‘NÃO QUEREMOS FICAR FECHADOS A ARGUMENTOS PARA TELEVISÃO’

Bruno Ferreira, Nuno V. Faustino e Nuno Dionísio formam a Criâneo, uma empresa dedicada à escrita de guiões. Na forja, têm um concurso completamente diferente do que se vê em Portugal. Mas há mais projectos... e ambiciosos. Enquanto isso, escrevem para o ‘Disney Kids’, que passa na SIC:

18 de abril de 2003 às 00:05
‘NÃO QUEREMOS FICAR FECHADOS A ARGUMENTOS PARA TELEVISÃO’ Foto: Manuel Moreira
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Correio da Manhã - Há quanto tempo existe a Criâneo?

Nuno V. Faustino - O processo da Criâneo já dura há algum tempo. A empresa surgiu enquanto eu ainda trabalhava nos Açores e me dedicava a Publicidade e Design. Mas circunstâncias diversas fizeram-me vir para Lisboa e o que aconteceu foi que, nós os três, colegas de universidade e amigos há cerca de dez anos, sonhávamos em trabalharmos num projecto em comum. Com este nome, existe há cerca de três anos. Em conjunto, trabalhamos à volta de 5/6 meses.

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- E o que é realmente a Criâneo?

Bruno Ferreira - Não queremos ser catalogados de empresa de escrita de guiões. Temos outros projectos, alguns em fase final de desenvolvimento e outros ainda em fase embrionária. De alguma maneira, não queríamos ficar fechados a argumentos para televisão. Mas é de facto o que estamos a fazer actualmente.

- Nesta área, o que estão a desenvolver?

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B.F. - Estamos encarregues, desde Janeiro, dos guiões para o ‘Disney Kids’, que passa aos fins-de-semana de manhã. É uma produção da IDTV para a SIC.

- Mas, como já mencionaram, há mais projectos...

B.F. - Aquele que penso que tem mais peso neste momento e que nos está a ocupar mais tempo é um concurso que estamos a pensar para televisão, para o horário nobre. É de alguma maneira uma coisa nova e muito diferente do que tem sido feito a nível de concursos em Portugal. Pensamos que falta alguma criatividade, porque acabam por ser produtos que vêm de outros países e depois adaptados à nossa realidade. Este é pensado para cá, pensado para as massas. Estamos na fase final de desenvolvimento, temos contactos com algumas produtoras e vamos, dentro de um mês ter reuniões de apresentação para vender o projecto.

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- E esse concurso é indicado para os canais privados ou para o estatal?

B.F. - Hoje em dia, o horário nobre é extremamente disputado pelos três canais. Dentro desta lógica e, sendo um produto de massas, penso que qualquer um dos canais poderá interessar-se. Uma única característica que poderá ou não tender para a RTP é que, paralelamente à boa disposição e ao bem-estar que queremos que provoque, tem também uma forte componente de serviço público, na medida em que é um produto didáctico e pedagógico.

- A que público se destina?

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B.F.- Tivemos isso em conta e penso que o produto criará o mesmo grau de interesse para diversas faixas etárias e estratos sociais.

- Onde vão buscar a inspiração?

B.F. - Penso que um pouco pelo percurso de cada um de nós. A empresa funciona paralelamente às actividades profissionais de cada um. O Dionísio é publicitário e um apaixonado por fotografia, o Nuno é escritor com algumas colaborações na Imprensa e eu acabo por ser actor e guionista.

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- Referiram que os canais vão buscar os produtos estrangeiros. Acham que as televisões têm preconceito com o que é nacional?

B.F. - Se calhar é uma questão de modas e porque há pouca gente a pensar em criar para Portugal.

- Mas vocês parecem ser a excepção, já que têm mais projectos.

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N.V.F.- Relativamente aos outros projectos, são coisas que ainda estão em fase embrionária. Temos a ideia para um projecto para Imprensa escrita, um cartoon para jornais. Ideias não nos faltam, o que nos falta é a ilustração. As histórias já estão criadas, testadas, só falta quem nos coloque no papel. Há também um projecto para rádio.

B.F. - Convém dizer que estamos com as portas entreabertas a novos projectos. Ainda não fomos à procura de clientes porque felizmente eles foram aparecendo. Estamos obviamente disponíveis e com vontade de sermos contactados.

- Além de um projecto de rádio, há um filme institucional para a Câmara Municipal de Lisboa, estão a pensar no Cinema?

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B.F. - Em princípio é uma história que se irá passar na ilha de S. Miguel e debate um tema que ainda não foi explorado. Actualmente, o cinema é mais pop, mais comercial e é dentro dessa lógica que pensamos para o argumento deste filme.

BRUNO FERREIRA E O ‘CONTRA-INFORMAÇÃO’

Bruno Ferreira tem 28 anos e é talvez a figura mais mediática da Criâneo. Em parte, deve-o ao “Contra-Informação” (RTP1). Se o seu rosto não aparece, que tal dar atenção às vozes do Padre Vítor Melícias, dos irmãos Paulo e Miguel Portas, de Xanana Gusmão, de Miguel Sousa Tavares ou até de Carlos Fino? Pois é, estas são algumas das 20 vozes que pertencem a Bruno Ferreira, mas há mais.

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Na Mandala, produtora dos mais famosos bonecos portugueses, o criador está lá há cerca de cinco anos e é ainda director das vozes, o que lhe ocupa grande parte do tempo, pois tem que acompanhar todas as gravações de voz para que fiquem bem coordenados com os movimentos dos bonecos.

“Este é o meu projecto prioritário, pelo qual tenho um enorme carinho”, refere, acrescentando que “há muitas pessoas que querem dar voz”. “Telefonam, mandam currículos. Mas o nosso princípio é que os ‘castings’ são feitos, tendo em conta quem faz parte da equipa e só se não conseguir-mos encontrar uma voz adequada é que procuramos alguém de fora”, relata. “Neste momento, somos cerca de 13 pessoas para fazer perto de 200 vozes”.

Mas o rosto do Bruno prepara-se para ser revelado. É que o jovem vai surgir num canal interactivo , uma produção da Mandala que se irá chamar “Be Big” e que vai falar sobre astrologia. “A minha função, provavelmente a partir de Maio, será dizer as previsões dos astros. Espero que seja o início de uma actividade que gostava de manter a nível de televisão”, diz.

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