Morreu o jornalista que não temia as palavras
Marinho Neves, autor do romance ‘Golpe de Estádio’, perdeu a batalha contra doença prolongada.
Morreu neste fim de semana, vítima de doença prolongada, o jornalista desportivo Marinho Neves, autor do romance explosivo ‘Golpe de Estádio’. O livro, lançado em 1996, foi um best-seller imediato – o primeiro do género em Portugal – e é fundamental para quem quiser entender a corrupção no mundo do futebol.
Ao longo de 164 páginas, revela como realmente se joga à bola nos bastidores do desporto-rei e valeu ao seu autor alguns dissabores. Sobretudo vindos do norte.
"Fui muito perseguido, ameaçado, e continuo a ser", disse Marinho Neves numa entrevista de 2012. Após a publicação da obra, Marinho Neves trabalhou no programa ‘Donos da Bola’, da SIC, e colaborou com vários jornais, embora tenha afirmado, na altura, que o seu nome estava a ser vetado para alguns órgãos de comunicação social.
"Não conseguiram porque Portugal não se resume à cidade do Porto e Lisboa nunca me fechou as portas", referiu, na mesma entrevista. "Cheguei a estar contratado para o jornal ‘A Bola’ e no dia em que devia entrar inverteram a situação. Foi caso único na capital", afirmou.
Embora não sendo sportinguista, Marinho Neves colaborou com o clube de Alvalade durante seis anos, a partir de 2000 (na presidência de Dias da Cunha), e chegou a anunciar a publicação de um ‘Golpe de Estádio 2’, cujo conteúdo nunca revelou – embora a certa altura tenha manifestado interesse em abordar o caso ‘Apito Dourado’.
O livro nunca viu a luz do dia.
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