Donald Trump abre guerra aos jornalistas
Comentadores anteveem relações conturbadas com os órgãos de comunicação social.
Um prenúncio de grande crispação com a comunicação social é como os analistas portugueses veem o que se está a passar nos Estados Unidos com a polémica em torno da assistência na tomada de posse de Donald Trump.
O novo chefe de Estado dos EUA acusou a imprensa de ser desonesta, o seu porta-voz, Sean Spicer, disse que a audiência - no local e pela televisão - foi a maior de sempre e, para tentar acalmar os ânimos, a conselheira da Casa Branca Kellyanne Conway afirmou que Spicer se referia a "factos alternativos", dando origem a grande polémica na internet.
"Temos uma nova realidade, na qual há um choque, uma rutura entre a liderança dos EUA e a opinião pública internacional que pressupõe que, nos próximos anos, a imprensa, em vez de dar notícias, tenha de se entrincheirar e defender a liberdade de expressão", afirmou ao CM Carlos Magno, presidente da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).
Já o crítico de televisão Eduardo Cintra Torres considera esta situação "um péssimo sinal". "É o chamado mau perder, que chega ao ponto de querer negar a realidade, mas que não funcionará nos EUA, onde a liberdade de imprensa está muito bem enraizada."
"Não é normal, nem fica bem a figuras com cargos políticos quererem entrar na interpretação dos factos, pelo que isto pressupõe uma grande conturbação nas relações com a imprensa no futuro", alega o politólogo André Freire.
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