Jornal O Dia desaparece
O jornal ‘O Dia’ deixou de sair para as bancas. A suspensão do título, notada esta segunda-feira [a edição de sexta-feira foi a última], foi comunicada aos quatro jornalistas da redacção no domingo passado.
Para já, garante o director, Antero da Silva Resende, “‘O Dia’ foi suspenso. Quanto ao futuro, não se pode saber”, afirma o responsável entretanto convidado pela administração para um outro projecto editorial, fora da área do jornalismo.
“O fim do diário deve-se a questões de natureza económico-financeira”, acrescenta Silva Resende, sobre a extinção do título, propriedade da Fólio – Edições e Comunicação Social, o mesmo grupo que detém, entre outros, ‘O Primeiro de Janeiro’.
Fundado em Dezembro de 1975 e com uma redacção composta maioritariamente pelos cerca de 20 jornalistas ‘dissidentes’ do jornal ‘Diário de Notícias’, ‘O Dia’ teve Vitorino Nemésio, professor da Faculdade de Letras de Lisboa, ensaísta e romancista reputado, como primeiro director. A seu lado, no cargo de director-adjunto, um outro reconhecido professor catedrático, poeta, ensaísta e crítico literário, David Mourão-Ferreira, prestigiou o lançamento daquele que foi dos primeiros jornais privados, a par com o diário ‘Jornal Novo’, encabeçado por Artur Portela, e o semanário ‘Expresso’, de Francisco Pinto Balsemão.
“A ideia de fundar o jornal foi do saudoso jornalista Carlos Pina e do engenheiro Braz de Oliveira”, recorda Andrade Guerra, ex-jornalista de ‘O Dia’ no seu arranque. Aliás, Andrade Guerra foi um dos profissionais que fez parte “da célebre crise dos 24”, que reporta ao grupo de jornalistas expulsos do ‘Diário de Notícias’ por terem manifestado a sua discordância em relação à “ditadura editorial da direcção”, à época assumida por Luís de Barros e José Saramago.
Mais tarde, no fim da década de 80, após um processo de falência, o diário passou a ser financiado pelo empresário João Rocha, ex-presidente do Sporting e então um dos proprietários da Comgráfica [onde o jornal era impresso], e, na sequência desta alteração, o título passou a denominar-se ‘Jornal de O Dia’. Actualmente, o diário – que há vários anos recuperou o título original – saía para as bancas de segunda a sexta-feira, sendo que a edição de sexta era mais ampliada – aumentava de 20 para 40 páginas.
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