'QUEREMOS FIDELIZAR PÚBLICO'
A telenovela “O Jogo”, da Endemol, que estreia na SIC ainda este ano, é a segunda grande aposta do canal na ficção portuguesa (“O Olhar da Serpente” ficou aquém das expectativas e foi retirado do horário nobre) e “tem os ingredientes necessários para fidelizar e cativar o público”, garantiram ao CM as autoras, Helena Amaral e Isabel Fraústo.
“A história gira em torno de uma família que se afastou devido às circunstâncias da vida e que a dada altura vê-se obrigada a reunir para a leitura do testamento da tia ‘Nini’, que supostamente faleceu”, revela Helena Amaral. Em disputa está uma enorme herança que só pode ser ganha por um dos quatro herdeiros. Segundo Isabel Fraústo, “os herdeiros vão ter de entrar num jogo para conseguirem ganhar a herança da tia rica que morreu”.
Um dos temas que as autoras trazem a lume é a sempre polémica abordagem da homossexualidade: ”Criámos um personagem que se esconde numa vida falsa devido ao medo e às circunstâncias que envolvem a sua sexualidade e que no decurso do jogo se vai assumindo cada vez mais”. As autoras quiseram dar a entender ao público que “as opções sexuais não passam disso e devem ser respeitadas porque o importante é a pessoa em si”.
QUE SORTE NA GRELHA
“O Olhar da Serpente” foi afastada da grelha da estação de Carnaxide após escassos meses de exibição. Primeiro, sem avisar, foi colocada em horários indefinidos durante a tarde e, ao fim de um tempo, quando todos pensavam que já tinha saído do ar, começou a ir para o ar de madrugada.
Confrontadas com a hipótese de suceder algo semelhante a “O Jogo”, as autoras preferem acreditar no bom senso do canal de Balsemão. “Não tenho receio porque é algo que me ultrapassa. No entanto, lamento que isso aconteça porque pré-definem as coisas de uma determinada forma para depois as alterarem por uma questão de audiências ou estratégia”, afirmou Helena Amaral. “Se isso nos acontecer vou lamentar imenso. Já nem estou a pensar nisto como autora, porque quando isso acontece sentimo-nos maltratados. Quem perde sempre é o público que deixa de se fidelizar em determinado conteúdo porque este desapareceu dos ecrãs naquele horário a que já estavam habituados”.
Quanto a Isabel Fraústo, apesar de estar consciente de que o mercado está complicado, percebe as condicionantes que ultrapassam a sua própria vontade como autora. “Há grandes pressões e o trabalho pode não corresponder às expectativas do público. Tenho trabalhado com empenho e uma alegria enorme para este projecto e quero acreditar que a SIC não vai decidir retirá-lo do ar com base em critérios aleatórios”, rematou a guionista.
CRIAR EM PARCERIA
O acto criativo é, para muitos, individual mas para as duas autoras, “trabalhar em conjunto não é dificil desde que haja muito diálogo e a interlocutora tenha os mesmos conceitos, referências e uma maneira de ver e estar no mundo semelhante”, explicou Helena Amaral.
Quanto ao desenvolvimento da história tem a ver com o método: “Dividimos o trabalho e confiámos uma na outra. Como sabíamos o objectivo, organizamos o que fazer durante a semana e definimos o trabalho”. No final de cada cena escrita lêem o trabalho uma da outra: “A parceria funcionou e, muitas das vezes, não sabíamos qual das duas tinha escrito a cena ‘x’ ou ‘y’”, justificaram.
QUEM É QUEM NA NOVA NOVELA NACIONAL
Os núcleos familiares da novela são quatro: os herdeiros de uma tia rica, um irmão e três irmãs. Como uma das irmãs está afastada, quem a representa é a filha (Diana Costa e Silva). Na essência a telenovela divide-se em dois grandes centros: os que vivem uma situação rural (no Alentejo) e os urbanos. Os temas colaterais da trama giram à volta da homossexualidade, da pobreza, dos bairros populares - com estilos de linguagem muito característicos - do amor, da verdade
e da mentira.
JOÃO PERRY: O VILÃO
João Perry teve um duplo papel na novela: o de director artístico e o de actor, onde encarna o papel de Carlos Vilela, responsável por uma Fundação para Crianças. “Foi um trabalho compensatório, mas muito longo: foram nove meses, três de preparação e sete de rodagem. O trabalho de televisão é complexo e muito stressante”, disse ao CM o actor. Quanto à personagem que faz nesta novela “é um contraponto da anterior onde fazia de bonzinho. O Carlos Vilela é um vilão que gere uma Fundação para Crianças...”
SARA: A MALVADA
A actriz Sara Gonçalves encarna a personagem Rucha, uma executiva publicitária que não olha a meios para obter os fins. “As personagens que faço têm sido boazinhas. Desta vez calhou-me um papel inverso”, referiu ao CM a protagonista. “A Rucha é uma ‘filha da mãe’ que quer ter um estatuto alto, dinheiro e poder e vive das aparências fazendo tudo para manter essa imagem. Foi um desafio porque não acredito que se seja mau sem ter razões para isso. O meu núcleo familiar é dos mais duros”.
GRANGER: O BONZINHO
Pedro Granger regressa às novelas depois de 2 anos e meio de ausência, agora na SIC. Na trama faz de João Vilela, “filho” de João Perry (Carlos Vilela). “O meu pai é o administrador da fundação e eu chego de Londres onde estudei durante muitos anos. Quando chego vou trabalhar na fundação em Alcácer”, revelou o actor. “Depois vou descobrir uma série de coisas que não posso dizer... Vou apaixonar-me e viver um amor muito complicado. Adorei trabalhar com a Endemol e conhecer pessoas que me ensinaram muito”.
DIANA: A PROTAGONISTA
Diana Costa e Silva fez um “casting” para a Endemol e foi chamada para protagonista da novela. Ela é a Inês Trigo, filha de uma das herdeiras, que vai fazer o jogo pela mãe. “É a minha primeira vez e foi uma experiência muito positiva. Fui muito ajudada porque era muito inexperiente”, confessou. “ Sou filha de uma das herdeiras e vou batalhar para ganhar a herança. Mas sou a menos interessada em ganhar o jogo. Quero é encontrar a minha mãe. Na novela sou adoptada por dois amigos da mãe verdadeira”, rematou.
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