Programa polémico da SIC estava na gaveta desde 2006

Estreia de ‘Supernanny’ motivou várias queixas. Canal pagou mil euros a mãe para expôr criança.

17 de janeiro de 2018 às 01:30
A ‘Supernanny’, Teresa Paula Marques, e Patrícia, mãe de Margarida, a criança protagonista do primeiro episódio Foto: Direitos Reservados
Programa ‘Supernanny’, da SIC Foto: Direitos Reservados
Programa ‘Supernanny’, da SIC Foto: Direitos Reservados
Psicóloga Teresa Paula Marques é a ‘Supernanny’ Foto: Direitos Reservados

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Não há memória de um programa de televisão em Portugal ter ficado tanto tempo na gaveta, mas a verdade é que a SIC esperou 12 anos para estrear ‘Supernanny’.

Desde 2006 que o canal de Carnaxide estuda o lançamento deste formato que, tendo ido para o ar finalmente no passado domingo, está a gerar grande polémica.

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Uma boa parte deste tempo, sobretudo os últimos dois anos, foi usada pela SIC para investigar as implicações legais do formato, sabe o CM. De resto, a SIC está há mais de dois anos em fase de produção do programa que agora foi para o ar, e só o estreou depois de garantir que não teria de enfrentar processos judiciais, nomeadamente por falta de autorizações.

E um dos subterfúgios utilizados pelo canal de Carnaxide para fugir a processos foi, por exemplo, anunciar no início de cada episódio que Teresa Paula Marques está no programa como "educadora" e não como psicóloga, profissão que exerce há mais de 25 anos. Para isso terá contribuído o parecer negativo que a Ordem dos Psicólogos deu ao programa em março de 2016.

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As cautelas da SIC não evitaram, contudo, que várias instituições de defesa dos direitos das crianças tenham acusado publicamente o programa de violar os direitos dos menores à vida privada, e pedido a intervenção da Entidade Reguladora para a Comunicação Social, que já recebeu dezenas de queixas.

Apesar da polémica, o CM apurou que não está nos planos da SIC cancelar o formato.

Quanto aos pais da criança apresentada no primeiro episódio, que receberam mil euros por expor a filha, foram ouvidos na passada segunda-feira na Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Loures.

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