Morte de Filipe Ferrer deixa artes mais pobres
Filipe Ferrer morreu ontem, aos 75 anos, em Lisboa, vítima de ‘doença prolongada’. O corpo do actor e dramaturgo português vai ser sepultado em Faro, a sua terra natal, amanhã à tarde.
O artista encontrava-se hospitalizado há cerca de um mês e, apesar da doença, estava a organizar, em parceria com a edilidade farense, várias iniciativas para comemorar o aniversário do poeta algarvio António Ramos Rosa, nascido em Outubro de 1924.
O dramaturgo e historiador de teatro Luiz Francisco Rebello definiu Ferrer como “um profissional competente”, acrescentando que era “um belo actor, com uma magnífica máscara”. Rebello recordou ainda a “notabilíssima interpretação” do actor na peça ‘Vidas privadas’, levada à cena no Teatro Maria Matos, em Lisboa.
Também Alina Vaz, que fez de mulher do actor na novela ‘Amanhecer’ (2002), da TVI, salientou o seu “profissionalismo”. “Fazíamos um casal da alta-burguesia e o Filipe era um bom colega, profissional, dava sempre bem as deixas”, lembrou a actriz.
O poeta António Manuel Couto Viana falou da passagem de Filipe Ferrer pelo Teatro Experimental da Universidade de Coimbra. “Eu conheci-o através de umas tertúlias. Como precisava de um galã para ‘O Mercador de Veneza’, e ele tinha boa figura, contratei-o para a Companhia Nacional de Teatro, que dirigia naquela época. Fez o par amoroso com a Fernanda Montemor”, disse.
Segundo Couto Viana, Ferrer “tinha muita qualidade a fazer figuras vicentinas, nomeadamente um Diabo, sob a direcção do Paulo Quintela”.
Mais tarde o actor integrou as companhias Teatro do Nosso Tempo, Casa da Comédia e Teatro Estúdio de Lisboa (TEL) e foi director de vários grupos amadores de teatro.
Luzia Maria Martins, do TEL, convidou-o para o papel de narrador na peça ‘Thomas Moore’, com Joaquim Rosa, Helena Félix e Baptista Fernandes, entre outros. E fez parte do elenco de várias novelas e séries.
Ferrer realizou filmes publicitários e reportagens para a RTP, fez pelo menos 14 peças de teatro para palco e para televisão. Em 2005, protagonizou “As pestanas de Greta Garbo”, peça de sua autoria, que se estreou na Casa da Comédia e com a qual fez uma digressão nacional.
O corpo do actor vai estar hoje em câmara-ardente na Basílica da Estrela, em Lisboa, a partir das 14h00. A missa de corpo presente será rezada às 19h30. Filipe Ferrer será sepultado amanhã, pelas 14h00, no jazigo da família no Cemitério da Esperança (cemitério antigo), em Faro.
Filipe Ferrer nasceu em Faro a 25 de Agosto de 1936 e iniciou a sua carreira artística aos 13 anos no Colégio de Santo Tirso, onde estudou teatro. Viajou para Londres – trabalhou na BBC ao mesmo tempo que frequentava um curso de teatro – e passou também por França e pelo Brasil. Regressou a Portugal anos 80 e participou em mais de 60 filmes, 15 telenovelas e séries. O seu último trabalho em televisão foi em ‘Conta-me como Foi’, em exibição na RTP1.
“CONTAVA ANEDOTAS FABULOSAS” Tozé Martinho, Actor/escritor
“A morte do Filipe é uma tristeza profunda, porque sempre fui amigo dele. Vivi noites inolvidáveis com ele. Era um entusiasta. Levou uma vida cheia. Contava anedotas fabulosas, tinha um repertório notável, o que fazia de um serão com ele um acontecimento. Era um actor de mérito, de grande capacidade criativa.”
"ERA UMA PESSOA MUITO CULTA" Lídia Franco, actriz
“Fui apanhada de surpresa com a sua morte. Era muito amiga dele, e nas últimas semanas nem sequer falei com ele. Era uma pessoa muito culta, muito inteligente e com grande sentido de humor. Ia de propósito a minha casa para conversar com o meu pai. Conheço-o desde sempre.”
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