Crianças são obrigadas a trabalhar 14 horas/dia
A CBS já estreou o controverso reality show ‘Kid Nation’ (‘Nação das Crianças’ em tradução livre), cujo primeiro programa alcançou uma audiência de nove milhões de telespectadores, ficando muito aquém das expectativas da estação norte-americana.
O formato, inspirado no ‘Big Brother’, reuniu nos meses de Maio e Junho 40 crianças com idades compreendidas entre os oito e os 15 e começou a gerar polémica ainda na fase de produção quando vários grupos de direitos humanos denunciaram não apenas os moldes do programa como, e sobretudo, o facto de os miúdos ficarem completamente entregues a si próprios.
As quatro dezenas de rapazes e raparigas foram, em Maio, ‘abandonadas’ numa cidade fantasma, Bonanza de seu nome, no estado do Novo México, onde criaram uma sociedade funcional, com um sistema próprio de leis, comércio e classes sociais. As crianças foram obrigadas, durante 40 dias, a trabalhar como ‘escravos’, na terra, a tratar dos animais, a cozinhar e a fazer todos os trabalhos domésticos durante 14 horas por dia, sempre seguidos por várias câmaras.
Os pais dos jovens estavam a par dos objectivos do reality show e assinaram contratos nos quais aceitavam que a produção do ‘Kid Nation’ mandasse nos seus filhos durante as gravações, sob pena de serem expulsos caso negas-sem seguir as directrizes dos responsáveis pelo formato.
No contrato de 22 páginas, a CBS protege-se legalmente das limitações ao trabalho infantil, admitindo que as crianças podiam ser pagas pela sua participação, mas ressalvando que tal não constituía um ordenado. “As leis do Novo México em relação ao trabalho infantil são muito vagas. Na Califórnia ou em Nova Iorque seria impossível realizar este programa”, salientou a activista de direitos das crianças Kim Talman.
A CBS recorreu também a fórmulas legais comuns neste tipo de programas, segundo as quais os participantes, neste caso específico representados pelos pais, se responsabili-zam por quaisquer acidentes, desde ferimentos mais ou menos graves ou até mesmo a morte. Os progenitores ficam também responsáveis por quaisquer consequências psicológicas ou físicas contraídas durante o programa, incluindo doenças sexualmente transmissíveis e gravidez.
QUEIMADURAS E LIXÍVIA
Nos 40 dias passados na cidade fantasma, acidentes graves levaram crianças a necessitar de tratamento médico. Os casos mais graves foram denunciados à imprensa pela mãe de um dos participantes, Janis Miles, que revelou ao jornal ‘The New York Times’ que alguns miúdos sofreram queimaduras graves quando cozinhavam e outros beberam lixívia, colocada inadvertidamente numa garrafa de refrigerante.
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