Morreu o jornalista que não temia as palavras

Marinho Neves, autor do romance ‘Golpe de Estádio’, perdeu a batalha contra doença prolongada.

19 de dezembro de 2017 às 08:34
Marinho Neves fotografado na sessão de lançamento da reedição do livro ‘Golpe de Estádio’ Foto: Fernando Ferreira
Bola de Futebol, futebol. desporto Foto: Getty Images
Bola de Futebol Foto: Getty Images

1/3

Partilhar

Morreu neste fim de semana, vítima de doença prolongada, o jornalista desportivo Marinho Neves, autor do romance explosivo ‘Golpe de Estádio’. O livro, lançado em 1996, foi um best-seller imediato – o primeiro do género em Portugal – e é fundamental para quem quiser entender a corrupção no mundo do futebol.

Ao longo de 164 páginas, revela como realmente se joga à bola nos bastidores do desporto-rei e valeu ao seu autor alguns dissabores. Sobretudo vindos do norte.

Pub

"Fui muito perseguido, ameaçado, e continuo a ser", disse Marinho Neves numa entrevista de 2012. Após a publicação da obra, Marinho Neves trabalhou no programa ‘Donos da Bola’, da SIC, e colaborou com vários jornais, embora tenha afirmado, na altura, que o seu nome estava a ser vetado para alguns órgãos de comunicação social.

"Não conseguiram porque Portugal não se resume à cidade do Porto e Lisboa nunca me fechou as portas", referiu, na mesma entrevista. "Cheguei a estar contratado para o jornal ‘A Bola’ e no dia em que devia entrar inverteram a situação. Foi caso único na capital", afirmou.

Embora não sendo sportinguista, Marinho Neves colaborou com o clube de Alvalade durante seis anos, a partir de 2000 (na presidência de Dias da Cunha), e chegou a anunciar a publicação de um ‘Golpe de Estádio 2’, cujo conteúdo nunca revelou – embora a certa altura tenha manifestado interesse em abordar o caso ‘Apito Dourado’.

Pub

O livro nunca viu a luz do dia.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar