“Anseio muito fazer teatro. É a base de tudo”
Actriz revela que após final de gravações vai tirar férias. Depois pretende tirar um curso fora de Portugal na área da representação. Relação com José Raposo está bem, garante
Como está a correr a experiência de ‘Remédio Santo’?
Esta epopeia… está a correr bem. Já estamos muito cansados, psicologicamente e fisicamente. Mas esta novela tem uma particularidade, estão sempre a acontecer muitas coisas e, nesse sentido, não nos deixa cansar das personagens. Falo por mim, mas penso que os meus colegas concordam. No geral, estamos muito contentes com o projecto.
Apesar de estar cansada fisicamente não está então cansada da Aurora…
Não! Temos um ambiente fantástico entre actores e equipa e isso faz com que seja bom vir trabalhar.
Olha agora para a personagem de uma forma diferente da inicial?
Não, continuo a olhá-la da mesma forma. Ela sofreu uma série de mudanças, como qualquer pessoa ao longo da vida, de acordo com as adversidades que foi tendo… com as provações. Nesse sentido mudou, mas não a sinto uma pessoa diferente. A Aurora de agora continua a ser a mesma do início.
É uma pessoa com convicções religiosas?
Não.
Como é então interpretar uma personagem com uma ligação tão forte à religião?
É a mesma coisa do que fazer qualquer outra personagem porque qualquer uma é tão diferente de nós como esta. Ou seja, tem a particularidade de eu não ser religiosa e esta ser, mas a personagem anterior tinha a particularidade de ser maluca da cabeça que só queria dinheiro e eu não. Portanto, para mim é um desafio como qualquer outro. É fingir uma coisa que não sou, seja católica, prostituta ou médica. Temos sempre que fingir, um actor é um fingidor.
Que fim deseja para esta personagem?
Imaginei o fim desde o primeiro episódio. Quando percebi que ela se ia apaixonar pelo Gonçalo [João Catarré] calculei que fosse acabar com ele. É esse o fim que idealizo. Ainda não li o final mas creio que ela acaba com o Gonçalo e com o filho.
E é esse o seu desejo para esta Aurora?
Sim. Ela não tem razão para não ficar feliz. Esta personagem é muito boa pessoa, muito crente e faz muito bem pelos outros. E por isso merece ser feliz, com o homem que ama e com o filho.
Esta foi a personagem mais importante que interpretou até hoje?
Não gosto de dizer isso porque todas as personagens são importantes. Se calhar para o público é a que traz maior visibilidade, mas para mim não é mais importante que qualquer outra que tenha feito. Entrego-me sempre a cem por cento aos meus trabalhos!
Mas foi muito importante para o crescimento enquanto actriz…
Sim… mas continuo a afirmar que outros papéis me permitiram trabalhar com outros actores que também admiro imenso e fiquei muito grata por poder trabalhar com eles.
Como foi contracenar com nomes tão importantes como a Manuela Maria?
Foi extraordinário! É extraordinário! Foi uma oportunidade fantástica, porque nem a conhecia pessoalmente, e já a admirava imenso. Agora tenho um orgulho enorme por ter trabalhado com uma senhora como ela. A Manuela Maria é o maior exemplo de profissionalismo à face da terra. Nunca conheci ninguém como ela. É extraordinária com os horários, com os textos… e é muito boa colega. Estou a aprender imenso como actriz e como pessoa.
As gravações de ‘Remédio Santo’ terminam no fim do mês. Já sabe o que vai fazer a seguir?
Vou ter férias. Mas ainda não tenho nada planeado.
O que é que gostaria de fazer quando voltar dessas férias?
Não idealizo muito, aceito as coisas quando elas vêm, como se fosse o primeiro trabalho. Sei que agora preciso de férias, seja dentro ou fora de Portugal, preciso de descansar, mas depois gostava de aproveitar e investir na minha área… tentar fazer um curso…
Em Portugal?
Gostava que fosse fora.
E uma estreia no teatro. É uma coisa que anseia muito?
Sim, muito. Mas é um meio muito fechado. E ainda por cima sabemos que com esta história dos orçamentos e dos cortes não está nada fácil, os teatros estão a fechar e as companhias não têm dinheiro. Mas anseio muito fazer teatro porque é a base de tudo, é a arte não só de representar como improvisar. Na televisão, por exemplo, estamos mais protegidos - se nos enganamos não faz mal, corta-se e corrige-se. No teatro não. Estamos a ser testados em directo, com uma plateia imensa. Há uma reacção muito mais directa, que ainda não pude sentir mas que quero muito.
E cinema?
Já tive uma experiência [‘Coisa Ruim’, 2005, de Tiago Guedes] e gostei muito. Mas mais uma vez o problema é que não há cinema em Portugal. A televisão, mesmo assim, é o meio da representação que sobrevive.
Tem contrato de exclusividade com a TVI. Até quando?
Só posso dizer que tenho contrato.
O que é que gostaria de fazer em televisão a seguir?
Gostava de poder fazer uma boa série, de qualidade, com uma grande história. As que fiz eram comédias, coisas mais ligeiras… e as novelas, nesse sentido, são mais intensas e dramáticas… não sei o que é fazer uma série intensa e dramática. Mas gostei muito das sitcom que fiz, foi muito divertido. Por outro lado, nasci neste mundo das novelas. Já cá estou desde pequena, ambientei-me tanto e estou tão habituada a este ritmo alucinante, que gosto muito do que faço. Acima de tudo gosto de representar. Enquanto me derem essa oportunidade estou muito grata.
Foi fácil começar tão cedo?
Sim. Houve umas pequenas dificuldades na escola, não no que diz respeito às notas mas aos professores – alguns não aceitaram muito bem, não lidaram da melhor forma com a situação. Mas na altura até melhorei as notas.
O que recorda do ‘Amanhecer’ [2002], a sua primeira novela?
Foi o início disto tudo! Recordo os grandes actores com que privei: a Fernanda Serrano, que fazia de minha mãe, e amei conhecê-la, o Joaquim Horta, a Gracinda Nave, o João Reis, a Catarina Avelar, o Sinde Filipe, o Tozé Martinho, a Maria José Pascoal… lembro-me destes porque eram o meu núcleo mais chegado. Lembro-me do bom ambiente, lembro-me de não sentir este ritmo tão alucinante como há agora – se bem que as horas eram as mesmas e gravava imenso. Era tudo tão bom, tratavam-me tão bem, aquilo era uma maravilha.
Como olha para os casos de pessoas que começam novas nestas áreas e depois aparecem associadas a casos polémicos, como o tráfico e consumo de drogas?
Isso está dentro de cada pessoa, independentemente de ser actor, bombeiro, médico… por acaso são actores, figuras públicas e são falados por isso. Coisas destas acontecem aos pontapés com toda a gente. A droga existe, todos sabemos. Portanto, não deixa de ser um bocado injusto estas pessoas serem muito mais apontadas do que qualquer outra porque, infelizmente, têm uma profissão que faz delas conhecidas. Cada um tem as suas escolhas e cada um tem a sua maneira de viver a vida.
Como foi participar nos ‘Morangos com Açúcar’?
Foi muito bom. Na altura ia um bocadinho a medo porque entrei na quinta temporada e já havia aquele preconceito em relação a quem tinha feito ‘Morangos’. Como já trabalhava há alguns anos estava com medo que, de repente, também ficasse com um rótulo na testa a dizer ‘Morangos com Açúcar’. Mas acabou por se mostrar o contrário. Esse sim, foi um dos projectos mais importantes no meu crescimento enquanto actriz. Até esse momento, os ‘Morangos com Açúcar’ foi o projecto em que trabalhei mais, com maior intensidade, onde tive mais destaque e estava em estados emocionais constantemente diferentes, por conta da minha personagem ter vivido muito. Também tive muita sorte com os actores com que trabalhei: o Sisley [Dias], o Simões [Luís Simões] – que adoro de paixão -, a Diana Nicolau – que tive o prazer de conhecer aí, ela é muito boa; e depois a Maria João Abreu, foi a primeira vez que trabalhei com ela e amámo-nos logo, fizemos cenas muito boas. Só tenho as melhores recordações. E a equipa foi das melhores que tive. Além disso, estive a gravar ‘Morangos’ um ano e dois meses.
Sente que hoje em dia há muitos colegas seus com o tal rótulo ‘Morangos com Açúcar’?
Principalmente os que começam lá. Mas depois desaparecem. No meu caso, ainda hoje vêm miúdos ter comigo e dizem: “Ai, é a Diana dos ‘Morangos’”. Portanto, é natural que tenham este sentimento com uma série de outros colegas que fizeram ‘Morangos com Açúcar’. Não tenho vergonha nenhuma de ter feito ‘Morangos’, muito pelo contrário. É um projecto muito bem conseguido pela TVI, porque vai buscar novos talentos, dá oportunidades às pessoas e é, de alguma forma, educativo para quem vê.
A Sara e o José Raposo têm sido protagonistas, nas últimas semanas, de uma série de notícias sobre o alegado fim do vosso relacionamento. Como reage?
A minha primeira reacção é rir-me. Quando vi a primeira revista que publicou essas coisas ri-me porque não sabia que isso me estava a acontecer e, portanto, achei giro descobrir na revista. Depois de brincar com a situação, fiquei um bocado indignada porque é muito baixo… não sei qual é o fundamento das notícias, nem me interessa porque… em primeiro lugar nem consumo essas revistas, não me afectam de todo… portanto, tenho pena que seja este o nosso jornalismo, dar às pessoas uma série de mentiras e que as pessoas as consumam e acreditem nelas. O publico para o qual nós trabalhamos, muito tristemente, acredita nessas notícias. As pessoas são enganadas pelas fontes próximas, que nunca sei quais são. Não sei se é a fonte da Bica, se é a fonte do Rossio… deve ser uma dessas. Portanto, nem quero entrar nesse assunto porque fico um bocadinho irritada.
Então, nega tudo o que tem sido escrito?
Sim. Mas nem me apetece negar porque não me apetece falar sobre isso. Não quero falar porque deturpam tudo o que nós dizemos. Há sempre qualquer coisa que sai para além daquilo que eu diga.
PERFIL
Sara Barradas nasceu em Lisboa em 1990 (21 anos). Estreou-se como actriz em 2002, na novela ‘Amanhecer’ (TVI). Desde então participou em diversas novelas e na série juvenil ‘Morangos com Açúcar’. Em 2011 casou com o actor José Raposo (49 anos).
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