Cáceres Monteiro morre aos 57 anos
Apaixonado do jornalismo e da reportagem, activo e sempre determinado a intervir, permanentemente disponível para o mundo e para os acontecimentos, Carlos Cáceres Monteiro, que faleceu ontem com 57 anos, vítima de cancro, tinha a capacidade de viver como se passasse cada dia a acelerar na faixa de ultrapassagem.
Esta era a sua característica e ficou vincada no título a gosto do seu primeiro livro de ficção que escreveu ‘Fast Lane’, em 1984, ainda antes de dar livre curso editorial à sua veia de grande repórter que fica como herança para o jornalismo português.
A vida curta de Cáceres Monteiro parada pela doença encheu-se de intervenção e jornalismo.
Nos anos 60, no Liceu Gil Vicente, em Lisboa, vincou com a sua iniciativa o Movimento Associativo dos Estudantes Liceais e foi, depois, também dirigente estudantil na Faculdade de Direito de Lisboa. Ao mesmo tempo, cresceu rapidamente no jornalismo, primeiro na revista ‘Flama’, a que se seguiu o ‘Século Ilustrado’ e ‘A Capital’.
Após o 25 de Abril, foi o inventor do semanário ‘O Jornal’, um jornal de jornalistas, e desdobrou-se em actividades. Presidiu ao Sindicato dos Jornalistas (1977-80) e foi director-geral da Comunicação Social, com Soares e o ‘bloco central’, em 1983.
Correu o mundo como enviado especial, foi director da revista ‘Visão’, deixou livros para quem gosta de ler reportagem. Era casado duas vezes e pai de quatro filhos. O seu funeral sai hoje às 14h30 da Basílica da Estrela para o cemitério dos Olivais.
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