INVASÃO TERRORISTA
Os Estúdios da Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos, onde são gravados programas para as três estações generalistas nacionais – SIC, TVI e RTP – além das emissões da SIC Mulher e SIC Radical (TV Cabo), foram ontem, pelas 10h05, “tomados de assalto” pelo que o administrador da empresa, Pedro Vasconcelos, classificou de “invasão terrorista”.
“O que se passou aqui foi um acto terrorista. Eles invadiram as instalações como se isto fosse um território a tomar”, acrescentou Pedro Vasconcelos.
Januário Lourenço, solicitador, dirigiu-se à Estrada de Paço de Arcos, n.º 26, para fazer uma penhora, acompanhado por 47 seguranças e carregadores. Só que os seguranças pertenciam à empresa, a Echelon, que pretende o pagamento de 300 mil euros (60 mil contos), pela prestação de serviços numa antiga sociedade das lojas, a Valentim de Carvalho Comércio e Indústria SA, e que, de acordo com Pedro Vasconcelos, está desactivada e falida.
Mas, a segurança da penhora deve, de acordo com a PSP (entretanto chamada a intervir), ser feita pelas autoridades competentes e não por empresas particulares.
Só que, antes da chegada da PSP, os seguranças, a pedido do solicitador, arrombaram um cofre da empresa, forçaram gavetas e partiram uma porta a pontapé.
Januário Lourenço justificou a sua actuação referindo que, “com a nova lei, os bens que são penhorados não são os da empresa mas sim os da morada”. Graças à interpretação desta nova lei, por pouco o piano do ‘HermanSIC’ não foi levado, pois chegou a ser carregado alguns metros. É que os estúdios estão alugados e muito do material que se encontra lá dentro pertence a empresas que nada têm a ver com a Valentim de Carvalho .
“Além de ter havido violação da propriedade alheia, a segurança desta invasão foi feita, no início, por uma empresa privada e não pela PSP”, adiantou Pedro Vasconcelos. A meio da tarde, a juíza responsável pelo processo reuniu-se com os responsáveis pelos estúdios e também pelos canais generalistas. “Ela não fazia ideia do que estava a acontecer”, referiu Pedro Vasconcelos, que confessou ter sido apanhado de surpresa pela “invasão das instalações”. “Só posso dizer que esta penhora não tem nada a ver connosco, Estúdios Valentim de Carvalho”.
A intervenção do solicitador impediu o normal funcionamento dos estúdios, que estiveram praticamente parados, já que os trabalhadores foram impedidos de entrar nas instalações durante todo o dia. “O prejuízo é de milhares de contos, além de manchar a nossa imagem”, acrescentou.
A Valentim de Carvalho, aguarda o despacho da juíza responsável pelo processo para que o material penhorado e que saiu dos estúdios em carrinhas – câmaras, tripés, mesas de som, etc. – seja devolvido. É que a maioria nem sequer pertence à Valentim de Carvalho.
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