Polémica aquece Festival da Canção
A RTP voltou ao modelo tradicional do Festival da Canção e com ele a polémica: o voto do júri decidiu que as Non Stop representarão Portugal em Atenas, mas a votação popular escolheu Vânia. E, no final de um espectáculo digno, o próprio público na sala, fez saber, alto e bom som, que a intérprete de ‘Sei quem sou Portugal’ era a preferida.
“O que me interessa é que lá em casa votaram em mim. Aqui, na sala, gritaram o meu nome. Apesar de ter ficado em segundo lugar, senti o calor humano. E a emoção é o amor. As pessoas que negam o amor são menos felizes. É esse amor que quero do público para mim. Para mim, eu venci”, disse Vânia, emocionada, no final, acrescentando: “Eles são a maioria. O povo é quem dita, mas eu aceito. Ele votou e estou muito feliz por ele ter votado.” Contentes por terem ganho, com ‘Vem Dançar’, e cheias de vontade de, em Atenas, desforrarem-se do Euro’2004, as Non Stop estavam naturalmente felizes: “Adorei terem dado a oportunidade de representarmos Portugal lá fora. É uma honra para nós”, reconheceu Liliana, que não esquece o valor de Vânia e o seu “grande futuro pela frente”.
“A Vânia, a nível da interpretação, foi a melhor das cantoras da noite. A canção é que, a meu ver, não era tão boa como a das Non Stop”, explicou João Gobern, membro do júri. “‘Coisas de Nada’ tem uma mistura de promenores de âmbito dos Abba com ambiente das Doce e momentos fabulosos e divertidos no arranjo. Quando as pessoas ouvirem com atenção perceberão que é muito menos ‘música a metro’”, disse o crítico de TV.
REGULAMENTO DO CONCURSO
O regulamento do Festival da Canção da RTP prevê situações de igualdade e é bastante claro nesse aspecto: “Em situação de empate terá vantagem a canção que tenha obtido mais vezes 12 pontos, pelos elementos do júri da sala”. Foi o que aconteceu com as Non Stop, que receberam de três dos membros do júri essa pontuação.
“Se a RTP quiser manter este sistema de votação no Festival, sugiro, até para segurança dos membros do júri, que passe a usar como factor de desempate a prevalência da votação do público e não a da votação do júri na sala”, apontou, ao CM, João Gobern no final do festival e dos protestos na sala. O membro do júri e crítico de TV frisou ainda os ‘equívocos’. “Há canções que não têm rigorosamente nada que ver com o festival e que apareceram aqui”.
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