Irregularidades na Tapada do Mouco

A Inspecção-geral do Ambiente e Ordenamento do Território detectou, ontem, ilegalidades na Tapada do Mouco, área florestal adjacente ao Parque da Pena, Sintra, local considerado património mundial e que acolheu a ‘1.ª Companhia’, programa da TVI, segundo apurou o CM junto de fonte do ministério do Ambiente.

27 de abril de 2006 às 00:00
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A acção inspectiva surge na sequência de queixas em Tribunal da Associação ambientalista Olho Vivo, que acusa a empresa gestora Parques de Sintra – Monte da Lua – de autorizar a realização do ‘reality show’ da TVI e, com isso, ter destruído parte da área protegida da Tapada do Mouco. Segundo fonte da Inspecção-geral do Ambiente e Ordenamento do Território, os inspectores “constataram que o espaço ocupado é de cerca de um hectare”, ou seja, o equivalente a um campo de futebol. “Hoje há uma clareira maior” do que aquela que existia antes de começar o programa, disse-nos a mesma fonte.

A Olho Vivo considera que o programa televisivo, que terminou a 31 de Dezembro de 2005, trouxe ainda outros prejuízos ambientais. Filipe Pedrosa, membro da direcção, enumera-os: “Fizeram terraplenagem e destruíram carvalhos e azevinhos plantados por mecenas, deixaram sapatas de cimento usadas na instalação das estruturas e brita. Não se vê a prometida recuperação do local e do Chalé da Condessa, com os 50 mil euros que seriam pagos como contrapartida.”

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O ambientalista estranha a autorização do programa “face ao incumprimento do Plano de Ordenamento do Parque Natural Sintra-Cascais”, tendo a Olho Vivo apresentado queixa ao Ministério Público.

ENDEMOL AGUARDA FACTURA

“A Endemol pagará os 50 mil euros a que se propôs para recuperar o Chalé da Condessa, mas continua a aguardar que a Monte da Lua emita a factura”, disse Piet-Hein Baker ao CM.

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O director da produtora lamenta que a situação ainda não esteja resolvida e garante que a sua empresa “cumpriu todas as normas impostas. Não foi ‘cortado’ um único ramo que não estivesse previsto. Quem tiver dúvidas, fale com as entidades competentes que acompanharam todo o processo: a Câmara Municipal de Sintra [CMS], o Parque Natural de Sintra-Cascais e a Monte da Lua”.

A CMS, pela voz da assessora de Imprensa, remeteu responsabilidades para a Monte da Lua. Esta empresa, detida, em parte, pela CMS, contactada pelo nosso jornal, recusou-se a comentar.

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