Kléber quer horário nobre

A Correio TV apanhou João Kléber no Brasil a preparar novo ‘talk-show’ para a TVI. Piadas e ‘cromos’ entram na grelha.

10 de junho de 2005 às 00:00
Kléber quer horário nobre
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Os portugueses poderão ver em breve o apresentador brasileiro João Kléber ao comando de um ‘talk-show’ na TVI, onde, entre outras coisas, ele retomará a sua veia de humorista. O apresentador chega amanhã a Lisboa e na bagagem traz já o novo projecto, em adiantado estado de concretização, confirmou o próprio Kléber à Correio TV, em entrevista exclusiva. Foi em São Paulo, onde estava acompanhado de José Eduardo Moniz, director geral da TVI – com quem definiu os parâmetros de uma nova produção para a estação de Queluz – e de Cátia Cristina – a portuguesa que está a fazer furor na Rede TV – que Kléber falou dos novos projectos. “Assim que chegar a Lisboa, gravo o ‘Episódio Piloto’, mas o seu conteúdo não será exibido. É apenas para análise e discussão interna, para configuração do formato definitivo”, afirmou o apresentador, conhecido do público da TVI pelo formato ‘Fiel ou Infiel’. Entusiasmado com o novo programa, acrescenta: “Esse ‘talk-show’ não vai ter nada a ver com o ‘Fiel ou Infiel’, será um formato totalmente distinto, a exibir também num dia diferente, mas a sua configuração final ainda está a ser elaborada.”

Já certo é que o novo programa do apresentador brasileiro será exibido em horário nobre e, para além de brincadeiras e entrevistas, terá um quadro fixo de humor. A aposta vai cair na velha fórmula quanto mais brejeiro melhor, que faz furor na televisão portuguesa. No ‘talk-show’, João Kléber, que iniciou a sua carreira na televisão e conquistou fama no Brasil como humorista, será a figura central. Fontes próximas da produção revelaram que se trata de uma espécie de ‘Late Night With David Letterman’, em que o apresentador terá liberdade para escalar os actores que o coadjuvarão e que serão, na sua esmagadora maioria ou na totalidade, portugueses. Nesse quadro de humor, que fará o apresentador reencontrar as suas raízes, Kléber ‘ressuscitará’ vários dos personagens que durante anos fizeram sucesso em quadros semelhantes no Brasil e que tinham desaparecido quando passou a actuar exclusivamente como apresentador de televisão. Entre essas personagens que agora serão resgatadas, sabe-se que estará Charlotte Pink, uma hilariante ‘drag queen’, que foi um dos maiores sucessos da carreira do humorista. Na Rede TV, a missão de João Kléber enquanto Charlotte Pink passava pela realização de várias reportagens relativas ao sexo. Salões de massagem, casas de striptease e clubes de troca de casais eram os alvos preferenciais desta personagem ousada. Até ao dia em que João Kléber exagerou na sua interpretação e a direcção da Rede TV decretou o enterro de Charlotte Pink.

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“Está praticamente tudo acertado com a TVI. O ‘talk-show’ não é apenas um projecto, nem há muitas dúvidas quanto ao formato. O que falta agora é fazer isso tudo caber na minha agenda, pois passo 15 dias em Portugal e outros tantos no Brasil. Com o ‘talk-show’, o tempo ficará ainda mais curto e eu, além de tudo isso, também preciso ao menos de uns dias de descanso de vez em quando”, referiu João Kléber à Correio TV. A verdade é que com o final da ‘Quinta das Celebridades’, o novo programa que a TVI prepara pode substituir o ‘reality show’ ainda na grelha de Verão. Sabe-se que José Eduardo Moniz tem na manga dois trunfos oriundos do Brasil. A juntar a João Kléber, o director geral da TVI recebe também, na próxima semana, a visita do actor brasileiro Alexandre Frota. Recorde-se que Frota, o segundo classificado da primeira edição da ‘Quinta das Celebridades’, sempre mostrou interesse em ter um programa na estação de Queluz e chegou mesmo a falar desses projectos publicamente. De quem também se diz estar na lista da TVI é Marcia Goldschmidt, apresentadora da estação SBT e que, juntamente com Kléber, é conhecida no Brasil como rainha da ‘Trash TV’. Goldschmidt destacou-se com o programa ‘Hora da Verdade’ (na TV Band), onde explorava a miséria humana. Desde o drama de crianças doentes ao de uma mulher que foi obrigada pelo marido a prostituir-se, houve de tudo no programa desta apresentadora de 42 anos.

A viver o melhor momento da sua carreira e cheio de novas ideias e projectos na área profissional, João Kléber atravessa igualmente um período de grandes mudanças na vida pessoal. Entre os seus intentos prioritários, em importância e imediatismo, figuram a mudança definitiva para Portugal e a solicitação para que lhe seja concedida a cidadania portuguesa. Filho de portugueses – o pai é natural de Lamego e a mãe de Freixo de Espada à Cinta – Kléber revelou à Correio TV a sua intenção: “Eu já tenho passaporte português, só viajo com ele, e vou pedir à embaixada a minha cidadania portuguesa. “Nunca imaginei ir um dia à terra onde os meus pais nasceram, mas hoje eu sinto-me maravilhosamente bem em Portugal”, refere. Afirma-se fascinado de tal forma com o País dos seus progenitores que confirma estar a ultimar a compra de uma casa na zona de Cascais. De acordo com pessoas próximas do apresentador, Kléber pensa seriamente em realizar uma mudança radical na sua vida e inverter a actual situação. Se o propósito se concretizar, ele, que sempre viveu no Brasil, passará a morar em Portugal e apenas se deslocará ao Brasil para gravar o seu programa na Rede TV, de São Paulo. As razões para esta mudança não se prendem apenas com valores de ordem sentimental. Entre os seus projectos profissionais a curto prazo figura em lugar de destaque a exibição de ‘Fiel ou Infiel’ em vários países europeus, além de Portugal. A realização desta iniciativa encontra-se já em negociações com a TVI. O país que se encontra em primeiro lugar da lista é a Itália, onde a edição brasileira do seu programa já é exibida na TV por Cabo, mas em breve Kléber espera dar aos italianos a possibilidade de o verem em canal aberto.

Quer se goste quer não, o nome de João Kléber é sinónimo de audiências e de polémica. No Brasil, o quadro ‘Teste de Fidelidade’, (que no país surge integrado no programa ‘Eu Vi na TV’) é alvo de várias discussões, apesar de estar no ar há cerca de cinco anos. Muitos telespectadores questionam a veracidade dos casos retratados e existem até sites cuja frase de ordem é “eu odeio João Kléber”. Com essa onda de manifestações, Kléber conseguiu mesmo destronar Ratinho do posto de apresentador mais polémico do Brasil. Mas a verdade é que muitas vezes até o genial Jô Soares perde em audiência para João Kléber, no dia em que ambos vão para o ar no horário ‘late night’ (entre as 23h30 e a 01h30). Segundo dados publicados no jornal brasileiro ‘Folha de São Paulo’, no passado dia 6, Jô Soares (o apresentador mais poderoso da Rede Globo) ficou atrás do apresentador da SBT, que registou 14 pontos no Ibope contra apenas 10 conquistados pelo ‘show’ da Globo.

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FILHO DE PORTUGUESES: DO DRAMA PARA A COMÉDIA

Nascido há 48 anos num bairro pobre da zona norte de São Paulo, João Kléber cresceu no seio de uma família de poucos recursos. Filho de portugueses, cedo percebeu que se queria ir longe teria que ir à luta.

Apaixonado pela comunicação, tanto lutou que aos 17 anos já trabalhava numa rádio paulista. Foi o primeiro degrau para a fama, que o levou anos depois para a poderosa Rede Globo, como redactor de humor e, depois, o lançou para o sucesso em todo o Brasil como humorista.

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Na Rede TV, para onde foi a convite de Amílcar Dallevo Júnior, iniciou a sua fase de apresentador de sucesso entre as massas. Mas o que muitos não sabem é que a par desta faceta comediante, João Kléber também fez de actor dramático e participou em peças clássicas como ‘Hamlet’, dirigido por Maurício Sherman.

JOÃO KLÉBER E CÁTIA CRISTINA JUNTOS NA TV: A NOVA SEDUTORA

A nova musa dos telespectadores brasileiros é uma portuguesa. Cátia Cristina, uma descoberta pessoal do apresentador brasileiro João Kléber. A rapariga trabalhava com os pais num restaurante da rua da Junqueira, em Lisboa, mas fez um grande sucesso na capital paulista, onde gravou três episódios para a edição brasileira de ‘Fiel ou Infiel’. À Correio TV, Cátia falou dessa experiência, que considera ter sido “a mesma coisa que em Portugal”.

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Nos episódios gravados no Brasil, Cátia interpreta uma rica empresária portuguesa que recruta profissionais para trabalharem no nosso país e tenta seduzi-los. “Foi tudo muito profissional, ninguém me obrigou a fazer nada que eu não quisesse”, afirma. Cátia garante que nas cenas de sedução só ia até certo ponto; “Beijo na boca, isso eu não dei...”

DIRECTOR-GERAL DA TVI: MONIZ NO BRASIL

José Eduardo Moniz acompanhou pessoalmente este projecto de João Kléber. O homem-forte da TVI viajou de Los Angeles para São Paulo, entre os dias 1 e 3 deste mês, e encontrou-se com o apresentador brasileiro para ultimar o novo ‘talk-show’, confirmou a Correio TV. Na ocasião, Moniz participou também no 6.º Fórum de Televisão.

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OS NÚMEROS DE KLÉBER NA TELEVISÃO: 'FIEL OU INFIEL'

56% DE ‘SHARE’ NO DIA DE ESTREIA

A estreia na TVI, ainda na versão brasileira, a 1 de Abril, valeu ao programa de Kléber o melhor ‘share’ do dia.

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48% DE ‘SHARE’ MÉDIO DO PROGRAMA

A versão portuguesa agrada, e apesar de ser exibida perto da meia-noite, ‘Fiel ou Infiel’ mantém um ‘share’ elevado.

HERMAN JOSÉ: HUMORISTA ESTÁ ATENTO À CONCORRÊNCIA

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Estreou em Portugal o formato que funde humor e entrevistas, tal como faz Jay Leno nos Estados Unidos. Hoje, ‘Herman SIC’ é o único do género existente na nossa televisão.

- Há espaço para mais programas nesse formato?

- Não há em Portugal assunto nem público para programas destes. Todas as semanas tenho de fazer o pino, deitar os foguetes e ir buscar as canas, para que o formato não sucumba à contra-programação ‘trash-TV’ tipo ‘Quinta das Celebridades/Marcia Goldschmidt (minha futura concorrente aos domingos, e – juntamente com Kléber – uma das rainhas do ‘trash-TV’ no Brasil). Pessoalmente, acho o formato ‘talk-show’ essencial como ‘sala de visitas’ dum canal generalista que se preze.

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- Concorda que o humor em Portugal é excessivamente brejeiro?

- Não. É brejeiro quanto baste. Falta-lhe é coragem política e conteúdo.

- Como analisa o humor actual?

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- O drama é que ele vive subjugado a duas grandes contra-correntes. A pressão das audiências e o medo do risco.

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