Prisa muda estratégia
Dois anos depois de ter entrado no mercado português, a Prisa vai mudar a estratégia delineada para a Media Capital, avançou ontem o administrador-delegado, Manuel Polanco.
O grupo espanhol que detém a proprietária da TVI vai abandonar o enfoque no crescimento e na rentabilidade a curto prazo para se dedicar à produção e distribuição de conteúdos audiovisuais para uso multiplataforma. O objectivo, diz Polanco, “é garantir a sustentabilidade da empresa e a liderança nos segmentos de mercado em que intervém no médio e longo prazo”.
O primeiro passo será centralizar toda a produção audiovisual do grupo sob a marca NBP. Por essa razão, “a Prisa está à procura de um local para construir uma cidade cenográfica”, adiantou o responsável, esclarecendo que o grupo está “a falar com vários presidentes de câmaras municipais da região de Lisboa”. “A escolha do local será influenciada pela localização do novo aeroporto de Lisboa”, admitiu ainda.
A NBP, que já é uma das três maiores produtoras da Península Ibérica, tem cinco estúdios dispersos pelos arredores da capital portuguesa e produz cerca de mil horas de ficção nacional por mês.
Os dois novos canais da TVI na TV Cabo – um de informação e outro de entretenimento – também fazem parte dos planos. De acordo com Manuel Polanco, as negociações com a PT Multimédia foram atrasadas por causa da OPA e da cisão com a PT. O responsável admitiu que “em Setembro de 2008” os canais já possam estar no ar.
A mudança de estratégia do grupo espanhol para Portugal passará ainda pelos mercados cinematográfico e musical. A Castello Lopes Multimédia acaba de adquirir os direitos de distribuição da Warner, o que, associado à parceria com a TVI e a FOX, “trará muitas alegrias no futuro”, acredita Polanco. Já a produtora musical do grupo, a Farol, vai reorientar a linha de negócio, abandonando “a venda de formatos físicos” para se dedicar ao “agenciamento de artistas e distribuição digital dos conteúdos musicais”.
No segmento das rádios, Manuel Polanco esclareceu que continua à espera da mudança na lei que proíbe qualquer grupo de deter mais de cinco estações. “O mercado das rádios em Portugal está subdesenvolvido. A rádio falada como a RCP [Rádio Clube Português] e as rádios com música portuguesa como a M80 e a Romântica FM são um mercado seguro”, disse.
De fora dos interesses do grupo passa a estar a publicidade, decorrendo negociações com a Explorer Investments para vender a Media Capital Outdoor. “Nesta postura de produtor e distribuidor de conteúdos, a MCO não se enquadra”, defendeu Polanco.
Manuel Polanco nasceu em Madrid a 12 de Março de 1961. Licenciado em Ciências Económicas e Empresariais, desenvolveu toda a actividade empresarial no Grupo Prisa, sobretudo, na gestão das 21 empresas do grupo na América Latina e EUA. Regressou a Espanha em 1999 como presidente da GDM e GMI. Foi designado administrador-delegado da Media Capital em Novembro de 2005 e o seu mandato expira no próximo dia 31 de Dezembro, sendo quase certa a recondução no cargo.
A aquisição da totalidade da NBP no início deste mês já está a dar lucros ao grupo espanhol. “A semana passada estivemos em Moscovo e vendemos as séries de ‘Morangos com Açúcar’ para serem emitidas na Rússia”, adiantou Manuel Polanco sem revelar os valores do negócio. Sublinhando que “a produção de conteúdos é onde se concentra o grande potencial de crescimento do grupo”, o administrador da Media Capital quer rentabilizar a produtora através da “venda de ideias” ou da “venda de produções finalizadas”.
TV DIGITAL EM EQUAÇÃO
Manuel Polanco reiterou que a Televisão Digital Terrestre (TDT) é um objectivo da Media Capital: “Estamos a falar com todos os interessados para a concretização de parcerias no concurso de fornecimento de canais abertos.” Polanco admitiu estar “a equacionar a possibilidade de o grupo fornecer conteúdos ‘premium’ [por assinatura] para quem tenha ‘triple-play’ [televisão, internet e telefone]”.
- 157 milhões de euros é o valor das receitas da Media Capital entre Janeiro e Setembro de 2007.
- 3,5 mil milhões de euros é o valor projectado para as receitas da Prisa em 2007.
- 94% é a percentagem da Media Capital controlada pela Prisa. 20 a 30% serão recolocadas em Bolsa em 2008.
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