EM BUSCA DA IDENTIDADE
O conto das mil e uma noites está na recta final. Brevemente vão ser transmitidas as emoções finais do amor vivido entre “Jade” e “Lucas”. A revelação da sentença de “Leandro” e dos resultados da luta contra a droga travada por “Mel”, “Nando” e “Lobato” são também ansiosamente aguardados pelos telespectadores.
“O Clone” está prestes a chegar ao fim, aproximando-se o momento mais esperado – a revelação do destino reservado a “Jade” e “Lucas” após 20 anos de luta por um amor proibido, que a SIC deverá transmitir na primeira semana de Setembro, simultaneamente à exibição dos primeiros episódios de “Esperança” (Terra Nostra 2).
O facto de “Jade” e “Lucas” pertencerem a diferentes culturas, fez com que a primeira vivesse infeliz e aterrorizada com a difícil escolha que teria de concretizar entre manter-se ligada à cultura muçulmana ou deixar toda a tradição e família para trás, inclusive a própria filha, para viver um grande amor ao lado de “Lucas”.
“Leandro” é o clone de “Lucas” (ambos os personagens interpretados por Murilo Benício), que sofre com a angústia de tentar descobrir qual é o seu lugar no mundo. E, Débora Falabella, Osmar Prado e Thiago Fragoso, intérpretes de “Mel”, “Lobato” e “Nando”, respectivamente, revelam o drama que é ser-se viciado em drogas.
Inicialmente, o ponto forte da telenovela consistia na questão cultural, o problema dos hábitos e padrões de vida dos muçulmanos em contraste com os dos meios ocidentais, predominantemente cristãos. Este tema, no entanto, pouco foi explorado nas suas virtualidades e consequências, tendo a autora privilegiado o aspecto estético dos costumes muçulmanos, designadamente a beleza das jóias e dos véus. E o pouco que foi retratado no âmbito daquele tema, nomeadamente a prática da poligamia, não constituiu um retrato fiel da realidade daquela cultura.
Gradualmente, a narrativa conferiu mais ênfase, à medida que se foi desenvolvendo, à questão da luta contra a droga. A partir de depoimentos de quem já passou pelos malefícios do vício, inseridos na própria telenovela, Glória Perez mostrou as várias fases do vício e da tentativa de recuperação. “Lobato”, por exemplo, ainda não parou de beber, apesar de ter tentado. A jovem “Mel” experimentou drogas leves com “Cecéu” e “Nando”, gostou, passou para a cocaína e, nos últimos episódios, tem protagonizado cenas de roubo para conseguir sustentar o vício.
Sem subtilezas, ”O Clone” tornou-se, sem dúvida, num marco no esclarecimento do grande público sobre as dificuldades que estão patentes na luta contra as drogas.
A clonagem, pelo contrário, parece um tema que foi esquecido. Com o sucesso da clonagem animal registado nos anos mais recentes, começaram a surgir rumores, preocupações e curiosidades à escala mundial sobre a possibilidade de clonar seres humanos.
Aparentemente, Glória Perez propôs-se explorar um tema tão vasto e complexo como este, mas a tentativa foi pouco conseguida, uma vez que “O Clone” mal aflora o problema.
VAI MAIS UM 'TECO'?
No Brasil os números de consumo de drogas leves é assustador e, por isso mesmo, as mensagens antidroga em “O Clone” foram feitas no sentido de criar impacto na população, por forma a sensibilizá-la para o problema. Aliás o próprio elenco integra artistas que já tiveram problemas com droga.
Osmar Prado, por exemplo, com uma excelente interpretação como “Lobato”, executivo que luta contra a dependência e dá contundentes depoimentos sobre o flagelo, admite que na vida real já experimentou drogas leves e procurou terapia para deixar o álcool.
Cissa Guimarães, no papel de “Clarisse”, mãe de “Nando”, confessou que também já passou pelas brasas da droga, assim como Vera Fischer, a “Yvete”, que viveu um drama público contra a dependência, da qual saiu vitoriosa.
Enquanto que “Lobato” dá o alerta para os perigos da dependência, sem nunca esconder o prazer que a droga proporciona, “Mel” espelha com realismo a decadência que atinge o viciado e do que ele é capaz para conseguir comprar mais um “teco”.
A jovem actriz tornou-se mesmo num ícone nacional de combate às drogas. Débora Falabella recebeu um galardão de Mérito pela Valorização da Vida das mãos do general Alberto Cardoso, chefe do Gabinete de Segurança Institucional, pela actuação em “O Clone”.
Também Glória Perez, a autora da narrativa, recebeu o mesmo prémio, do Presidente Fernando Henrique Cardoso.
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