Júri de Ídolos também é idolatrado
Os quatro jurados do programa de talentos da SIC são estrelas tanto ou mais cintilantes que os concorrentes. O público pede-lhes autógrafos e tira fotos com eles.<br/>
Manuel Moura dos Santos, Roberta Medina, Pedro Boucherie Mendes e Laurent Filipe, jurados da terceira edição de ‘Ídolos’, que termina domingo na SIC, não ficam atrás dos concorrentes em termos de popularidade. Nas galas, há quem leve cartazes com frases como ‘Manuel Moura dos Santos, és o meu ídolo”. O jurado mais antigo de ‘Ídolos’ revela à Correio TV: “Sou abordado na rua desde a primeira edição. Mas há agora uma projecção que as outras não tiveram. Tenho dificuldade em lidar com todo o folclore à volta do programa.” O presidente do júri acrescenta: “Agora, perto do fim, aplaudem muito aquilo que eu digo e a minha frontalidade. Tenho algum feedback, em especial no Facebook.” Moura dos Santos conta ainda como é abordado na rua. “Pedem-me um autógrafo ou uma foto. Contam-se pelos dedos aqueles que me abordam para discordar ou para me criticar.” Para Roberta Medina, o que mudou desde que é jurada “foi apenas ter virado uma figura conhecida na rua. Em termos práticos, a vida não muda”. A jurada brasileira diz que “a abordagem do público tem sido muito positiva e carinhosa”. “Elogiam a minha bondade, o carinho com que falo e a minha postura leve no programa.” E diz: “As pessoas gostam de bondade e delicadeza.” Já Pedro Boucherie Mendes frisa: “Não sou muito abordado. As pessoas dizem que adoram, ‘assim é que é’, etc. Os portugueses gostam sempre de tudo. E eu digo qualquer coisa de circunstância.” Outro jurado, Laurent Filipe, afirma que “mudou a notoriedade e a visibilidade. As pessoas que me abordam são cordiais. E eu aplico a regra de ouro: fazer aos outros o que gostaria que me fizessem a mim”.
Também para Diana e Filipe, que disputam no domingo o duelo final desta edição de ‘’Ídolos’, a vida mudou. Para a jovem de Lagos, a experiência tem sido “uma loucura”, enquanto para o concorrente de São Mamede de Infesta “é tudo muito intenso”. Rever o vídeo desde os castings até agora fê-los sentirem-se nostálgicos e ficar com a ideia de que valeu a pena percorrer este caminho. “É incrível ver as pessoas, de qualquer idade, na rua, a darem-nos os parabéns. É tudo muito saudável, porque também vêm ter comigo a pedir para dar um beijinho ao Filipe, pois também gostam muito dele”,diz Diana. A semana que os separa da grande final tem sido, para Diana, “de muita nostalgia e nervos”. Na última gala, a dupla foi muito elogiada pelo júri, que garantiu ter sido aquela a noite em que ambos tiveram as melhores actuações. Os elogios, merecidos, levaram Pedro Boucherie Mendes a sugerir que os dois concorrentes ganhassem um semestre de estudos numa escola de artes em Londres. A verdade é que a ideia do jurado já deu frutos e circula na Internet a petição ‘Filipe e Diana a Londres’, que pode ser assinada em http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2010N1203
Os dois finalistas estão com os olhos postos no ‘passaporte’ que os levará à London Music School, apesar de muito apegados à família. Se ganhar, Filipe já tem tudo pensado: “A minha intenção, se tudo correr bem, é ouro sobre azul, acabar o curso – Engenharia Florestal – e depois ir para Londres. Se não for possível, acabarei o curso na mesma. É importante concluir uma etapa para começar outra. A família tem um papel fundamental na minha vida, assim como os amigos. Gostaria de os receber a todos.”
Os dois jovens há muito que compõem mas muitos desses projectos ficaram na gaveta. Diana considera que a tournée ‘Idolomania’ – que arranca a 13 de Março na Praça do Campo Pequeno, em Lisboa, e que se vai arrastar pelo Verão – pode ser uma rampa de lançamento para os trabalhos que ainda não viram a luz do dia (ver caixas). Filipe ainda não pensou na digressão. “Gostava era de cantar o que me faz sentir bem. O certo é que a tournée vai ser um momento em que podemos estar mais relaxados e conhecer-nos melhor, sem estarmos a competir. A competição é um bocado cruel, sobretudo para as crianças que vêem o programa, pois passamos uma imagem errada a uma geração tão nova. Mas, de alguma forma, todos nós escondemos a competição de um modo natural, e isso é muito bom para passar aos mais novos”, conta.
“Muito positiva” é como Roberta Medina classifica “a atitude dos miúdos que ficaram para a final”. A jurada diz: “Gosto de ver como eles são jovens bons e simples, que se têm apoiado sempre, sem nunca tentarem derrubar os outros. Há uma interacção ‘bacana’ na atitude deles. E dá um retrato social extremamente positivo do País. É algo raro e muito bom.” Roberta Medina conclui que, por vir de fora, nota “algum pessimismo nos mais velhos em Portugal. Mas os jovens portugueses, com a globalização, têm este olhar grande e ampliam as suas fronteiras.”
Pelo menos 100 mil euros é quanto podem render, até à última gala de selecção de ‘Ídolos’, no domingo, os telefonemas dos telespectadores para os números de valor acrescentado que permitem dar votos aos concorrentes do programa de talentos. No site da SIC, a página de ‘Ídolos’ tem um aliciante para os indecisos em gastar 72 cêntimos (60 cêntimos mais 20% de IVA) numa chamada. “Vota no teu ídolo preferido e ganha um Opel Corsa. Quanto mais vezes ligares mais hipóteses tens de ganhar”, é sugerido. A SIC não quis facultar os números precisos e Nuno Santos, director de Programas da estação de Carnaxide, justifica à Correio TV: “Nunca divulgámos esses dados mas os concorrentes sabem que eles estão à disposição – nunca nenhum quis fazer nenhuma verificação. Poderemos vir a fazê-lo neste domingo. Posso apenas dizer que em mais de 20 anos de actividade nunca dirigi um programa cuja expressão popular fosse tão avassaladora”. E conclui que ‘Ídolos’ “também é uma grande lição daquilo a que se chama, normalmente, a democracia televisiva”. O director do canal atribui também o sucesso do formato à escolha dos seus jurados: “Sou suspeito, claro, mas considero que foi um factor essencial para o êxito do programa. É um quarteto muito equilibrado em termos de conhecimento, percurso, personalidade e até ‘acting’ televisivo.” Nuno Santos salienta ainda: “Tínhamos um bom formato mas também uma equipa de produção muito competente, um óptimo júri, uma excelente dupla de apresentadores [Cláudia Vieira e João Manzarra], e, mais importante, candidatos com grande talento.”
Até terça-feira, o ‘Ídolos’ teve, no Sapo Vídeos, quase 12 milhões de visualizações. O vídeo mais visto foi a queda de Pedro Abrunhosa no palco (mais de 57 mil visualizações). Seguiram-se dois de Filipe: a cantar Nirvana (ver caixa) e o seu dueto com Pedro Abrunhosa.
QUEM SÃO OS JURADOS
BOUCHERIE
LAURENT
ROBERTA
MOURA
DIANA PIEDADE: SEMPRE ESCREVI PARA MIM
“Sempre escrevi para mim mas nem sempre tive oportunidade de utilizar numa música as letras que faço, porque não toco guitarra... ainda (risos). Tenho que ir para a escola em Londres, para ver se aprendo”, diz Diana Piedade, de 24 anos. “Mas já escrevo há algum tempo. Espero que nesta tournée haja oportunidade de cantar um tema nosso. Se fosse só um já era muito bom. Acho que seria importante levar para a digressão não só o que cantámos no programa mas também um tema nosso, porque, ao fim e ao cabo, o que queremos é ser artistas e músicos”, acrescenta.
FILIPE PINTO: FAZ LETRAS EM PORTUGUÊS
“Antes do programa já tinha coisas minhas, em português. Sempre considerei importante a música portuguesa independentemente de haver bandas nacionais que cantam em inglês, facto de que não discordo”, refere Filipe Pinto, de 21 anos. “Mas eu gosto da minha língua. Acho que o inglês tem um lado mais expressivo, que é apaixonante e que cativa mais do que o português, mas se dermos a volta ao português alterando algumas palavras consegue-se. A minha inspiração é o quotidiano. Vivo das emoções e dos momentos. Compus mais na adolescência, naquela fase mais enérgica e atribulada, mais de revolta, de onde vem tudo”, revela o estudante de Engenharia Florestal.
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