Eu não tinha coragem
A novela da TVI ‘Tempo de Viver’ conheceu ontem um dos momentos mais marcantes da acção, com a gravação da cena da morte de ‘Afonso’ (papel interpretado por Hugo Tavares).
O autor, Rui Vilhena, a produtora NBP e a Quatro quiseram voltar a surpreender os telespectadores e decidiram matar o personagem numa megaprodução ao estilo de Hollywood, em que o ‘playboy’ cai do alto de um edifício. Mas o actor José Fidalgo, que também participa na cena, fez ‘birra’ devido à presença dos jornalistas e chegou mesmo a ameaçar não gravar.
À chegada à Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa, o prostituto ‘Bruno’ viu-se confrontado com a presença da Imprensa e não gostou.
Ultrapassado o caso, as gravações da cena – que deverão ser exibidas na próxima semana – arrancaram e revelaram um grande aparato. E a situação não era para menos. É que a produção quer uma morte realista, em que se vai poder ver ‘Afonso’ – um boneco, leia-se – a cair do edifício, estatelando-se num automóvel.
“Eu não tinha coragem para o fazer”, confessa Hugo Tavares quando questionado sobre se seria capaz de substituir o duplo na cena da queda. Sobre o desaparecimento do seu personagem, o actor afirma que vê “a morte normalmente, é o fim de um ciclo”.
Para gravar a cena foram contratados quatro duplos e uma empresa de efeitos especiais, tendo sido ainda deslocados para o local cerca de 70 técnicos e seis carros de exteriores.
O CM sabe que já foram gravadas algumas cenas na quarta-feira, nomeadamente os diálogos entre ‘Afonso’ e ‘Bruno’. Inclusivamente terá sido já gravada uma queda nesse dia e, segundo o nosso jornal apurou, o resultado agradou bastante aos responsáveis.
APOSTAR ATÉ AO FIM
“O investimento na novela não é só no início, vai ser durante toda a trama”, revela ao CM o coordenador do projecto, André Cerqueira. O responsável recorda que, nos episódios já gravados e exibidos, foram apresentadas “grandes festas e acontecimentos”. E sobre a morte de ‘Afonso’, o coordenador da novela afirma: “Os telespectadores podem esperar uma grande cena. Será espectacular.”
O desaparecimento do ‘playboy’ vai levantar questões. “O que será da vida da ‘Maria Laurinda’? E da família do ‘Afonso’?”, questiona Cerqueira.
E, tal como Rui Vilhena fez em ‘Ninguém como Tu’ e tem apostado em ‘Tempo de Viver’, vamos ter outro grande mistério na novela: será que ‘Afonso’ foi vítima de acidente ou homicídio? Esta questão ficará por responder durante vários episódios.
“A novela está num momento de viragem. O público vai assistir a acontecimentos muito fortes. Desaparecem alguns personagens e aparecem outros que vão mudar por completo a linha de história”, conta Rui Vilhena, concluindo: “Daqui para a frente, todos os episódios serão como um puzzle, que as pessoas vão montando até desvendarem os mistérios.”
A morte de ‘Afonso’ acontece na véspera da operação a um cancro nos testículos. Sem dar qualquer justificação à família, o jovem decide sair para gravar as últimas cenas do documentário que está a realizar e acaba no terraço de um edifício lisboeta. Mas o ‘playboy’ não está sozinho...
A família ‘Martins de Mello’ é avisada do acidente já de madrugada. Todos ficam à beira de um ataque de nervos, principalmente ‘Maria Laurinda’, que vê fugir a sua grande oportunidade de ser rica.
'TERRAMOTO' NA HISTÓRIA
A morte de ‘Afonso’ vai marcar mais uma viragem na história de ‘Tempo de Viver’, pois durante o funeral do ‘playboy’ vai voltar à cena ‘Gonçalo’ (Marco d’Almeida), que supostamente tinha morrido no primeiro episódio, no ataque terrorista às Torres Gémeas de Nova Iorque.
“Quando o ‘Gonçalo’ entrar, vai ser um terramoto na novela”, revela ao CM o autor da história, Rui Vilhena, acrescentando: “Ninguém vai ficar indiferente à sua entrada.”
Apesar de terem estilos diferentes, Rui Vilhena diz mesmo que ‘Gonçalo’ vai superar a malvadez de ‘Maria Laurinda’ (Margarida Vila-Nova). O autor faz mesmo uma comparação com o vilão ‘António Paiva Calado’ (Nuno Homem de Sá), da sua anterior novela, ‘Ninguém como Tu’. “Para quem achava que o ‘António’ era execrável, vai ficar impressionado...”, conclui Vilhena.
DOIS DIAS
A cena da morte de ‘Afonso Martins de Mello’ foi gravada durante dois dias. Na quarta-feira, a equipa foi ao local fazer as primeiras filmagens, tendo feito uma queda experimental, que agradou aos responsáveis. Ontem, a NBP conclui a gravação do acidente.
BONECO
O momento do embate de ‘Afonso’ no carro, um Lancia, não será protagonizado por Hugo Tavares ou qualquer dos duplos. A verdadeira vítima do acidente será um boneco, que estará preso a uma pesada placa de cimento.
TORRES GÉMEAS
Esta não é a primeira megaprodução da novela de Rui Vilhena. No primeiro episódio, foi recriado o ataque terrorista às Torres Gémeas de Nova Iorque, EUA, a 11 de Setembro de 2001, em que foram utilizados efeitos especiais de última geração. Também foram realizadas gravações de helicóptero e barco na Tailândia.
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