Relatório aponta queda histórica da liberdade de expressão no mundo

Dados alarmantes incluem crescimento de 63% da autocensura entre jornalistas. Unesco alerta para impunidade em assassinatos de profissionais da imprensa.

28 de dezembro de 2025 às 01:30
Entre janeiro de 2022 e setembro de 2025, 310 jornalistas foram mortos, 162 eles em zonas de conflito Foto: AP
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A liberdade de expressão chegou ao nível mais baixo em décadas, após uma queda de 10% em comparação a 2012. Os dados são da Unesco - Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura. O declínio é comparável apenas ao observado na Primeira Guerra Mundial, no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial e ao final da década de 1970, durante a Guerra Fria.

O relatório sobre as tendências globais da liberdade de expressão e do desenvolvimento dos meios de comunicação abrange o período de 2022 a 2025. O estudo alerta para um aumento alarmante da autocensura entre jornalistas, com um crescimento de 63% e a uma média de cerca de 5% ao ano.

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Essa tendência é um reflexo do crescimento de 48% no controle de meios de comunicação por governos e grupos poderosos e de uma maior incidência de vigilância digital e leis restritivas, que tornam a reportagem independente cada vez mais difícil.

Também foi observada uma queda de 37% na liberdade académica e artística, mostrando que o problema vai além do jornalismo.

O relatório revela ainda que os profissionais da comunicação social sofrem um risco significativo de morte no exercício da sua profissão. Entre janeiro de 2022 e setembro de 2025, 310 jornalistas foram mortos, 162 deles em zonas de conflito.

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Embora tenham ocorrido avanços modestos, com a taxa de impunidade a cair de 95% em 2012 para 85% em 2024, a maioria dos responsáveis por esses assassinatos segue sem punição.

Os ataques a jornalistas incluem violência física, ameaças digitais e perseguição judicial. Muitos são forçados a deixar seus países. Desde 2018, mais de 900 profissionais da América Latina e das Caraíbas foram obrigados a procura exílio.

Repórteres que cobrem causas ambientais estão entre os mais expostos. Cerca de 70% relatam ter sido atacados por causa do seu trabalho. Foram 749 ataques entre 2009 e 2023, com aumento acentuado nos últimos anos.

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O assédio online também cresceu globalmente, afetando de forma desproporcional as mulheres. Um novo estudo do Centro Internacional para Jornalistas revelou que 75% das jornalistas e trabalhadoras da media sofreram violência online relacionada com o seu trabalho em 2025, em comparação com 73% em 2020.

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