Redacção da SIC veta enviado especial a Timor

A Redacção da SIC vetou o enviado especial da estação a Timor. Em causa está o facto de António Veladas, o jornalista que tem feito o relato dos acontecimentos no antigo território português para a estação de Carnaxide, ser o representante oficial do governo timorense em Macau.

03 de junho de 2006 às 00:00
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A primeira consequência do ‘ruído’ gerado pelo caso foi o envio, anteontem, de Luís Costa Ribas para Díli.

O Conselho de Redacção da SIC emitiu, na semana passada, um comunicado sobre a opção por um jornalista que não integra os quadros da Impresa, mas terá sido o ‘ruído’ que o caso provocou entre a própria equipa da Informação que fez a Direcção recuar e, para o efeito, seguiu, anteontem, viagem para Timor-Leste o antigo correspondente da estação em Washington. Costa Ribas fará dupla com Jorge Ramalho, um dos mais experientes repórteres de imagem do canal.

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Para lá do facto de Veladas não pertencer à casa, facto que, só por si, gerou mal-estar, o jornalista é o representante de Timor-Leste no Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. E a isso os jornalistas da SIC não fecharam os olhos, tal como o próprio Conselho de Redacção, se bem que a onda de indignação que se gerou entre os primeiros seja vista como a responsável pela decisão de enviar para o teatro das operações Luís Costa Ribas e um repórter de imagem, “deixando, assim, ‘cair’ o tal enviado especial”, como sublinhou uma das nossas fontes. O CM, esclareceça-se, tentou falar com o Conselho de Redacção, mas os contactos revelaram-se infrutíferos, da mesma forma que também não lográmos chegar à fala com a Direcção de Informação do canal, a despeito dos pedidos formulados ao gabinete de Imprensa.

Correm, também, rumores – como ainda anteontem chegou a ser escrito na Imprensa – de que António Veladas já teria estado ligado à Delta Cafés. No mesmo dia, a empresa com sede em Campo Maior, por intermédio do seu porta-voz, negou, peremptoriamente, ao CM, que o antigo correspondente da RDP em Timor tivesse trabalhado para o grupo de Rui Nabeiro. O nosso jornal, adiante-se, tem tentado, por diversas formas, chegar à fala com o jornalista, inclusive por intermédido da SIC, mas a estação, terça-feira, informou-nos, que a Direcção de Informação não nos facultaria o contacto de Veladas.

Veladas, acrescente-se, ainda recentemente – a 9 de Maio, para sermos mais rigorosos – prestou declarações ao jornal ‘Ponto Final’, de Macau, na qualidade de representante oficial do governo de Timor-Leste para aquela região administrativa especial da China. Na ocasião, Veladas, jornalista com carteira (n.º 1810) emitida pela Comissão da Carteira Profissional, tecia várias considerações sobre o cenário que se estava a viver em Timor-Leste e apontava o dedo à comunidade internacional, em particular aos Estados Unidos.

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