O novo mundo dos canais nacionais no cabo

‘Correio da Manhã' lança novo projeto televisivo. Objetivo é chegar à liderança entre os canais portugueses no cabo em três anos.

08 de março de 2013 às 15:00
CMTV, MEO, ZON, Octávio Ribeiro, Carlos Rodrigues, Luís Marques, Luís Cunha Velho, Cabo, Televisão paga Foto: Pedro Catarino
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A CMTV é a mais recente aposta nacional entre os canais de cabo. Tendo como génese o jornal líder de vendas e de audiências em Portugal - o Correio da Manhã -, a CMTV, que estreia no domingo 17 de março, em exclusivo na posição 8 do MEO, pretende ser um "canal generalista com predominância na informação". "A CMTV é uma coisa única em Portugal", garante Octávio Ribeiro, diretor do canal do grupo Cofina e do Correio da Manhã.

Em Portugal, o mercado da televisão paga tem registado um crescimento significativo nas audiências, atingindo uma quota média de 25,2% de share em 2012. Parte do público tem sido atraído pelo novo fôlego em termos de oferta de conteúdos. A disputa entre as principais operadoras de televisão por subscrição em Portugal - MEO e ZON - tem levado ao aumento da aposta no lançamento de canais, sejam eles nacionais ou internacionais, muitos deles em exclusivo. TVI Ficção, + TVI, A Bola TV e Localvisão TV são quatro dos exemplos mais emblemáticos dos últimos meses, a que se juntam vários outros, como Globo, Disney Junior, Toros TV, Record News e 24Kitchen.

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No caso da CMTV, o "objetivo é encontrar um equilíbrio entre dois mundos, ambos necessários para o consumidor", explica Octávio Ribeiro. Ou seja, a estação terá momentos de diversão, em que é possível "dar gargalhadas com um programa de humor", mas o telespectador terá a certeza de que, "se houver uma notícia relevante", saberá imediatamente. O que significa que se está a ver entretenimento "é porque não há nada suficientemente premente na área da informação que leve o canal a cortar a emissão". Desta forma, e num dia normal, a CMTV terá "quase 50% de entretenimento, mas, se acontecer alguma coisa muito importante em Portugal ou no Mundo, a grelha mudará imediatamente enquanto a notícia se impuser", explica o diretor do Correio da Manhã.

Carlos Rodrigues, diretor--adjunto do CM, sintetiza numa palavra a principal distinção entre a CMTV e os outros canais: "Portugal." "A CMTV é uma estação feita 100% em português, 100% de produção nacional. Teremos uma implantação nacional muito forte, com meios em todos os distritos do continente." Na área do entretenimento, garante que o canal procurará "ser o mais divertido possível". Carlos Rodrigues, ex-subdiretor de informação da SIC, aponta ainda outro elemento distintivo entre a CMTV e a restante oferta de televisão em Portugal: "A riqueza que a sinergia entre as marcas do grupo Cofina torna possível." "Além da informação da equipa do CM, teremos informação desportiva acompanhada pela redação do ‘Record', informação económica acompanhada a par e passo pela redação do ‘Jornal de Negócios' e a vida social marcada em cima pelas redações da ‘TV Guia', ‘Flash' e também da secção Vidas do Correio da Manhã", afirma. O objetivo da grelha, revela, é "que seja divertida, informe, faça companhia e ajude na perceção das angústias e dos problemas dos espectadores".

Sobre os pontos fortes da grelha, que contará com nomes como Nuno Graciano e Maya, no ‘Despertar CM' (das 07h00 às 11h00), Andreia Vale, no ‘CM Jornal' das 13h00, e José Carlos Castro, no ‘CM Jornal' das 20h00, Octávio Ribeiro é perentório: "Quem vai eleger os grandes pontos fortes são os telespectadores", tendo o Correio da Manhã a certeza de que "a CMTV será sempre a primeira a dar a notícia". "Podemos prometer desde o primeiro dia uma informação que visará sempre a excelência. Procuraremos chegar a todas as notícias, com a necessária dose de humildade para investigar as que não foram nossas inicialmente", diz Octávio Ribeiro.

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Com a ‘máquina' no terreno, tanto o diretor da CMTV como o diretor-adjunto apontam a "liderança em três anos na plataforma MEO e em competição com os canais de cabo produzidos em Portugal" como um dos principais desejos. "Procuraremos lutar espectador a espectador. A ambição da CMTV é chegar à liderança e esse objetivo está ao nosso alcance", afirma Carlos Rodrigues.

No universo do cabo, a CMTV encontra concorrentes que já há vários anos apostam na televisão paga. Luís Marques, diretor-geral da SIC, revela à Correio TV estar "expectante" com o aparecimento da CMTV. "É um projeto diferente do que já existe, tenho alguma curiosidade para ver quais são os resultados", afirma.

No mesmo sentido, Luís Cunha Velho, diretor da TVI, revela expectativa em relação ao canal do grupo Cofina. "Como sempre, olharei com o maior respeito para um novo projeto no mercado português." Os dois responsáveis avançam ainda com algumas explicações para a proliferação de novos projetos na televisão por subscrição. "Prova que o mercado da distribuição está a correr bem, nomeadamente ao MEO e à ZON. É bom para o mercado que os distribuidores tenham o conforto suficiente para estar a investir nestes canais. Depois, é bom para o mercado, porque quanto mais oferta melhor", afirma Luís Marques. O responsável da estação de Carnaxide conta que os seus canais por cabo - SIC Notícias, SIC Mulher, SIC Radical e SIC K - já têm "um peso significativo no negócio" da Impresa, grupo que detém a SIC. "Queremos que venha a ter mais. Temos conhecimento, competência e projetos para aumentar a nossa oferta", acrescenta. Neste sentido, a empresa de Francisco Pinto Balsemão prepara o lançamento de dois novos canais, entre eles a Caras TV, que deverá ser lançada "até ao final do ano". O outro projeto deverá ser dedicado ao universo da música.

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Já Luís Cunha Velho, diretor da TVI, que nos últimos meses lançou dois canais, a TVI Ficção (exclusivo MEO) e a +TVI (exclusivo ZON), defende que, apesar da recessão publicitária, "a existência de canais temáticos tem a ver com tendências e exigências do consumidor, que é preciso acompanhar e que fazem sentido numa nova lógica de mercado". Por isso, diz, é importante que a Media Capital, que detém a TVI, esteja presente no cabo para "estar em linha com as tendências do mercado". "Hoje não faz sentido imaginar o cenário televisivo sem os canais de cabo. É uma forma de complementar a oferta dos canais generalistas", explica. Cunha Velho diz mesmo que a TVI tem de "trabalhar e caminhar" no sentido de nos próximos anos ter oito a dez canais no cabo, como referiu o seu presidente, Miguel Pais do Amaral.

Octávio Ribeiro, diretor da CMTV, considera que "a fragmentação e a segmentação de públicos podem refletir-se na oferta do cabo" e defende que, além disso, há uma competição interessante e saudável entre as grandes empresas de distribuição, "que precisam de diferenciar a sua oferta". "Fazem-no de várias maneiras, entre elas através da oferta de conteúdos exclusivos", o que explica, "em parte", o aumento da oferta de canais nacionais no último ano. Quanto às vantagens que os operadores possam ter no investimento em projetos exclusivos, o diretor da CMTV diz que, "se as escolhas forem bem feitas, se não oferecerem lixo como diferenciação, farão crescer as possibilidades de atração de novos clientes". E não tem dúvidas de que o cabo é atualmente a melhor plataforma para investir. "Está com maior eficácia e é a única que não está, neste momento, a sofrer com a crise", diz. Sobre a opção de investir em período de retração económica, Carlos Rodrigues afirma, citando Paulo Fernandes, presidente da Cofina, que "é nos momentos de crise que se aposta", acrescentando que, nos media, é "também nestes momentos que o público faz as suas opções". "Quem tiver qualidade há de sobreviver, quem não a tiver, o mercado fará a seleção natural", considera o diretor-adjunto da CMTV. O responsável defende ainda que "Portugal e o mercado dos media não estão a valorizar o facto de haver um grupo de media [Cofina] que em pleno 2013 criou um quadro de trabalho com 72 novos postos profissionais. Estamos a dar emprego a dezenas de pessoas que estão a construir este sonho chamado CMTV". O modelo de negócio, diz Carlos Rodrigues, "é muito simples: criação de confiança por parte do espectador". "A nossa relação direta com o espectador vem de um património de décadas do CM e é com base nesse património que vamos tentar agradar ao nosso telespectador", conclui.

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