PORTUGAL EXPORTA TELENOVELAS PARA O PAÍS QUE AS INVENTOU

Na hora de comprar telenovelas e séries, os brasileiros começam finalmente a procurar ficção portuguesa. A explicação é simples: somos fisicamente mais parecidos com eles do que mexicanos e colombianos; e os nossos produtos têm mais qualidade. Quem diria…

17 de janeiro de 2004 às 00:00
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Amanhã, domingo, às 19 horas, na TV Bandeirantes, ‘Zé Manel’, ‘Vasco’, ‘Júnior’ e os demais personagens da série ‘Olá Pai’ começam a falar a língua de Camões com sotaque brasileiro. Quem irá estranhar mais este diferente linguarejar será Pedro Lima, Manuel Cavaco, Sofia Alves e Paula Luís, actores convidados para assistir, no Brasil, à estreia da série, e promover duas das três produções que a NBP vendeu à TV Bandeirantes.

Além de ‘Olá Pai’, que também foi vendida para a Roménia, os brasileiros poderão também ver a telenovela ‘Olhos de Água’, que estreia na segunda-feira, às 16 horas. Cada episódio desta produção será sempre repetido no dia seguinte, às 9h30. Depois do Carnaval, a TV Bandeirantes irá transmitir, talvez em horário nobre, a série juvenil ‘Morangos com Açúcar’. Nessa altura, alguns dos actores do elenco deslocar-se-ão a São Paulo para promover a série portuguesa.

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A emitir há 36 anos, a TV Bandeirantes é a segunda maior estação de televisão do Brasil, em termos de cobertura, e a terceira mais vista depois da TV Globo e do SBT, segundo informação avançada por fonte da TV Bandeirantes. O desporto foi sempre a imagem de marca da estação, mas há três anos que a Bandeirantes aposta no público feminino. Com bons resultados ao nível das receitas de publicidade.

Celso Tavares, director-geral da TV Bandeirantes, diz ao Correio TV ter encontrado na NBP portuguesa a parceria que procurava para que a estação pudesse regressar à dramaturgia. “Fizemos várias análises na Colômbia, México e Venezuela e pareceu-nos que o produto português seria visto como uma novidade no mercado brasileiro. Já não será apenas mais uma novela colombiana ou mexicana… Uma produção portuguesa vai despertar, por isso, grande curiosidade”, afirma aquele responsável.

À parte a surpresa, dois outros factores levaram a Bandeirantes a optar pelo produto português. Explica Celso Tavares: “A dramaturgia da NBP está muito próxima da brasileira, mais do que da mexicana ou da colombiana. A dinâmica, o tipo físico dos personagens e a própria linguagem da ficção portuguesa está mais ao gosto do brasileiro. Recordo que, por exemplo a série ‘Morangos com Açúcar’ é feita por um realizador brasileiro, Attílio Riccó… E não posso deixar de sublinhar o factor qualidade do produto final.”

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A TV Bandeirantes, cuja programação não inclui, neste momento, qualquer novela, assinou um acordo de cooperação com a NBP que visa a produção de ficção, no Brasil, a quatro mãos. “As novelas serão depois exibidas simultaneamente nos dois países”, adianta o director-geral da Bandeirantes, referindo-se à TVI.

DOBRAGENS EVITAM MAL-ENTENDIDOS

Enquanto os portugueses facilmente se adaptaram ao linguarejar, às expressões e até à gíria brasileira, o mesmo não se pode dizer dos telespectadores brasileiros. Assim, a exibição da ficção portuguesa exigiu cuidados especiais que nunca houve no nosso País para as produções brasileiras.

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Conhecedora desta realidade, a TV Bandeirantes vai dobrar as três produções da NBP. “Estamos dobrando com o recurso a profissionais com muita experiência na matéria. Diálogos rápidos e a utilização de algumas expressões que, no Brasil, têm um sentido diferente, poderiam levar a uma compreensão errada”, diz Celso Tavares, justificando assim o recurso à técnica da dobragem.

“FALTOU DINÂMICA EMPRESARIAL”

Um dos actores convidados para estar até, amanhã, no Brasil é Manuel Cavaco. Questionado sobre as razões que só agora permitiram a exportação de ficção portuguesa para o Brasil, o maior produtor de telenovelas de todo o Mundo, o conhecido actor português não hesitou em dizer: “Tem faltado dinâmica e vontade empresarial”.

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Mesmo considerando que o acordo celebrado entre a NBP e a Bandeirantes é “valioso” e tem “pernas para andar”, Manuel Cavaco revelou-se comedido nas expectativas: “Não sei se poderá começar a falar em intercâmbio… Vamos esperar para ver.”

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