Imparidades atiram dona da SIC para prejuízo de 66,2 milhões de euros
Impresa quer cortar 16 milhões nos custos nos próximos quatro anos e admite vender edifício em Paço de Arcos. Francisco Pedro Balsemão, promete “virar a página”.
A Impresa registou prejuízos de 66,2 milhões de euros em 2024 devido a imparidades e provisões, depois de um resultado negativo de 2 milhões de euros em 2023. Se retiradas as imparidades, o resultado líquido da dona da SIC e do ‘Expresso’ foi, no ano passado, de 5,5 milhões de euros negativos. “Face à evolução de determinadas atividades nos segmentos de televisão e da Infopor- tugal [área de conteúdos digitais e soluções tecnológicas], bem como à tendência perspetivada dos principais mercados onde estas se enquadram, fo- ram revistos os pressupostos-chave utilizados nos testes de imparidade e determinou-se uma perda por imparidade de ‘goodwill’ de 60,7 milhões de euros”, explicou ontem a Impresa em comunicado, acrescentando que, “pela sua natureza, estas imparidades não têm impacto na atividade operacional do grupo, nem comprometem a sua tesouraria”. A dona da SIC diz ainda que “na sequência da evolução dos processos judiciais em curso intentados contra o grupo [sobretudo em questões de direitos de autor] e da aferição dos respetivos riscos e responsabilidades, o valor das provisões foi reforçado em, aproximadamente, 5,3 milhões”.
“Encerrado este capítulo, o nosso objetivo passa por virar a página e voltar a fazer crescer os nossos resultados operacionais e a reduzir a nossa dívida [superior a 130 milhões]. Para esse efeito, lançámos um novo plano estratégico, com um foco ainda maior no corte de custos. A nossa meta é reduzir os custos em 10% em 4 anos, o que corresponde a um corte de cerca de 16 milhões de euros, especificamente na área dos conteúdos, operações e tecnologia e despesas administrativas gerais”, revelou o CEO, Francisco Pedro Balsemão, que ontem admitiu ainda a possibilidade de venda do edifício do grupo em Paço de Arcos, fazendo um encaixe financeiro para reduzir o endivididamento bancário e um arrendamento subsequente, garantiu que os principais ativos do grupo “não estão à venda” e considerou que o preço pago pela televisão digital terrestre (TDT) é “injusto” e deve ser revisto.
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