Inquérito da RTP suscita "graves preocupações" ao Sindicato dos Jornalistas

Os procedimentos do inquérito da RTP ao caso do visionamento de imagens não editadas dos incidentes junto à Assembleia da República no dia 14 de Novembro suscitam "graves preocupações" ao Sindicato dos Jornalistas.<br/>

30 de novembro de 2012 às 08:40
RTP, Nuno Santos, informação, Assembleia da República, Sindicato dos Jornalistas Foto: Jorge Paula
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Em comunicado, o Sindicato de Jornalistas justificou estar preocupado pelo facto de as conclusões do "pretenso inquérito" contrariarem "em absoluto as garantias dadas à direcção do Sindicato de Jornalistas pelo director de informação demissionário", de que "jamais autorizou qualquer visionamento de imagens em bruto e muito menos a sua cópia para entrega a entidades estranhas à empresa".

"Tendo em conta a especial gravidade que o caso reveste e o elevado prejuízo que pode causar à credibilidade e à independência da RTP e dos jornalistas ao seu serviço", o Sindicato de Jornalistas afirma não poder aceitar que este assunto seja tratado de forma irresponsável e leviana", indicou no comunicado.

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O Sindicato sustenta também, citando Nuno Santos, que a RTP "não cuidou de ouvi-lo, tendo-se disponibilizado a fazê-lo apenas já depois de ter 'apurado os factos' que iriam ser levados à Administração, devido a insistência dele e como mero acrescento a elementos que o visado desconhecia".

"A ser verdade, estamos perante uma gravíssima situação de desrespeito pelo trabalhador e de desresponsabilização artificial da própria administração, que não hesitou em projectar para o exterior os resultados de um inquérito que teriam forçosamente de conduzir ao apuramento de responsabilidades disciplinares, cortando o direito de defesa do jornalista em causa", refere o comunicado.

Por outro lado, o Sindicato critica o presidente do Conselho de Administração da empresa pública que, em declarações reproduzidas em vários órgãos de comunicação social, "concluiu que 'não há motivos para um processo disciplinar', pois o apurado 'configura uma deslealdade e uma falta processual, mas não é o suficiente para proceder a um processo disciplinar'".

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"Com tal procedimento e com justificações completamente inaceitáveis, a administração pretende alijar quaisquer responsabilidades no sucedido e não hesita em deixar, ou mesmo em fazer julgar na praça pública, um trabalhador ao seu serviço sem lhe garantir os adequados meios de defesa", conclui o Sindicato de Jornalistas.

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