O espectáculo televisivo

O futebol é a cereja no bolo das audiências. Por isso todos os canais tentam garantir o maior número de jogos. Mas quando os responsáveis do serviço público querem mais futebol na RTP, pode perguntar-se: não é já o suficiente?

11 de abril de 2008 às 00:00
O espectáculo televisivo
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O futebol tornou-se um espectáculo televisivo. Vive da televisão e esta alimenta-se dele. Vejam-se as audiências que alguns jogos registam: é uma receita garantida. Uma goleada aos canais adversários. É por isso que garantir os direitos dos jogos se tornou central nas definições estratégicas dos canais de televisão, especialmente os privados. Mas o que resulta deste fascínio muito especial das televisões pelo ‘pontapé na bola’? Que pessoas responsáveis da televisão pública venham dizer que querem mais futebol na RTP. Não tendo os direitos da Liga, a RTP tem a programação inundada de futebol: transmissões de jogos internacionais, da selecção, resumos de treinos que polvilham, a despropósito, todos os telejornais e debates.

Talvez o serviço público se devesse preocupar em ter melhor futebol e não, apenas, mais futebol. A RTP, por exemplo, não tendo os direitos de jogos da Liga, tem diversos comentadores sobre o assunto. Uns, dentro da fórmula esgotada de tentar pôr um representante de cada um dos principais clubes nacionais a tentar falar mais alto do que os outros, como se aquilo fosse um duelo verbal. Outros a tentar explicar o que se viu nos jogos que a RTP transmitiu, ou não. Quando pensamos que a RTP tem diversos comentadores de futebol e não tem um único comentador sobre temas de educação, de ciência, ou de saúde, estamos explicados sobre a necessidade de ter mais futebol nos canais públicos.

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Refira-se, como elemento positivo da abordagem do serviço público ao fenómeno do futebol, o excelente programa sobre os últimos classificados das diferentes divisões nacionais, que passa na RTPN. O que é inquietante é que esta visão, centrada nas audiências, por parte dos responsáveis do serviço público é colocada ao lado de uma defesa da ‘cultura e conteúdos desse tipo’. O que mostra, de alguma forma, o que é o conceito reinante de serviço público de televisão. É triste, especialmente num meio audiovisual contaminado pelo óbvio sobre o universo do futebol. Não é mais futebol que a RTP precisa: é melhor futebol.

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