TALENTO EM TAMANHO GRANDE
Apresentador, humorista, actor, escritor, realizador, artista plástico… Parece que não há arte que escape ao domínio de José Eugénio Soares, mais conhecido como Jô ou, simplesmente, o ‘Gordo’.
Jô Soares estreou-se na televisão, em 1958, na ‘Noite de Gala’, programa da estação brasileira TV Rio, e fez carreira como humorista em séries da Record e da Globo. Hoje, aos 66 anos, deixou ficar para trás as produções de humor, como ‘Viva o Gordo’, mas não renegou a paixão pela comédia, que mantém viva através dos monólogos de abertura de ‘O Programa do Jô’ (GNT), da escrita e mesmo da pintura. “O artista tem várias maneiras de se expressar e deve, se possível, expressar-se em todas elas.” É assim que o próprio Jô explica a sua versatilidade.
Depois de, nos anos 60, se ter revelado enquanto comediante em programas do canal Record, como ‘Jô Show’ e ‘Quadra de Ases’, em Portugal Jô Soares tornou-se conhecido em 1978, com a estreia de ‘Planeta dos Homens’, na RTP1. Mas foi ‘Viva o Gordo’, emitido pelo canal estatal em 1986, que o tornou indispensável nos lares dos portugueses. Entre a galeria de personagens a que Jô deu vida naquela produção da Globo – em reposição no GNT –, contam-se o super-herói homossexual Capitão Gay e a estrela do cinema pornográfico Bô Francineide. A estes somam-se o General e o Exportador de Corruptos, que criticavam a situação sócio-política na época vivida no Brasil.
Depois de ter dado cartas no humor, o gordo mais famoso do Brasil concretizou um sonho, ser o anfitrião de um programa de entrevistas, à semelhança de figuras que admira, como Johnny Carson e David Letterman. Foi em 16 de Agosto de 1988, quando ‘Jô Soares Onze e Meia’ foi para o ar no SBT. O inegável talento de Jô como apresentador revelou-se de imediato pela forma como capta o interesse dos espectadores, seja a entrevistar Mikhail Gorbachev, Bill Gates ou um empregado de mesa. Onze anos e quase sete mil entrevistas depois, Jô mudou-se para a Globo. Desde 2000, ‘O Programa do Jô’ já recebeu cerca de dois mil convidados, seguindo o lema do seu apresentador, “se for interessante, vale a pena”.
A par do trabalho para a TV, Jô Soares destacou-se na escrita, tendo assinado os romances ‘O Xangô de Baker Street’ – adaptado ao cinema em 2001, com Joaquim de Almeida no principal papel – e ‘O Homem Que Matou Gertúlio Vargas’, para além das compilações de crónicas ‘O Astronauta Sem Regime’ e ‘Humor nos Tempos de Collor’, entre outras. Recentemente, regressou aos palcos, com o sétimo espectáculo a solo da sua carreira, ‘Na Mira do Gordo’, que trouxe a Portugal em Janeiro deste ano.
Apesar das suas mil e uma ocupações, Jô Soares continua a ter tempo para os seus prazeres, como fumar charuto – a tabaqueira D’Angelo já lançou um charuto com o seu nome –, ler um livro por semana, ou ver um filme por dia. A comida é, para Jô Soares, não um prazer, mas um vício. Bolachas e pão torrado com manteiga e chocolate são petiscos a que é incapaz de resistir. E não poupa a maionese nos temperos.
A casa do apresentador, um apartamento de 600 metros quadrados, em São Paulo, revela algo mais. Há um espaço dedicado à realização de ‘jam sessions’ e à exposição das suas pinturas.
Na biblioteca tem cerca de quatro mil livros e na sala um quadro de Roy Lichenstein, um dos mais conceituados artistas da ‘pop art’. Já na cozinha, Jô Soares não dispensa dois frigoríficos. Sempre bem recheados…
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