Música aquece noites de Verão

Rita Pereira arranca no domingo, na TVI, com ‘Canta Comigo’. À mesma hora, na SIC, João Manzarra conduz ‘Chamar a Música’. Em Setembro, Catarina Furtado junta-se a eles com ‘A Voz de Portugal’, na RTP 1

05 de agosto de 2011 às 00:00
Música aquece noites de Verão
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Em tempo de crise, as estações de televisão investem na música para espantar as tristezas e apresentam novos formatos para animar as noites de fim-de-semana. Na TVI, Rita Pereira propõe-se levar os portugueses em cantigas com ‘Canta Comigo’, que estreia já neste domingo, e compete com João Manzarra, que testa os dotes musicais de figuras conhecidas do universo SIC em ‘Chamar a Música’. A RTP 1 também vai apostar na música mas só em Setembro, mês em que Catarina Furtado regressa ao ecrã com ‘A Voz de Portugal’.

"A Rita será a dinamizadora de ‘Canta Comigo’, um programa que pretende trazer até si as pessoas de cada cidade onde vai estar para demonstrarem o seu talento a cantar", explica o director-geral de Informação e Conteúdos da TVI. José Fragoso acredita que o formato "tem todas as condições para se tornar numa grande noite de entretenimento para milhões de espectadores" da estação. O responsável espera seduzir o público em casa e fora dela, já que os primeiros cinco programas são transmitidos, em directo, a partir de vários locais do País. O primeiro arranca nesta semana em Albufeira, e as expectativas são altas: "Está muita gente de férias e já contamos com largos milhares de pessoas a participar no programa ao vivo." Seguem-se: Figueira da Foz, Braga, Elvas e Castelo Branco. Cada programa conta com seis concorrentes, que já foram seleccionados nos castings gravados nas mesmas cidades. Todos os domingos, o júri, composto por Luís Jardim, Fátima Lopes e um artista convidado (ver página ao lado), selecciona um finalista, enquanto o público escolhe um segundo concorrente. Na última gala, também em directo, defrontam-se os dez finalistas.

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Apesar do voto de confiança de José Fragoso e de já conhecer os bastidores de um programa de talentos, depois de ter integrado o júri de ‘Uma Canção Para Ti’, a apresentação é uma estreia para Rita Pereira, de 29 anos, que admite sentir o peso da responsabilidade. "É uma mistura de nervosismo com ansiedade, mas é normal porque só apresentei a ‘Morangomania’, e alguns espectáculos pontuais", conta à Correio TV. A apresentação era "algo que queria muito que acontecesse", revela a actriz de ‘Remédio Santo’, que aceitou o convite "muito feliz e com muito orgulho" e confiante de que "tudo vai cor-rer bem". Porém, e apesar das expectativas positivas da apresentadora, ‘Canta Comigo’ já sofreu uma baixa ainda antes da estreia. Pedro Granger deveria fazer dupla com Rita Pereira mas o actor abandonou recentemente a estação de Queluz para abraçar outros projectos. "Ainda baralhámos algumas possibilidades para fazer dupla com a Rita, mas considerámos que ela se vai defender muito bem, tem o Nuno Eiró para fazer reportagens durante o programa e está muito bem acompanhada pela Fátima Lopes e pelo Luís Jardim no júri", explica o director de Conteúdos e Formatos da TVI, Bruno Santos, que entende que a actriz "está perfeita e tem brilho suficiente para comandar o programa sem estar ladeada por mais ninguém". Rita Pereira também desvaloriza o facto de conduzir sozinha o formato: "Tenho uma equipa excelente e onze milhões de pessoas a olharem para mim", sublinha.

Inspirado no ‘Cantigas da Rua’, exibido na SIC em 1999 e apresentado pelo cantor Miguel Ângelo, ‘Canta Comigo’ é, na opinião de Bruno Santos, um formato "original". "É distintivo da oferta da concorrência porque é um formato de Verão, muito adaptado à época, em directo, com concorrentes comuns e anónimos, feito em praças públicas, com público no local e em casa, com votação", explica o responsável. Entre os artistas convidados para o programa contam-se nomes bem conhecidos do público como André Sardet, Rita Guerra, Simone de Oliveira, Toy e Emanuel. Todas as semanas, um cantor diferente integra o júri numa das galas, avaliando os concorrentes desse espectáculo e apadrinhando os finalistas de cada uma das cidades na gala final. Os nomes não foram escolhidos ao acaso e reflectem outra das marcas que a TVI pretende imprimir a ‘Canta Comigo’. "É um programa 100 por cento nacional. Todas as músicas vão ser cantadas em português", adianta Bruno Santos. O director de Conteúdos e Formatos da estação frisa ainda que o programa "é para pessoas dos sete aos 80 anos, não há limite de idade, tem crianças, jovens e adultos". Quanto ao prémio a atribuir ao vencedor, ainda é uma incógnita. "Queremos que seja uma surpresa, original e diferente. Não é pecuniário nem a gravação de um CD", garante. O responsável, que não esclarece quantos concorrentes participam em ‘Canta Comigo’, diz-se "muito satisfeito com o número razoável de inscrições". "Temos concorrentes de muito bom nível", afiança.

Com um leque tão abrangente de concorrentes, é natural que nem só de talentos escondidos se faça ‘Canta Comigo’, que, à semelhança de outros programas do género, promete descobrir algumas vozes menos afinadas. "Curiosamente, não nos apareceram muitos cromos", diz Nuno Eiró, que acompanhou os ‘castings’ do programa da TVI nas cinco cidades portuguesas. "Apareceram pessoas que cantam mal, que acham que cantam bem, mas isso é o sonho e a expectativa de cada um, que acabam por ir ao seu próprio engano", avança o apresentador, que nas galas está responsável por fazer a ligação com o público. Nuno Eiró admite que "em alguns concorrentes via-se à distância que se calhar não vinha dali grande coisa ao Mundo", mas deixa para os jurados a tarefa de avaliar os candidatos. E o presidente do júri, Luís Jardim, não promete facilidades. "Vou ser rígido e exigente musicalmente. Se deixar passar os maus, os bons ficam para trás", avisa o produtor, que terá a companhia de Fátima Lopes no grupo fixo. "O meu papel, para além de avaliar a questão musical, é também a presença em palco, e isso é algo com que nós, profissionais da Comunicação, nos vamos familiarizando com o passar do tempo e vamos sabendo avaliar. O resto é um pouco intuitivo", explica a apresentadora, que promete cuidado com as críticas.

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Em cada programa vão ser exibidos os piores e melhores momentos de cada ‘casting’ e, ainda assim, não faltam as situações caricatas ao longo de cinco episódios. "Em Braga, onde tivemos uma enchente de participantes, conhecemos um ‘artista’, o Infini, que nos veio apresentar uma canção da sua autoria, chamada ‘Iogurte’, e que não passa de: "Queres iogurte? De morango, de morango, de morango. Queres iogurte? De melocotón, melocotón, melocotón..." Foi extraordinário, tem muito talento de composição. Ficou-me no coração. Não o vamos ter na gala mas as pessoas vão conhecê-lo com toda a certeza!", assegura Nuno Eiró. Apesar de a TVI prometer surpresas ao longo das seis galas, Fátima Lopes rejeita subir ao palco. "Cantar? Não. Só me meto em terrenos onde me sei mover. Para quê afastar os espectadores? Não vale a pena", brinca a apresentadora. Mas Rita Pereira, que já mostrou os seus dotes vocais no musical ‘Os Produtores’, não põe a ideia totalmente de parte: "Os concorrentes vão fazer melhor figura do que eu alguma vez farei a cantar. Mas na TVI há sempre surpresas..."

Na SIC, e depois de acompanhar Cláudia Vieira em ‘Ídolos’, João Manzarra, de 26 anos, já deu igualmente provas de que consegue segurar sozinho as rédeas de um programa de talentos. A sua estreia a solo deu-se com ‘Achas que Sabes Dançar?’, em 2010. O jovem está confortável como anfitrião em ‘Chamar a Música’, que conta com a participação dos principais rostos da estação de Carnaxide. Por outro lado, tem a responsabilidade de dar um cunho pessoal a um programa que já teve Herman José como apresentador e, sobretudo, manter as audiências alcançadas por ‘Peso Pesado’, enfrentando uma concorrência que promete dar luta.

"‘Chamar a Música’ é um formato leve, de Verão, que exige energia e boa-disposição", diz João Manzarra à Correio TV, mostrando-se surpreendido com a boa-disposição e conhecimentos na área da música de alguns dos rostos da estação de Carnaxide.

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