Políticos são-tomenses acusam Rádio RTP África de denegrir imagem das autoridades do país
Vice-presidente do líder da oposição associou-se ao líder do parlamento que chamou aos jornalistas da estação "militantes acérrimos" da ADI.
O vice-presidente do MLSTP, líder da oposição, acusou esta quarta-feira a Rádio RTP África de promover uma agenda para denegrir a imagem de órgãos de soberania, associando-se ao líder do parlamento que chamou aos jornalistas da estação "militantes acérrimos" da ADI.
A crítica foi lançada pelo deputado e vice-presidente do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), Conceição Moreno, contra o que considerou de "desrespeito pelas autoridades nacionais", nomeadamente o Presidente da República, presidente da Assembleia Nacional, o primeiro-ministro, bem como a "banalização da função de deputação por parte dos cidadãos e de alguns atores de comunicação social".
"A RDP não pode ser uma rádio que neste momento que está a aproximar as eleições, há comentadores que surgem só na época de eleições, há uns jornalistas da RDP África que fazem seleção de notícias, envenenam as informações sobre o país", criticou o deputado.
Conceição Moreno defendeu que o Estado são-tomense deve tomar medidas contra a atuação dos jornalistas e a Rádio RTP África afirmando que a estação portuguesa não dá o mesmo tratamento às notícias de Angola, Moçambique ou Cabo Verde.
"Na Guiné-Bissau quando aconteceu o [ex]Presidente Sissoco [Embalo] tomou medidas [...] e nós em São Tomé estamos a admitir que usem um canal de Rádio Internacional para manchar o nome do país [...] autoridades têm que tomar medidas", defendeu.
A posição do deputado surgiu na sequência de outras críticas anteriores feitas pelo Presidente da República, Carlos Vila Nova, e o presidente do parlamento Abnildo D'Oliveira que, na quarta-feira, acusou dois dos jornalistas da Estação de serem militantes da ADI.
Segundo Abnildo D'Oliveira, que foi dirigente e líder parlamentar da ADI durante vários anos até fevereiro, quando abandonou o partido, os jornalistas são-tomenses na Rádio RTP África, nomeadamente, Jerónimo Moniz, e o correspondente para São Tomé e Príncipe, Óscar Medeiros, "são militantes acérrimos" da ADI.
No entanto, alguns deputados da ADI defenderam a independência da estação portuguesa.
"Tomo a palavra para parabenizar a RDP África pelo excelente trabalho feito à Nação são-tomense no serviço de informação com verdade, clareza e isenta de politiquice [...] que continue forte e firme, não se intimide perante uma ditadura que se tem instalado no país", declarou o líder parlamentar da ADI, Nito Abreu.
No início do ano, também o Presidente Carlos Vila Nova criticou os trabalhos da RDP África, tendo instado a estação a repensar a sua política editorial para o arquipélago.
Na altura o chefe de Estado são-tomense também criticou o facto do correspondente da RDP não residir a tempo inteiro em São Tomé e Príncipe, o que a estação justificou tratar-se de motivos de saúde.
Contacto pela Lusa o correspondente da Rádio RTP África Óscar Medeiros não quis comentar o assunto, enquanto Jerónimo Moniz não respondeu até ao momento.
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