O Senhor dos Bonecos
Vasco Granja, falecido na madrugada de ontem numa clínica de Cuidados Continuados em Cascais, foi até aos anos 90 o grande apresentador de ‘Cinema de Animação’, programa de desenhos animados da RTP 2.
O seu trabalho de divulgação e crítica é, contudo, muito anterior ao 25 de Abril, quando combateu no seio do movimento cineclubista contra a censura e as hegemonias. Considera-se que foi ele quem, em 1966, usou pela primeira vez a expressão ‘banda desenhada’ para denominar o que se chamava de ‘quadradinhos’.
Lisboeta nascido no bairro de Campo de Ourique a 10 de Julho de 1925, começou a trabalhar muito novo nos Armazéns do Chiado e depois na Tabacaria Travassos. Apaixonado pelo cinema, participou como assistente de fotografia em ‘A Noiva do Brasil’ e envolveu-se no movimento cineclubista, tendo sido director do Imagem. Na luta contra a ditadura, militou no PCP, o que lhe custou seis meses de prisão sem julgamento em 1954 e mais 18 em 1963. Teve acção notável como divulgador de cinema de animação, nomeadamente o do canadiano Norman McLaren e de famosos autores checos.
O funeral sai hoje, às 14h00, da Capela da Damaia para o cemitério de Rio de Mouro, em Sintra.
DEPOIMENTOS
"AJUDOU-NOS A REALIZAR UM PROJECTO UTÓPICO" (Manuel M. Barbosa, Cinanima)
"Conheci-o nos anos 60 numa reunião clandestina de cineclubes. Os seus contactos e saber foram fundamentais para realizar o projecto utópico que é ter em Espinho um Festival de Cinema de Animação com prestígio mundial."
"CINEMA DE ANIMAÇÃO NO COMBATE À CENSURA" (Ruben Carvalho, PCP)
"Vasco Granja conciliou a actividade política, sem hesitações nem tergiversões, com a introdução do cinema de animação no combate à censura e às hegemonias. Teve equilíbrio no reconhecimento da qualidade e críticas feitas à Disney."
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