JOSÉ FRAGOSO: TENHO COMPLETA CONFIANÇA EM RANGEL

José Fragoso regressa à TSF após quinze anos. Depois da imprensa, da rádio e da televisão, aos 40 anos, ele é o novo director da TSF, pela mão de alguém de quem profissionalmente tem estado sempre ao lado: Emídio Rangel. Agora tem uma árdua tarefa de reestruturação pela frente

03 de outubro de 2003 às 00:00
JOSÉ FRAGOSO: TENHO COMPLETA CONFIANÇA EM RANGEL Foto: Jorge Godinho
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- Correio da Manhã - Ao longo do seu percurso tem trabalhado muito com o Emídio Rangel. É um caso de confiança mútua?

- Estive com ele desde o início na TSF. Depois houve um período em que estive no "Público" e separámo-nos. Desde que passei para a SIC, em 1992, estivémos juntos até ele sair da RTP, há um ano. Tenho uma confiança completa nele e julgo que o contrário também será verdade. Trabalhamos bem em conjunto.

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- Como encara a remodelação da TSF proposta por Emídio Rangel?

- É um trabalho de grande valor para a TSF porque é uma análise muito exaustiva do comportamento dos públicos, do consumo de rádio e da performance da TSF ao longo do dia. Permite perceber onde é que a TSF está a funcionar e onde tem fragilidades e também identificar os espaços onde é preciso investir. A TSF é uma rádio com um modelo relativamente estável mas tem de criar condições para crescer nalguns públicos.

- No público feminino e no público mais jovem. A TSF é uma rádio de referência no País, mas é preciso soluções - e aqui o trabalho do Emídio foi essencial - para captar mais público. Mas sem contrariar a matriz da rádio, que é uma rádio de informação.

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- Quais são então os horários de maior influência?

- A TSF é uma rádio de informação. Nas manhãs e tardes, onde o consumo de rádio atinge picos, está bem posicionada. Mas tem fragilidades ao longo do dia e em alguns períodos como a noite e as madrugadas. Nesses horários vamos introduzir conteúdos que podem chamar ouvintes novos. Também investimos no reforço de espaços de informação disponíveis nas zonas de maior audiência durante a manhã (07-10h) e durante a tarde (17-20h). A economia, a bolsa, o humor, as revistas de imprensa (nacional e internacional), a antecipação dos temas do dia, o trânsito, a meteorologia... Tudo isso está muito arrumado, numa dinâmica muito forte.

- Como encara o desafio? É uma grande responsabilidade substituir o Carlos Andrade (ex-director)?

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- É. Até porque a TSF tem um percurso marcado pela direcção de grandes profissionais de rádio: Emídio Rangel - o fundador e a grande referência, David Borges, Carlos Andrade... Por isso, nesta fase nova, pretendemos que esse património seja respeitado mas que sejamos capazes de acrescentar ingredientes novos, que alarguem o número de pessoas com contacto diário com esta rádio.

- Quando assumiu a direcção, sentiu alguma retaliação (ambiente mais pesado) da redacção?

- Hoje em dia, o ambiente das redacções é muito marcado pela conjuntura da comunicação social e não há excepções. Todas as redacções vivem marcadas pelas contenções de custos, obrigatória porque as empresas têm receitas inferiores devido à crise da publicidade. Não há ninguém que escape às necessidades de reestruturação e a TSF não é excepção. É com essa realidade que temos de viver.

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- Henrique Granadeiro [pesidente do conselho de administração do grupo] anunciou cortes de custos na ordem dos 30%. Como sente o 'feedback' dos jornalistas?

- Depois de uma fase eufórica, o País entrou numa fase de realismo. As empresas e todos nós temos de abdicar de algumas coisas para ter outras. É preciso ter noção de que a nossa independência é garantida pelas receitas, pela publicidade e que os custos têm que estar em sintonia com os lucros. Vivemos numa época de crise.

- Mas o ambiente da redacção é de receio?

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- Venho de um processo de reestruturação da RTP, que marcou e continua a marcar a vida da empresa, e da SIC, que também passou por uma reestruturação. As pessoas que trabalham nas empresas têm que estar conscientes que agora é diferente. É um condicionalismo natural nos dias que correm.

- A administração incumbiu-lhe alguma missão?

- O que me foi pedido é que mantivesse a TSF no seu caminho e que conseguisse conquistar novos públicos, mantendo sempre a matriz, a marca.

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- Foi buscar o subdirector, Luís Proença, à Antena 1 (RDP) e, eventualmente, sucederá o contrário. Existe alguma guerra na troca de recursos?

- Não há guerra nenhuma. É uma situação natural. Trabalhei com o Luís Proença no início da TSF (ele entrou um ano depois), na SIC Notícias, no período de arranque, depois eu saí para a RTP e ele para a RDP. Achei que era importante tê-lo comigo nesta fase. Os profissionais deslocam-se de umas empresas para as outras de acordo com os projectos de cada momento.

- Nesse contexto, e considerando a eventualidade de Carlos Andrade vir a integrar o painel de 'Flashback', (caso seja emitido na Antena 1), como encara a oposição do grupo Lusomundo?

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- Não comento esse assunto.

- A TSF tem ambições de passar a ser uma rádio nacional?

- Para todos os efeitos, a TSF é uma rádio nacional porque estamos no país inteiro. Temos é dificuldades técnicas de contacto com algumas zonas. Era importante que a TSF tivesse o direito de chegar a todo o país em perfeitas condições. A TSF tem condições para investir nessa área técnica. Para isso, é preciso que seja garantida a legalidade nesse processo.

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- A TSF vai aproveitar a alteração da Lei da Rádio para alguma proposta nesse sentido?

- É uma situação que está a ser acompanhada pela administração.

José Fragoso estreou-se no jornalismo, aos 25 anos, no jornal 'Se7e'. Entretanto, fez um curso de formação para jornalistas, na TSF, e acabou por ser seleccionado. Integrou então a rádio no seu arranque, em 1988, acumulando funções com a imprensa. Ainda na TSF, passou para o semanário 'Expresso' e manteve também colaborações com a RTP, no programa de entrevistas 'Concorda ou Talvez Não'. Pela dificuldade de conciliação de rádio e imprensa, optou então por permanecer apenas no 'Público'. Na SIC viria a integrar a equipa de fundadores, em 1992, e aí permaneceu uma década chegando ao cargo de director da SIC Notícias que assumiu durante uns meses, até sair para a RTP. Na estação pública foi director-adjunto de informação e director dos canais internacionais - África e Internacional. Aos 40 anos é o novo director da TSF, desde Agosto deste ano.

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