Jornal do Partido Comunista Chinês alerta celebridades para sensibilidades da China após caso Mbappé
Polémica começou depois de Mbappé ter sido questionado, numa entrevista recente, sobre a sua imagem humorística favorita na Internet, conhecida como 'meme'. O jogador mencionou uma piada com um ditador chinês.
O jornal oficial chinês Global Times advertiu hoje que as figuras públicas estrangeiras não podem beneficiar comercialmente do mercado chinês sem respeitar as "sensibilidades nacionais", num editorial dedicado à polémica envolvendo o futebolista francês Kylian Mbappé.
Num texto intitulado "A lição de Mbappé: o talento abre portas, o respeito mantém-nas abertas", o jornal considerou que o episódio deve servir de aviso a outras personalidades internacionais com interesses comerciais na China.
"Um futebolista pode ganhar centenas de milhões em campo e perder a confiança de todo um mercado por não demonstrar o respeito mais básico", escreveu o Global Times, publicação ligada ao Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista Chinês.
A polémica começou depois de Mbappé ter sido questionado, numa entrevista recente, sobre a sua imagem humorística favorita na Internet, conhecida como 'meme'.
"Aquela com que mais me ri foi uma em que usam a minha cara num ditador chinês. Uso-a muito com os meus amigos", afirmou o jogador.
Embora o futebolista não tenha mencionado especificamente qualquer dirigente, nos últimos meses tornou-se popular nas redes sociais uma montagem que sobrepõe o seu rosto a um retrato de Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China.
O Global Times não especificou, contudo, quais foram as declarações de Mbappé que desencadearam a polémica, limitando-se a afirmar que muitos chineses preferem não as repetir, por as considerarem ofensivas.
Entretanto, empresas como o grupo de bebidas Dongpeng e a gigante dos laticínios Mengniu anunciaram o fim da cooperação comercial com o internacional francês.
O Global Times considerou que estas decisões não representam uma reação emocional, mas antes uma escolha racional das empresas perante o descontentamento dos consumidores.
"Respeitar não é opcional. Ninguém pode lucrar com a China enquanto a desrespeita", sustentou o jornal.
Mbappé apresentou desculpas na terça-feira, reconhecendo que o comentário foi imprudente.
"O meu comentário foi irrefletido e compreendo agora que magoou muitas pessoas na China e nas comunidades chinesas em todo o mundo", afirmou o futebolista.
O Global Times reconheceu o talento desportivo do jogador, mas sublinhou que a notoriedade internacional implica responsabilidades que ultrapassam o desempenho dentro de campo.
"O talento e a responsabilidade pública são duas coisas completamente diferentes. O primeiro determina quantos golos se marcam e quanto se vale; a segunda determina quantas pessoas continuam dispostas a pagar", escreveu.
Segundo o editorial, as empresas chinesas que decidiram romper os contratos enfrentam custos relacionados com investimentos publicitários anteriores, obrigações contratuais e substituição de materiais promocionais.
O editorial sugeriu ainda que futuros contratos comerciais incluam cláusulas mais claras sobre a conduta pública de celebridades.
"Os sentimentos nacionais do povo chinês não devem ser provocados e o mercado chinês não deixará espaço para aqueles que demonstrem arrogância e desrespeito", realçou.
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