RUI PÊGO: PARA JÁ VOU FUGIR DO LIVRO

Rui Pêgo lança hoje à noite, no Hotel Avenida Palace, em Lisboa, o seu primeiro livro, "Nação Valente", que prefere chamar de compilação de textos. Marcelo Rebelo de Sousa faz a apresentação.

18 de junho de 2003 às 00:00
RUI PÊGO: PARA JÁ VOU FUGIR DO LIVRO Foto: Natália Ferraz
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Correio da Manhã - Que tipo de livro é o "Nação Valente"?

Rui Pêgo - É um livro que condensa algumas das mil crónicas que eu fiz na Rádio Nostalgia, entre 1998 e 2002. Reúne aquilo que eu presumo ser o mais representativo.

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- Que tipo de critério usou para a selecção dos textos?

- Fui manifestamente incapaz de seleccionar as crónicas, quem o fez foi o António Macedo, que era, no fundo, a minha primeira testemunha e um entusiasta do "Nação Valente". Além de seleccionar os textos, ele teve também a generosidade de escrever o prefácio.

- Quando surgiu a ideia de publicar um livro?

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- Há provavelmente quatro anos, se bem me lembro, e justamente porque eu arranjava as mais inacreditáveis desculpas, porque não conseguia seleccionar os textos, só agora o faço.

- Era assim tão difícil?

- Era por preguiça, por um lado, mas também havia muito pudor porque são textos de rádio. O António (Macedo), assim como outras pessoas, defende que os textos têm vida própria e conseguem sobreviver à efemeridade da rádio, mas eu, ainda hoje, tenho algumas reservas sobre isso. De toda a maneira tenho outro pudor que tem a haver com o livro em si. Eu sou da geração em que o livro era uma coisa importante a que só tinha acesso os eleitos, não era aquilo que é hoje, um suporte como outro qualquer. Digamos que houve uma dessacralização do livro.

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- Acha que hoje qualquer pessoa pode escrever um livro?

- Do ponto de vista do editor é um suporte e é aceite por boa parte das pessoas como isso mesmo, um suporte como outro qualquer, o que a mim me faz alguma confusão. Como dizia, sou do tempo em que o livro era uma coisa preciosa que não estava exposta ao lado das latas de atum de um supermercado.

- Este é o seu primeiro livro?

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- É. Mas eu, sinceramente, não o considero um livro. O livro é aquele que se escreve, com uma história para contar, estruturado, esta é uma compilação de textos. Acho um bocado presunçoso chamar-lhe livro. Não presumo que seja mais do que uma compilação de textos. Eu próprio tenho um certo pudor em chamar-lhe livro, mesmo quando falo com o editor, ele fala-me do livro e eu dos textos.

- Vai continuar a compilar textos?

- Depende de como eu me sair do embaraço. Sem nenhum tipo de caricatura, mas é uma situação, por tudo aquilo que eu já disse, dada a minha relação com os livros, tenho algum embaraço e até mesmo vergonha de ter permitido que o editor plantasse as minhas bochechas na capa do livro.

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- Não gostou de ver a sua fotografia na capa?

- Não. Acho que é uma coisa despudorada. Nos próximos tempos vou fugir do livro e não vou passar por nenhuma livraria nem por uma grande superfície onde possa estar um exemplar.

- Porquê o nome "Nação Valente"?

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- Foi um título que surgiu em conversa com o Luís Montez. Nós somos de facto uma nação de valentes. Somos pobres, moramos longe e somos razoavelmente incultos, mas somos geniais em algumas coisas.

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