“RTP caminha para a total irrelevância”
Luís Marinho sai do grupo público e deixa duras críticas à atual administração em carta enviada aos trabalhadores.
Foram tudo menos otimistas as palavras de Luís Marinho na hora de sair da RTP. Após 15 anos, o ex-administrador, que ocupava atualmente um cargo no gabinete de projetos especiais, abandonou na quarta-feira a empresa pública de rádio e televisão, mas não sem antes enviar uma carta a todos os trabalhadores na qual deixa duras críticas à atual administração liderada por Gonçalo Reis, com quem acertou uma rescisão amigável com "condições extraordinárias".
Na mensagem de duas páginas, Luís Marinho afirma que, "do ponto de vista organizativo, a RTP é hoje uma empresa dos anos 80 do século passado, com direções para todos os gostos, a que se juntam ainda mais diretores disfarçados de consultores". E deixa um aviso: "a RTP caminha a passos largos para a total irrelevância, em nome de uma suposta qualidade que talvez alguns amigos consigam vislumbrar".
O ex-administrador acusa ainda o Conselho Geral Independente, órgão de supervisão do conselho de administração da RTP criado pelo ex-ministro Poiares Maduro, de ser "inexistente" e afirma que "não vai ser fácil" para os verdadeiros profissionais" da RTP "reerguer a empresa", sobretudo se "a atual governação renovar o mandato que termina no final de 2017".
Contactada pelo Correio da Manhã, a administração da RTP optou por não comentar.
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