“Faço as coisas pela arte, não procuro dinheiro ou estrelato”

Exclusivo da TVI até 2014, o actor de 33 anos está feliz em ‘Doida Por Ti’ e diz não ter planos para trabalhar no estrangeiro.

16 de novembro de 2012 às 15:00
vítor fonseca, cifrão, actor, novela, TVI, doida por ti Foto: Pedro Catarino
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O Nando de ‘Doida Por Ti’ (TVI) é um personagem muito responsável. Também é assim?

Todos os personagens têm cinquenta por cento meu. Sou uma pessoa muito responsável e profissional como ele. Mas o Nando é pouco paciente e eu sou paciente de mais. Ele tem confiança cega no amor e eu também. Safa sempre os amigos e eu também sou um bocadinho assim. É muito fácil defender este personagem porque ele é realmente bom. Estou muito feliz com o resultado. Nunca tive um personagem tão forte, com tanta incidência na história. Sinto que é um degrau que estou a subir e está-me a dar muito gozo.

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Como se preparou para o facto de ser um chefe de cozinha?

Tivemos dois meses de formação. Já consigo fingir que sou chefe profissional. Mas tive imensos cortes nas mãos, porque as facas eram muito afiadas, e uma fase em que, em casa, só comia legumes, porque tinha de fazer alguma coisa ao que cortava.

A cozinha já lhe era familiar?

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Já cozinhava. Vivi muito tempo sozinho e tive de aprender a fazê-lo.

Inspirou-se em alguém?

No Gordon Ramsey [chefe de cozinha escocês, do reality show ‘Hell's Kitchen’, da SIC Radical].

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Que feedback tem tido do público?

O bigode tem feito muito sucesso (risos).

A decisão em relação à imagem do personagem foi sua?

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Foi. Quis criar uma personagem diferente do que já tinha feito. Tentei achar algo em que olhasse para o espelho e visse uma pessoa diferente. E o bigode faz todo o sentido porque ele é muito ‘tuga’. E um cozinheiro de bigode impõe respeito. As pessoas não rua já me chamam de cozinheiro e não de Zé Milho [personagem que interpretou em ‘Morangos com Açúcar’]. Isso deixou-me muito feliz. Quero que as pessoas comecem a identificar outros personagens que faço.

‘Doida Por Ti’ está longe da liderança nas audiências. Porquê?

Não é de um momento para o outro que se convence o público a ver as coisas. Mas vamos liderar dentro de muito pouco tempo.

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A participação em ‘Doida Por Ti’ é um investimento definitivo na carreira de actor?

Desde 2005 que trabalho em televisão. Já são sete anos. Espero estar quase a celebrar os meus dez anos de carreira, com o sucesso que tenho tido.

Sente-se realizado com a sua carreira de actor?

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Sim. Fiz quatro anos de ‘Morangos com Açúcar’ [foi o actor que participou em mais episódios], é um sinal de alguma coisa. E a minha continuidade com a TVI e a Plural significa que nos temos estado a dar bem e que gostam do meu trabalho. À parte disso, se não acreditasse não investia nesta profissão como o faço. Sempre estudei muito as artes de palco – o canto, a dança e a representação – e, portanto, não tenho motivo para fazer uma coisa que não faça bem, porque tenho outras alternativas. Gosto das três áreas e sinto que estou seguro em todas elas.

Faz igualmente bem as três coisas?

Luto bastante para isso. Não fico encostado à sombra da bananeira. Todos os anos faço um curso de cada uma das áreas. Não estou parado nunca e invisto muito. Não me deixo ultrapassar por ninguém, tento sempre estar no auge. E gosto de procurar formação em sítios diferentes, por isso estudei no Brasil [televisão e cinema] e em Londres [teatro musical]. Mas quero fazê-lo aqui. A Plural [produtora de ficção da TVI] é a minha casa e dou o coração por isto. Trabalho à frente e atrás das câmaras. Sinto que todas as produções são minhas e luto para que a Plural esteja sempre um passo à frente dos outros.

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O que é que aprendeu no Brasil?

Fui aprender técnicas que eles já conhecem há muito tempo. Para eles, a história tem de passar pelo olhar. Foi muito giro. Mas a forma de trabalhar é muito semelhante à nossa. Em Portugal, estamos muito bem e temos capacidade de sermos cada vez melhores. A grande diferença é o dinheiro. Mas daqui para a perfeição já falta muito pouco. Temos é de investir mais no nosso mercado e nos nossos actores, para que todos possamos viver do nosso sonho e trabalho.

Já colocou a hipótese de internacionalizar a sua carreira de uma forma permanente?

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Tenho muita vontade de fazer coisas diferentes mas não necessariamente lá fora. Faço as coisas pela arte, não procuro dinheiro ou estrelato. Gosto de fazer coisas de baixo orçamento com muita imaginação. Quanto à internacionalização, não penso e não invisto nisso. Se não já estava em Londres. Sinto que há muita coisa para fazer aqui com valor.

 

Tem contrato de exclusividade com a TVI. Tem sido abordado por outros canais?

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Como é que hei-de explicar… isto [TVI] é a minha casa! Não consigo dizer mais nada. Sinto-me bem aqui.

Fala-se do fim das exclusividades na TVI. Está preocupado?

Não, ou não fazia mais nada. Toda a vida me preparei para a instabilidade desta profissão.

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A sua namorada [Noua Wong] integra ‘Dancin’ Days’, da SIC. Costuma acompanhar o trabalho dela?

Vejo as cenas dela. Está muito bem, linda e brilhante. Tem uma energia e predisposição muito certa para ser actriz. Tem muito valor e sou fã.

Criticam o trabalho um do outro?

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Sem dúvida. Fazemos isso todas as noites. Ela é mais crítica.

É adepto do contacto com os fãs através das redes sociais?

Do Facebook, sim. Não contacto tanto como deveria. Podia ser mais activo. Às vezes não tenho paciência para por uma foto a trabalhar ou a fazer qualquer coisa. Mas tendo a lutar contra isso porque é importante dar-mos a conhecer o nosso trabalho ao público. Aquilo que faço é para o público. Para captar sorrisos, lágrimas, reacções e emoções. 

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PERFIL

Actor, cantor e bailarino de profissão, Vítor Fonseca, ou ‘Cifrão’, como é tratado pelos amigos, nasceu em Lisboa a 27 de Maio de 1979. Popularizou-se como Zé Milho, em ‘Morangos com Açúcar’, série que deu origem à banda D’ZRT. Participou depois em ‘Doce Fugitiva’ (TVI) e na série ‘Liberdade 21’ (RTP). Estudou em Londres e no Brasil, onde participou na minissérie ‘Maysa’, da TV Globo, e, actualmente, integra o elenco de ‘Doida Por Ti’, da TVI.

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