CARLOS ANDRADE: BATI-ME SEMPRE MUITO PELA TSF

Depois da saída polémica da direcção da TSF, Carlos Andrade volta à televisão com o novo ‘Flashback’, o programa que moderou durante mais de uma década aos microfones da ‘sua’ rádio. ‘Quadratura do Círculo’, agora na SIC Notícias, é o título do seu novo projecto.

16 de janeiro de 2004 às 00:00
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Correio da Manhã – Está contente com o regresso do ‘Flashback’ (agora ‘Quadratura do Círculo’)?

Carlos Andrade – Estou obviamente muito satisfeito, sobretudo porque me permite continuar ligado às notícias todos os dias e debruçado na janela da actualidade.

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– Que expectativas nesta renovação do programa? Ou será antes uma continuação?

– É mais uma continuação. O ‘Flashback’ era uma marca. As gentes, a forma do debate e a alma do programa mantêm-se inteirinhos.

– Foi alterado porque, consultada a administração da TSF, não foi disponibilizada a utilização do título ‘Flashback’. Nunca admitimos disputar o nome com a rádio e resolvemos encontrar outra solução.

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– A par com a TV, ainda se considera a hipótese de pôr o programa na Antena 1?

– Actualmente, as questões de rádio não estão em cima da mesa.

– Depois da SIC, que diferenças agora na SIC Notícias?

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– O painel não é o mesmo. Antes estava o Nogueira de Brito e agora está o Lobo Xavier. Mas uma das características do programa é a constância dos participantes e não noto grandes diferenças. O clima de debate funcionaria em qualquer suporte.

– Quais as recordações dos tempos do ‘Flashback’ na TSF?

– O ‘Flashback’ está a fazer quinze anos. Começou com o Emídio Rangel como moderador e com dois terços do painel actual – já estava o José Magalhães e o Pacheco Pereira. Depois, quando eu entrei, apaixonei-me logo pelo programa.

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– O que o apaixona verdadeiramente?

– Tenho o privilégio, todas as semanas, de poder debater com pessoas de vários quadrantes da política – dentro e fora do programa –, de invulgar craveira intelectual, profissional, cívica... E o ‘Flashback’ tem um prazo de validade, com estas pessoas, longe de estar esgotado. O facto de serem as mesmas pessoas faz com que algumas coisas até possam ser desviadas em nome da eficácia do debate. E a relação pessoal criada, não anulando diferenças, gera um ritmo que funciona por ele próprio.

– Não tem receio de que, a certa altura, se criem códigos de linguagem próprios, ‘private jokes’ até?

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– Uma das missões de um moderador é impedir que isso aconteça ou explicar ao público, como já aconteceu, algumas das ditas ‘private jokes’.

– Ao longo de 15 anos de TSF, quais os melhores momentos?

– A TSF foi o que de mais gratificante pude fazer na minha vida profissional. Paixão é uma palavra que me ocorre muito quando falo da TSF e, por projecção, do ‘Flashback’. A melhor recordação é a possibilidade de trabalhar com uma equipa fantástica, com enorme amor à camisola. Crescer com ela foi um notável privilégio e um caso ímpar nas casas de informação em Portugal.

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– Enquanto director, bateu-se sempre pela sua equipa...

– Bati-me sempre muito pela TSF.

– A saída foi uma desilusão?

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– Desilusão não é a palavra. Às vezes, a paixão mistura-se com a razão. E a paixão impediu que tivesse tentações de desistir quando sentia que as coisas podiam não correr como desejaria. Os motivos de divergência por que me demiti da TSF foram racionais. Havia entendimentos diferentes sobre o que era melhor para a rádio e divergências estratégicas que tornaram natural a minha demissão. Mas as minhas relações pessoais com o conselho de administração – nomeadamente com Henrique Granadeiro, de quem me tornei amigo – começaram aí, mas não impediram as divergências que conduziram a que outras pessoas fossem chamadas à TSF certamente para fazer o melhor para a rádio, à luz de certos pressupostos.

– Como vê agora o rumo da TSF?

– Por razões óbvias, não quero comentar. Mas posso dizer que, quem está agora à frente da rádio estará a fazer o que acha que é o melhor para a TSF. Os resultados desse esforço traduzirão novas realidades... Continuando a ser a TSF a minha rádio, faz parte do meu passado profissional.

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– Em algum momento sentiu que abandonou a sua equipa?

– Em momento algum. Muitos poderiam testemunhar o contrário.

– Agora é um quadro da TSF emprestado à PT Multimédia. Que funções exerce exactamente?

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– Assessor editorial do presidente da Comissão Executiva, Zeinal Bava. Estou muito entusiasmado com o convite. Tenho um ‘cabedal’ de experiência nos conteúdos e estou cá para ajudar enquanto jornalista.

– O que lhe falta ainda fazer?

– Poder seguir a carreira de jornalista.

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– Rádio ou televisão: qual a verdadeira paixão?

– Neste momento, mentiria se negasse que me sinto, sobretudo, um jornalista de rádio. O futuro, logo veremos...

Carlos Andrade conta com uma bem sucedida carreira de quase três décadas. Iniciou-se aos 18 anos, na imprensa escrita, numa revista especializada na área sindical, passou pelo ‘Portu-gal Hoje’ e pela Rádio Comercial (nos tempos, do grupo Radio-difusão Portuguesa), antes de integrar a equipa da TSF, logo nos primórdios da rádio fundada por Emídio Rangel, em 1988.

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Nos últimos oito anos, comandou os destinos directivos da estação a par com o programa que mo-dera há mais de uma dezena de anos – o ‘Flashback’. Saiu, por “divergências estratégicas” com a administração da Luso-mundo Media (da qual a TSF faz parte) em Agosto passado, mas manteve-se no grupo Portugal Telecom (a empresa-mãe). Aos 44 anos e depois de um período de mais de dois anos na SIC, entretanto interrompido, Carlos Andrade regressa à televisão com ‘Quadratura do Círculo’ (o novo nome de ‘Flashback’), agora na SIC Notícias, aos domingos. A par, assumiu a assessoria editorial da PT Multimédia e mantém-se como professor na Escola Superior de Comunicação Social.

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