Cenas picantes contrastam com sermões religiosos

João J. esforça-se para promover valores morais, enquanto que Cátia e Marco trocam carícias sem pudor. Religião e sexo andam de mãos dadas na casa mais vigiada do País

16 de dezembro de 2011 às 00:00
Cenas picantes contrastam com sermões religiosos Foto: DR
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A religião e o sexo são temas recorrentes na actual edição da ‘Casa dos Segredos’. Quando o assunto é ‘Igreja’ os ânimos ficam quentes, as opiniões divergem e cada um defende com unhas e dentes aquilo em que acredita. Também o ‘sexo’ já deu muita discussão, além de imagens quentes debaixo dos edredões.

Se há tema que já não é segredo é a virgindade de João J. Nos primeiros dias do programa, a par do acordeão, o terço foi um dos objectos de que o concorrente não se separou, e era habitual encontrá-lo a rezar, levando muitos a julgar que o seu segredo estaria ligado à religião. Não estava, mas o alvo não andava longe, e se não tivesse sido expulsa logo na segunda gala, Delphine poderia ter sido uma companheira de oração de João J., já que está a estudar para freira, mas "as pessoas não vêem o programa em busca de valores ou modelos", diz à Correio TV o padre José Luís Borga, rejeitando assim a possibilidade destes concorrentes serem encarados como um exemplo da doutrina cristã. "Ele não representa a Igreja e, portanto, a sua participação não é positiva nem negativa", comenta. Nem mesmo sobre a possibilidade de o programa ser uma oportunidade para mostrar que a religião cativa os mais jovens, como Delphine pretendia, convence. "Ninguém iria para ali por motivos religiosos", aponta, acrescentando que "um contexto em que as pessoas se colocam num aquário à mercê dos outros não é dignificante". Já o padre Vítor Melícias diz não acompanhar o programa, mas afirma que ‘liberdade’ é diferente de ‘libertinagem’, e esta "é disparatada e mesmo anti-social".

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A João J. e Delphine junta-se Miguel (esta semana nomeado com João M.), apesar de admitir não seguir à risca os ditames da sua religião. O psicólogo, filho de um bispo mórmon, religião que ‘proíbe’ relações sexuais antes do casamento, álcool, tabaco ou adultério, já assumiu ser ‘mulherengo’. Apesar de tudo, ainda não se envolveu com ninguém dentro da ‘casa’. Já cá fora as coisas poderão ser diferentes, com a promessa de um encontro romântico com Bruna, concorrente que nunca chegou a entrar no reality show, mas que tem sido protagonista de algumas visitas-surpresa nas últimas galas.

Mas até Marco já afirmou que "ninguém é mais católico" do que ele. Cátia também já se confessou uma mulher de fé e disse frequentar a Igreja do Evangelho. No entanto, apesar de invocarem a importância da religião nas suas vidas, estes concorrentes são bons exemplos de uma visão mais liberal sobre o sexo. Marco e Cátia, aliás, foram protagonistas de cenas quentes no reality da TVI, ao envolverem-se, respectivamente, com Susana e Carlos. A saída da namorada do pasteleiro aproximou-o de Cátia e a jovem que já trabalhou num cabaré tem-se esforçado por o seduzir.

Susana já está fora da ‘Casa dos Segredos’, mas a stripper aproveitou a passagem pelo programa para desmistificar preconceitos sobre a profissão, que partilha com outro concorrente, Paulo, também ele com experiência de stripper. "Falei abertamente, expliquei como as coisas funcionavam, é uma profissão igual às outras e muitas pessoas apontam o dedo, mas não percebem", conta à Correio TV. Sobre os colegas na casa, garante que "não houve maldade nenhuma" nas perguntas. Mas Daniela S. não poupou nas críticas quando se envolveu numa acesa discussão com Daniela P. sobre a definição de prostituição. Para a psicóloga não são os montantes envolvidos que fazem a diferença, mas a jovem lisboeta, que já posou para a revista masculina ‘Penthouse’, distingue prostitutas de acompanhantes de luxo.

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As conversas não despertaram a curiosidade do ‘virgem’, que até se recusou a assistir com os colegas a um filme sobre homossexualidade. "O João J. não se envolve muito, nós explicamos, mas ele fica num canto, vai para o quarto ou não dá a sua opinião. Não tenta perceber, mas respeita tudo e todos", diz Susana. A ex-participante reconhece que teve receio da reacção do público, mas nunca ponderou esconder a sua ocupação. No final, o balanço é positivo: "Não acho que me tenha prejudicado, não me senti julgada".

Na primeira edição de ‘Casa dos Segredos’, Andreia Leal assumiu ser acompanhante de luxo. "Num programa destes, em horário nobre, é preciso cuidado com os segredos, bastante delicados, porque há sempre um nicho de pessoas que não nos vê com bons olhos", refere. Mas Andreia não sente que a exposição tenha sido negativa: "Não fui mal recebida, a sociedade está bastante mais evoluída do que estava à espera. As pessoas adoraram a Andreia e não tentaram ver a Vivian [nome com que se apresentava enquanto acompanhante de luxo]. Apesar de considerar que a experiência "foi vantajosa", e que resultou em várias propostas de trabalho "para presenças, representar marcas e fazer telenovelas", a ex-concorrente acredita "em falsos moralismos". "Se calhar, se queremos enveredar por um trabalho noutra área, pode ser o calcanhar de Aquiles".

Chegar a este punhado de concorrentes que quase se podem dividir em duas equipas é fruto de um longo processo de selecção que começou com a análise aos 80 mil inscritos no programa. Após uma pré-selecção, entrevistas com psicólogos e testes médicos, os milhares ficaram reduzidos a cerca de 50 indivíduos, que se destacaram pelas histórias de vida. "O seu passado foi alvo de uma pesquisa intensa, com uma equipa a contactar familiares e amigos. Temos de saber toda a sua história", explica à Correio TV Lurdes Guerreiro, directora-geral da Endemol Portugal. Por fim, a TVI e a produtora juntam-se para escolher os finalistas. "Procuramos, essencialmente, pessoas interessantes e com personalidades diferentes", conclui.

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