HENRIQUE E ANA CASAM NO FINAL

Virgílio Castelo é 'Henrique', um homem dividido entre duas mulheres, 'Mafalda' (Rita Loureiro) e 'Ana' (Alexandra Lencastre) e, ao que tudo indica, esta sua indecisão vai manter-se até aos derradeiros episódios de 'Ana e os Sete', a série das noites de sexta-feira da TVI, que, a seguir os passos do original espanhol, poderá ter uma terceira fase.

11 de abril de 2004 às 00:00
HENRIQUE E ANA CASAM NO FINAL Foto: Pedro Catarino
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Segundo o actor, as semelhanças entre o original e a adaptação portuguesa ficam-se pelo título e pouco mais, já que não poupa críticas à produção de 'nuestros hermanos'. "Portugal tem uma alma completamente diferente da Espanha. Não faço juízos de valor sobre qual é melhor ou pior, mas se a série portuguesa seguisse à risca a espanhola seria um fracasso. Tem que haver uma adaptação à realidade de cada país, o que não significa condescendência", afirma Virgílio Castelo.

O actor acrescenta que a produção espanhola "é francamente pior que a nossa". E explica: "Tem uma excelente actriz - a 'Mafalda', que lá é a 'Letizia' -, de resto, o elenco é fraquíssimo". E continua: "A nossa realização é muito melhor e os cenários parecem a oitava maravilha do mundo comparados com o apartamento da Reboleira deles." Além disso a série espanhola é, na opinião do actor "de um grande mau gosto do ponto de vista estético."

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CONSERVADOR

Quanto ao seu personagem na série, Virgílio Castelo confessa que não haverá grandes alterações. "Duvido que o 'Henrique' mude porque acho que isto tem a ver com a convenção da escrita dos arquétipos dos personagens. Se ele se tornar muito diferente fica menos conservador e estereotipado", salienta. Além disso, o 'Henrique' "teria um comportamento isento de conflito, ora não havendo conflito não há história".

Pelo que conhece do seu personagem, o actor diz que "há sempre esta hesitação entre o que é e o que acha que deve ser feito e o que sente realmente. Esta é uma contradição de fundo muito boa, porque é comum a qualquer ser humano, independentemente do que pensa e faz. Há sempre uma espécie de tentativa de síntese entre aquilo que nos dá prazer e o que sentimos como dever". Já em relação ao enlace entre os personagens principais da série, Virgílio Castelo refere: "O casamento do 'Henrique' com a 'Ana', a haver, só será no final da série".

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A segunda série de 'Ana e os Sete', cujas gravações estão a decorrer, vai até ao centésimo episódio - a primeira ficou pelos 52 - mas, em Espanha já se fala de uma terceira. "Se eu fosse o autor e se houvesse uma terceira série, introduzia novidades, para manter a atenção dos telespectadores. Ou então vão ter de encontrar novas situações com os personagens centrais - 'Henrique', 'Mafalda' (Rita Loureiro), 'Ana' (Alexandra Lencastre) e 'David' (Paulo Pires) - que tenham a capacidade de renovação. Outra hipótese é introduzir mais personagens", salienta.

"DEIXA-ME RIR"

Virgílio Castelo faz parte do elenco da peça 'Deixa-me Rir', em cena no Teatro Villaret, em Lisboa, com José Pedro Gomes, Rita Lello, Pedro Laginha, Margarida Marinho, Jorge Mourato e António Machado. "Digo com orgulho, pelo teatro que se faz em Portugal, que é um êxito enorme. É uma alegria imensa estar numa peça que está a esgotar com um mês de antecedência. Isto quer dizer que o público português tem vontade - e há público para ver - este tipo de teatro", frisa.

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Na forja está já uma outra peça, intitulada 'Jantares Idiotas', onde Virgílio Castelo vai contracenar com Miguel Guilherme, numa encenação de António Feio.

'INSPECTOR MAX' INQUIETA ACTOR

Virgílio Castelo é um dos sócios da produtora Pipoca Entertaiment, responsável por 'Inspector Max', TVI, e, apesar de satisfeito com o sucesso do projecto, confessa-se "muito inquieto". "É muito caro e tem várias novidades do ponto de vista de produção", afirma.

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Entre as "ousadias" desta produção, estão as várias crianças do elenco e um cão - dois ou três conforme as cenas - que atrasam naturalmente as gravações pelos seus ritmos muito próprios. "Há ainda as histórias que implicam problemas de logística, visto terem muitos exteriores. Artisticamente, é apelativo e motivador, financeiramente é um projecto dificílimo e inquietante".

Apesar das audiências provarem o sucesso, Virgílio Castelo mantém-se preocupado. "Tem corrido muito bem mas continuo com a mesma angústia da estreia. Hei-de fazer os primeiros 26 episódios e, se houver mais encomendas da TVI, vou continuar angustiado porque nunca sei como é que vai correr. Se soubéssemos o que ia acontecer toda a gente fazia êxitos", remata.

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