ANTIGAS MISSES ELOGIAM NOVA FÓRMULA

Eleita em 1970, Ana Maria Lucas reconhece que o processo de escolha de Miss Portugal tem de ser reactivado. O reforço do impacto e da representatividade é valorizado por Marisa Cruz (1992) e Iva Lamarão (2001).

21 de fevereiro de 2004 às 00:00
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O novo processo de eleição da Miss Portugal, através de um concurso em que o público tem a palavra final na escolha da vencedora, é encarado favoravelmente por vencedoras de anteriores edições. “É mais justo”, afirma Marisa Cruz ao Correio TV. Para a conhecida manequim, actriz e apresentadora de TV, que foi Miss Portugal em 1992, o facto da eleita representar o país justifica plenamente a sua escolha pelo público. Organizado pela SIC e o 'Correio da Manhã', o concurso que elegerá Miss Portugal 2004, previsto para estrear em Abril, será produzido pela Fremantle Media, produtora de outros sucessos de televisão, como o programa ‘Ídolos’.

As provas prestadas pelas 20 candidatas, seleccionadas previamente por um júri, serão transmitidas diariamente pela SIC, o que habilitará o público a conhecer as potencialidades de cada candidata. Em cada semana, os telespectadores salvam, com os seus votos, uma candidata entre seis nomeadas para serem afastadas. “Não sei até que ponto gostaria de participar num concurso assim, mas reconheço que terá mais impacto”, afirma Iva Lamarão, Miss Portugal 2001. A manequim, que foi a mais recente Miss eleita através da iniciativa organizada pelo 'Correio da Manhã', admite que a nova fórmula “é, sem dúvida, aliciante.”

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A popularidade do concurso musical ‘Ídolos’, exibido pela SIC de Setembro a Janeiro passado, constitui um bom indício para o novo formato de eleição de Miss Portugal. Os processos de progressão e eliminação dos candidatos de ambos os concursos são muito semelhantes. Segundo Iva Lamarão, “tendo em conta o tipo de programas televisivos mais recentes, o novo Miss Portugal deverá ser mais adequado aos tempos que correm.” Essa é, também, a opinião de Ana Maria Lucas, primeira Miss Portugal (1970). “É capaz de ser interessante, é uma forma nova, da nossa era”, afirma.

A aprendizagem que será ministrada às vinte candidatas constitui um importante elemento no processo da sua formação. Iva Lamarão, que, aquando da sua candidatura, em 2001, estava a concluir o ensino secundário, reconhece os benefícios da preparação que lhe foi facultada. “Ensinaram--me a falar, tive aulas de etiqueta, de passarela, etc., que me ajudaram muito”, confessa. Este ano – e pela primeira vez – o processo de formação poderá ser acompanhado pelos telespectadores, que depois votarão de acordo com as provas de aproveitamento dadas por cada candidata.

Ana Maria Lucas considera que a nova forma de eleição de Miss Portugal “poderá reactivar o interesse pela iniciativa”, num momento em que a abundância de concursos instalou a tendência de banalização deste tipo de espectáculos. Em 1970 não era assim, a época era outra. “Nessa altura, as pessoas tinham pouco com que se entreter”, argumenta.

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Para Marisa Cruz, se este fosse o seu tempo, não se importaria de concorrer. “Em minha opinião haverá, até, menos polémica do que quando participei, porque agora não se poderá alegar que houve favoritismo do júri por esta ou aquela candidata”, afirma a Miss Portugal 1992.

AS DUAS FACES DA MOEDA

O contacto com outras pessoas de muitos países é especialmente valorizado pelas Misses Portugal, que o consideram uma das vantagens que retiraram da experiência vivida. “Era quase uma menina quando participei, e através das relações que estabeleci com gente de outras culturas valorizei-me muito como pessoa e como mulher”, afirma Iva Lamarão, que vive em Ovar e estuda Química na Universidade de Coimbra. A Miss Portugal 2001 continua a trabalhar como manequim. No entanto, a apresentação de um programa televisivo, que constitui o seu verdadeiro sonho, é um projecto que ainda não conseguiu concretizar.

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Na área profissional, nem tudo são rosas para as antigas misses. Ana Maria Lucas não hesita em elogiar a abertura de horizontes que a eleição em 1970 lhe proporcionou, através de viagens pelo mundo inteiro, mas adverte: “Durante toda a minha vida tive que trabalhar como toda a gente – as pessoas gostam de mim, sou acarinhada, mas em relação a trabalho não tirei qualquer vantagem de ter sido Miss Portugal.” Sem ocupação profissional no momento, Ana Maria Lucas está prestes a ingressar num projecto de vendas por canal de cabo (Gigashopping).

Tal como as outras duas ex-misses ouvidas pelo Correio TV, Marisa Cruz era modelo quando foi eleita. Algum desencanto perpassa-lhe na voz quando se refere ao modo como passou a ser encarada após vencer o concurso de 1992: “Apesar de ter sido um privilégio representar Portugal, não posso esquecer que se fecharam muitas portas no campo profissional, pois as misses não eram muito bem aceites.” Em compensação, têm-se-lhe aberto novos caminhos na representação (teatro e cinema) e na apresentação televisiva.

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