Sindicato dos Jornalistas considera inaceitável que Conta Lá não garanta salários e pede posição clara

Canal de televisão que transmite no cabo desde 2025 vai recorrer à suspensão temporária dos contratos de trabalho ou redução de horário ('lay-off'), para reduzir custos, em contexto de salários em atraso.

03 de julho de 2026 às 18:26
Sindicato dos Jornalistas, media Foto: Getty Images
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O Sindicato dos Jornalistas considerou esta sexta-feira ser inaceitável que o canal Conta Lá não esteja a assegurar o vencimento de todos os trabalhadores e pediu uma posição clara e transparente da empresa.

"É com enorme preocupação que o Sindicato dos Jornalistas (SJ) está a acompanhar a situação atual do canal Conta Lá, que neste momento ainda não pagou os salários relativos ao mês de maio a grande parte dos trabalhadores e acumula dívidas a colabores externos", referiu, em comunicado.

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A estrutura sindical pediu com urgência uma posição clara e transparente da empresa para com os seus trabalhadores e considerou ser inaceitável que o Conta Lá não esteja a cumprir com a obrigação básica de assegurar os vencimentos.

O SJ, que está em contacto com os trabalhadores do canal, alertou ainda para o facto de existirem "fundados receios de que o mês de junho" também não seja pago dentro do prazo, o que disse fazer levantar uma "enorme preocupação sobre a situação financeira deste projeto e a sua sustentabilidade futura".

O canal de televisão Conta Lá, que transmite no cabo desde 2025, vai recorrer à suspensão temporária dos contratos de trabalho ou redução de horário ('lay-off'), numa restruturação para reduzir custos, em contexto de salários em atraso.

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Esta informação foi transmitida aos trabalhadores pelo presidente executivo, Sérgio Figueiredo, num 'e-mail' enviado no dia 26 de junho, a que a Lusa teve acesso.

"Em setembro, com o dia 15 como referência, o projeto entra numa nova fase, conseguindo meios que nunca teve para acelerar investimentos e cumprir o Conta Lá tal qual ele foi pensado. [...] A questão é 'como sobreviver até lá'? O que tem de ser feito para que o colapso não seja drástico e definitivo", refere a missiva.

A comissão executiva adiantou que a solução que pretende implementar "imediatamente" é um processo de 'lay-off', por entender que "protege mais as pessoas e a empresa", evita a "bomba atómica" do despedimento coletivo, mantém os trabalhadores vinculados e é reversível a qualquer momento.

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"Reduzir a escala de custos é vital. Temos de voltar a ser menos, para voltarmos a ser mais", salientou.

O também ex-diretor de informação da TVI apontou que o atraso no pagamento dos salários de maio se deve à falta de "fundos suficientes para pagar a todos", tendo sido possível regularizar a situação a cerca de 40 trabalhadores, "mas a maioria continua sem receber o que lhe é devido".

A empresa assegurou que vai cooperar com os trabalhadores que, em caso extremo de dificuldades financeiras, se queiram desvincular rapidamente para procurar uma alternativa de trabalho que garanta fonte de rendimento imediato e adiantou que nas próximas 12 semanas é "crítico" encontrar uma grelha de programas que, "de forma inteligente e a baixo custo, crie a sensação de que há sempre algo de novo a cada dia".

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O Conta Lá é um canal de televisão por cabo, com uma programação direcionada para as regiões e jornalismo de proximidade.

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