JÁ NÃO HÁ HERÓIS

Qualquer jogo de médio interesse chega e sobra para uma estação subir imediatamente cerca de 10 a 20 por cento – o que é fantástico (...)

12 de outubro de 2003 às 00:00
JÁ NÃO HÁ HERÓIS
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Acabou-se o tempo em que, na nossa televisão, existiam formatos, programas e fórmulas imbatíveis. Foi assim, de facto, durante muitos anos – mas agora as coisas estão significativamente alteradas. Num momento em que os números mostram bem que há um cada vez maior equilíbrio de forças entre as três principais estações, o que fica provado é que, neste quadro, também deixaram de sobressair os "salvadores da pátria", aqueles programas que, sozinhos, sustentavam uma grelha inteira.

O "Big Brother" é um excelente exemplo disto mesmo. Há dois anos, o "grande irmão" – servido às "fatias" entre as 10 da manhã e a meia-noite – chegava e sobrava para empurrar a maior parte dos programas da TVI. Não era segredo para ninguém: o "BB" era o trunfo número 1 de José Eduardo Moniz, o programa que operou uma notável reviravolta na nossa televisão, que fez tombar o reinado de Emídio Rangel na SIC e que, em duas penadas e com um só pontapé, colocou a estação de Queluz no topo de Portugal. Hoje, já não é bem assim. A quarta edição do programa está a obter resultados que não correspondem (nem de longe) ao que eram as expectativas gerais e que, assim, não ajudam a TVI a recuperar o terreno que, entretanto, perdeu para a estação de Balsemão.

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Em casa do líder, é também importante registar que, depois de uma entrada de rompante, o sensacional "Ídolos" acalmou e, actualmente, passa as semanas a oscilar entre resultados muito positivos e outros mais… normais. Ou seja, também já ficou claro que não é, de forma alguma, imbatível. Tem a vantagem de ser um produto recente, "fresquinho", ainda a beneficiar do efeito-supresa, mas isso não chega para desequilibrar os pratos da balança.

Por fim, na RTP, é também preciso dizer que o seu programa – como dizer? – mais mediático volta a revelar-se, apenas, uma meia-vitória (o que é, igualmente, uma meia-derrota). A "Operação Triunfo", em segunda edição, consegue aos domingos à noite valores interessantes para as aspirações da RTP, mas está longe, muito longe, de se aproximar do fenómeno que varreu Espanha de ponta a ponta.

Resumindo: as grelhas valem hoje mais pelo seu conjunto e não dependem deste ou daquele produto isoladamente. Informação, sim, continua a ser um bom "barómetro". Dizem as estatísticas que quem consegue fazer um bom jornal às 20 horas tem muito mais hipóteses de ter sucesso no total do dia. E isto, mais do que estatístico, parece ser há muito um facto quase incontornável. Onde não existem mesmo dúvidas… é no futebol. Qualquer jogo de médio interesse chega e sobra para uma estação subir imediatamente cerca de 10 a 20 por cento – o que é fantástico.

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Talvez por isto me arrisco a dizer que, seis meses depois, a TVI pode (já em Outubro) voltar a vencer. O investimento que José Eduardo Moniz fez na aquisição dos direitos de dois jogos do Benfica (Taça UEFA e inauguração do estádio) foi alto, mas pode vir revelar-se bastante compensador. Basta que, para isso, no final deste mês a liderança volte a Queluz. Não é líquido que o volte-face venha a acontecer. Mas é uma possibilidade…

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