Indústria da música une-se para 'controlar' Inteligência Artificial
Ideia é proteger direitos autorais numa altura em que se sabe que cerca de 25% da receita dos artistas corre o risco de ser desviada por músicas geradas por IA até 2028.
É uma nova ferramenta que permite aos utilizadores dos serviços de streaming descubrirem se existem faixas 100% geradas por IA escondidas nas suas playlists. O detetor gratuito foi lançado esta quinta-feira pela plataforma francesa de música Deezer mas permite também que os usuários das plataformas de streaming mais comuns verifiquem as suas playlists.
“Este é um primeiro passo para garantir que essas faixas não diluam o fundo de direitos autorais de forma significativa”, afirma a Deezer que recebe quase 75.000 faixas geradas por IA diariamente, representando mais de 44% de seu conteúdo musical novo, um aumento em relação às 60.000 faixas relatadas no início de 2025. Representantes do setor (produtores, editoras, organizações de gestão coletiva) já tinham denunciado o uso indevido em larga escala de obras para treinar modelos de IA, sem qualquer respeito pelos direitos de autor.
Segundo um estudo de 2024 realizado pela Cisac (principal rede mundial de sociedades de gestão de direitos de autor) cerca de 25% da receita dos artistas, ou 4 mil milhões de euros por ano, poderiam correr o risco de ser desviados por músicas geradas por IA até 2028.
Esta nova ferramenta vem também ao encontro daquele que era o desejo de muitos utilizadores. Uma pesquisa recente da Deezer e da Ipsos revelou que 80% dos entrevistados queriam que as músicas geradas por IA fossem claramente identificadas nas plataformas de streaming.
A verdade é que a música criada por IA tem vindo a destacar-se. Nos EUA, por exemplo, as músicas country de artistas como Breaking Rust e Aventhis, criadas com o uso de IA, estão a subir nas tabelas musicais e em França, 'Magique', de Willy l'Ancien, é já um grande sucesso.
Mas a indústria da música, mesmo a mais tradicional, começa a dar passos largos para regular a IA no setor. O Spotify, por exemplo, em parceria com a Universal Music Group, apresentou no final de maio uma funcionalidade paga que permitirá aos utilizadores criar remix e covers de faixas de artistas da editora, com recurso à IA. A mesmo Universal, assim como a Warner, também já tinham anunciado acordos com a Udio (plataforma de inteligência artificial generativa que permite criar músicas completas, incluindo instrumentais e vocais).
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