“Queria que as pessoas se divertissem a ler o livro”

Rui Vilhena lançou em Maio o seu primeiro livro, ‘Doces Tormentas’, onde fala sobre o amor, as traições e o desgaste das relações amorosas. E admite que ser guionista “facilitou a tarefa”.

18 de junho de 2010 às 00:00
“Queria que as pessoas se divertissem a ler o livro” Foto: Vitor Mota
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O primeiro livro de Rui Vilhena está destinado ao sucesso. A comédia romântica ‘Doces Tormentas', editada por A Esfera dos Livros será, em Setembro, adaptado ao cinema.

- Construir personagens para um livro é diferente de as construir para uma telenovela?

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Não. A ficção é sempre a mesma. Há que criar a personalidade, as características que definem cada personagem. A construção de uma personagem é sempre importante para estabelecer o conflito entre elas. Temos de saber onde estão as diferenças para criar esse conflito.

- O que é mais fácil?

São linguagens completamente diferentes. Mas o grau de dificuldade é sempre o mesmo. Criar é um processo doloroso.

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- A experiência como guionista facilitou-lhe a tarefa?

Bastante. Por um lado, é complicado, porque são linguagens diferentes. Tenho de me abastrair da linguagem de um guião para o fazer de uma forma literária. Mas, por outro lado, a vontade de escrever e o desenvolver do enredo ajuda. O livro assemelha-se um pouco a um guião, na medida em que tem uma linguagem simples.

- Há muitos jogos de palavras. Porquê?

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É uma questão de estilo, uma característica que eu quis impor. Esses jogos dão uma certa comicidade ao livro e queria que as pessoas se divertissem a lê-lo. Acho que, neste momento, as pessoas precisam mesmo de se divertir.

- Porquê o título ‘Doces Tormentas'?

O livro fala das relações amorosas. E, na minha opinião, as relações começam sempre de uma forma doce e acabam sempre numa grande tormenta.

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- Inspirou-se em quê?

Um autor vai buscar sempre inspiração àquilo que o rodeia, aos livros, aos filmes e ao que vê na televisão.

- No seu livro ninguém é inocente e todos traem alguém. Isso é um reflexo da realidade?

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Isso acontece mesmo para dar o tal toque da comicidade. O enredo foi criado para gerar essa comicidade.

- Há protagonistas no livro?

Não há. Os seis, os três casais, têm a mesma importância.

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- Como nas suas novelas, as personagens são de classe média alta. É uma regra sua?

Não. Pela história que é, são pessoas mais viajadas e mais vividas, que questionam mais. Ao criar as personagens, a partir do momento em que tenho um arquitecto ou uma psicóloga, isso implica que eles pertençam a uma classe média.

- Nas suas novelas, há sempre algum mistério. Neste livro, isso não acontece. Porquê?

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O mistério aqui é como é que aquilo irá acabar. É um barril de pólvora que ali está. O que está em causa é como e quando esse barril irá explodir e quais as consequências.

- Fala de amores que nascem e que morrem. Pode dizer-se que esse é o enredo central desta publicação?

O livro fala sobre o amor, as traições e o desgaste do tempo nas relações amorosas.

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- Neste livro, há relações bissexuais e homossexuais.  Incluiu-as com vista a abordar a recente aprovação dos casamentos homossexuais?

As minhas histórias são muito urbanas. Como se envolvem todos uns com os outros, tinha piada incluir um casal homossexual. Logo, se há um casal homossexual, alguém noutro casal tem de ser bissexual.

- Como apresentaria o seu livro em poucas palavras?

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Queria que fosse um livro despreconceituoso e que obrigasse o leitor a uma certa reflexão. E é praticamente impossível que o leitor não se identifique com essas personagens.

- A inspiração surgia de repente ou tinha horas destinadas a esse trabalho?

Um livro dá-nos tempo para trabalhar com mais calma do que o guião de uma novela. Se não estou inspirado num dia, posso deixar para o seguinte.

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- Quis passar alguma mensagem nesta história?

Todo o autor quer passar uma mensagem. A minha é que as pessoas possam, de alguma maneira, pensar melhor e invistam mais nas relações que estão a viver.

- Orgulha-se de saber que o romance será adaptado ao cinema?

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Sim. É um orgulho para qualquer autor. Ver imagens daquilo que nós criámos é dar vida às personagens.

- Porque dedicou o livro à sua mãe?

Ela já faleceu e recordo como sempre se esforçou muito para nos dar algum futuro a mim e à minha irmã, Maria Teresa. Esta dedicatória é uma maneira de homenagear tudo aquilo que ela construiu para os filhos.

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LANÇAMENTO: OS AMIGOS

Maria João Bastos e Pedro Granger foram dois dos muitos actores que fizeram questão de estar presentes no lançamento do primeiro livro de Rui Vilhena. À Correio TV, Maria João Bastos, intérprete de ‘Ninguém como Tu' e ‘Equador', frisou: "O Rui é um amigo, uma pessoa muito querida para mim. Já trabalhei imenso com ele e por isso, fazia todo o sentido estar aqui." Sobre ‘Doces Tormentas', a actriz acrescentou ainda: "É o primeiro livro do Rui [Vilhena], espero que o primeiro de muitos. Se o Rui escreveu este livro como escreve histórias para televisão e para cinema, acredito que seja muito bom." - T.O.

PERFIL: AS NOVELAS

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Rui Vilhena tem 48 anos, é casado e tem um filho, Gabriel. Estudou na Universidade da Califórnia e no El Camino College, em Los Angeles, em Produção para Cinema e Televisão. É guionista profissional. Desde 2005, assinou as novelas da TVI ‘Ninguém Como Tu', ‘Tempo de Viver' (2006) e ‘Olhos nos Olhos' (2008). No mesmo ano, adaptou ‘Equador', a série, e é autor da minissérie ‘37' (2009), também na TVI.

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