Marcelo vs Vitorino

Marcelo Rebelo de Sousa parece ter bichos carpinteiros e farta-se de fazer caretas. Já António Vitorino enfia-se na cadeira e aparenta contar os segundos para que o deixem ir embora. Estas são apenas algumas das críticas que gestores de imagem apontam aos dois comentadores da RTP 1. O CM ouviu duas especialistas na matéria que destacaram os pontos fortes e fracos dos políticos.

27 de junho de 2005 às 00:00
Marcelo vs Vitorino Foto: d.r.
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“O professor Marcelo tem muita energia: mexe-se bastante na cadeira, as mãos não param e às vezes fixa o tecto”, diz Glória de Matos, actriz e que já ensinou técnicas de expressão a Cavaco Silva e outras individualidades.

Essa energia e a “pressa em falar”, segundo a especialista, “inquietam o telespectador, porque pode ser visto como impaciência”. Também Maria Duarte Bello, da MDB Coaching e Gestão de Imagem, aponta a “má articulação das palavras” como um ponto fraco do comentador. A “mania de tossicar” do protagonista de ‘As Escolhas de Marcelo” é, pois, um tique a evitar.

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Já a postura de Vitorino em ‘Notas Soltas’ é, para Glória de Matos, errada. “António Vitorino enfia-se na cadeira e ele próprio parece ter pouco interesse no que diz. Precisa de dar mais força às palavras e sentar-se direito”, analisa.

O deputado do PS tem também um tique que passa despercebido ao telespectador menos atento. “Quando explica um tema sério, Vitorino ameniza o caso com humor muitas vezes rindo-se”, aponta. Ter cara de boa pessoa parece ser o seu maior trunfo, segundo Maria Duarte Bello.

Para muitos, os dois comentadores, para lá de estarem em partidos rivais, competem em desigualdade no canal público. Marcelo domina, há muito, os ecrãs, cativando miúdos e graúdos, ao passo que Vitorino ainda tem muito que palmilhar.

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“Creio que a única vantagem do professor é ser facilmente reconhecido. A sua notoriedade é maior porque está há mais tempo na TV. O Vitorino não será reconhecido em algumas camadas porque esteve ausente do País”, considera a responsável da MDB. A mesma realça que Rebelo de Sousa está a aproximar-se do “seu registo natural”, desde a saída de Queluz. “Enquanto que, na TVI, era ele quem punha e dispunha. Tem tendência para comandar a situação e a apresentadora [Ana Sousa Dias] deixa-o brilhar”, diz.

As especialistas sublinham que estamos perante registos díspares. “Se o Vitorino tivesse que dizer o discurso de Marcelo não conseguiria. E vice-versa”, refere Glória de Matos.

'AS ESCOLHAS' COM MAIS ESPECTADORES

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No ‘braço-de-ferro’ das audiências, é Marcelo Rebelo de Sousa quem leva a melhor.

O programa do professor ‘As Escolhas de Marcelo’ tem tido mais espectadores desde a sua estreia. No dia 27 de Fevereiro, mais de 1,6 pessoas seguiram o espaço de comentário da RTP 1 do professor. Este foi o programa que mais público cativou, conseguindo uma audiência média de 17,1% e um ‘share’ de 38,4%.

Já o primeiro ‘Notas Soltas’, de António Vitorino, a 3 de Junho, teve apenas 718 mil espectadores sintonizados. E tem sido praticamente assim. O melhor resultado do dirigente nacional do PS foi alcançado no passado dia 20, quando registou uma audiência média de 8,8% (com 832 mil espectadores) e um ‘share’ de 23,2%.

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Quanto aos piores momentos dos dois comentadores do canal do Estado, Marcelo Rebelo saiu a perder. A 22 de Maio teve apenas 463 espectadores (o que significa que obteve uma audiência média de 4,9%), enquanto António Vitorino cativou, a 13 de Junho, dia de Santo António, a atenção de 690 mil pessoas (7,3% de audiência média).

REDUTOR E TÉCNICO

"São dois excelentes comentadores. O Marcelo é o comentador de Portugal. É imbatível, domina a televisão e os seus comentários abrangem todos os temas. O Vitorino é mais redutor porque apenas incide sobre política e a Europa. É mais técnico." Júlio Magalhães (Jornalista da TVI)

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POLÍTICO COM GRAÇA

“Sobre o programa de António Vitorino ainda não tenho uma opinião clara porque é muito recente. Parece-me uma entrevista clássica. Já o Marcelo é… o Marcelo.

É um comentador político com imensa graça e ele diverte-se com esse papel.” Ricardo Costa (Director SIC Notícias)

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MARCELO REBELO DE SOUSA

O melhor: Tem uma boa expressão facial o que, para Maria Duarte Bello, quer dizer que existe coerência no olhar, na postura corporal e gestos. Tem um enorme à-vontade e é espontâneo. Não rodeia as questões e vai directo ao cerne dos problemas. A actriz Glória de Matos frisa que o professor é um grande comunicador, seguro de si e, se controlar a respiração, pode ir mais longe.

O pior: Glória de Matos e Maria Duarte Bello são unânimes ao afirmar que Marcelo tem uma má articulação das palavras. Fala depressa de mais, não controla a respiração e come as sílabas. Tem vindo a melhorar mas ainda precisa de trabalhar a dicção. Tem alguns tiques como o tossicar e, por vezes, fixa o tecto em vez de olhar directamente para a câmara. Para Glória de Matos, o professor necessita de serenar.

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ANTÓNIO VITORINO

O melhor: Ao contrário de Marcelo Rebelo de Sousa, António Vitorino articula muito bem as palavras, isto aliado ao facto de ter um bom tom de voz, são para Maria Duarte Bello os seus pontos mais fortes. Glória de Matos afirma que Vitorino é um grande comunicador que fala como se estivesse a tocar um instrumento e, por vezes, explica os temas mais complicados com recurso a fábulas e fantasias.

O pior: A falta de espontaneidade é um dos seus piores ‘defeitos’, segundo Maria Duarte Bello. É também bastante contido e mesmo quando apanhado de surpresa é conservador nas suas opiniões. Dar força e convicção ao que diz são os conselhos de Glória de Matos, para quem o dirigente nacional do PS tem uma postura demasiado relaxada. Enfia-se na cadeira e parece ter pouco interesse no que diz.

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