalves, na passada sexta-feira, no final da gala do programa ‘Ídolos’.
A quinta e última concorrente negra, era expulsa à quinta gala. Agora, restam outros cinco concorrentes, todos de raça branca.
A emissão, em directo, foi terminada à pressa. No estúdio, porém, os ânimos continuaram exaltados. A incredulidade e a revolta tomou conta de claques, familiares e concorrentes, que se precipitaram para o palco, manifestando à produção e aos jornalistas a mágoa motivada pela decisão do público.
Temendo reacções mais exacerbadas, os seguranças do estúdio foram chamados a intervir. Mas não foi necessário. Apenas foram gritadas palavras emocionadas, que espelhavam a raiva e a frustração, agora partilhada pelos cinco concorrentes eliminados da competição e seus apoiantes. É que à semelhança de Débora, entre eles havia outras vozes consideradas pelo júri como “sérias candidatas à vitória”.
“Em Portugal há muito racismo. De cor e de classes sociais. Não me surpreendeu. Já tinhamos indícios de que aqui há discriminação”, afirmou nervosamente Isabel, avó da Débora.
À altura de uma verdadeira “diva” esteve a própria Débora que se despediu com um sorriso nos lábios e a passividade de quem nada pode fazer para alterar as “regras do jogo” estampada no olhar.
Indignação
As reacções à inesperada eliminação de Débora não se fizeram esperar. Fora do estúdio, Nádia Pimentel, eliminada na terceira gala, não tinha dúvidas: “Há racismo. Vi a prova: os votos telefónicos são verdadeiros. Se há algum culpado pelas grandes vozes estarem a sair é só o público”.
Quem também não conseguiu disfarçar a sua indignação foi o júri. Contactado ontem pelo CM, Ramon Galarza afirmou que “o público tem de rever os seus valores”. “Aflige-me pensar que isto é um problema racial. Algo de tão baixo teor humano”.
Manuel Moura Santos também não tem dúvidas: “A Débora era uma das melhores candidatas. Sairem só negros não é coincidência”, disse, acrescentando ironicamente: “Portugal não é racista... não gosta é de pretos. E, ainda por cima, não o assume, mas vai discriminando sub-repticiamente”.
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