Teresa e a ‘sua’ ‘Casa’ dominam a tabela de audiências

O formato, a natureza insólita dos seus concorrentes e a desenvoltura e graça de Teresa Guilherme explicam o êxito do reality show da TVI que esmaga ‘Peso Pesado’, na SIC

28 de outubro de 2011 às 00:00
casa dos segredos, peso pesado, teresa guilherme, bárbara guimarães Foto: Bruno Colaço
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Todos os domingos, à mesma hora, a SIC e a TVI instalam-se em lados opostos da barricada. À voz de Bárbara Guimarães desfilam os concorrentes de ‘Peso Pesado’ e o rosário de esforços para perder quilos. No canal de Queluz de Baixo é Teresa Guilherme quem comanda as tropas da ‘Casa dos Segredos’. E na luta pelas audiências é a ex-apresentadora do ‘Big Brother’ quem leva a melhor. O público prefere o formato e os críticos elogiam a graça, a segurança e o desempenho da apresentadora.

Na análise aos números restam poucas dúvidas. Desde que ‘Casa dos Segredos’ estreou, a 18 de Setembro, que a TVI tem deixado para trás a concorrência da SIC e da RTP, que tem apostado em ficção nacional para este horário. Em média, as seis galas já apresentadas por Teresa Gui-lherme atingiram um share de audiência de 39,8%, sendo seguidas por 1 231 900 telespectadores. Um resultado superior ao que a sua con-corrente, Bárbara Guimarães, apresenta. A segunda edição de ‘Peso Pesado’, que arrancou a 2 de Outubro, soma quatro galas que, em média, atingiram um share de 28,2%, o que significa cerca de 1 040 900 telespectadores.

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Mas o domínio de ‘Casa dos Segredos’ não se limita às galas, já que os diários emitidos após os noticiários da noite também ostentam o estatuto de líder de audiência. O espaço apresentado por Leonor Poeiras tem um share médio de 31,4% (de 19 de Setembo a 24 de Outubro), atingindo uma média de 1 188 400 telespectadores. A diferença para os diários de ‘Peso Pesado’ é substancial. O formato da SIC surge com um share de 22,4% (de 3 de Outubro a 24 do mesmo mês), sendo visto por uma média de 850 000 pessoas.

Mas o que justifica a diferença de resultados entre os dois programas? É uma questão da apresentadora ou da natureza do formato?

Joaquim Letria, crítico de televisão, não tem dúvidas e adianta que a diferença pode chamar-se Teresa Guilherme. "Os formatos são muito parecidos. Entre um e outro venha o diabo e escolha". Analisando os conteúdos, o também professor universitário prefere a ‘Casa dos Segredos’. "Sempre é um programa mais simpático", diz. Quando é tempo de pronunciar-se sobre o desempenho das apresentadoras dos programas concorrentes, Joaquim Letria explica: "A Teresa Guilherme está a ser melhor. Basta ver o programa. Está mais segura, sabe o que faz, tem mais graça, experiência e não tem complexos. A Teresa faz bem o seu trabalho e tem obrigação de o fazer porque não é uma estreante". Já para o crítico de televisão Eduardo Cintra Torres, a SIC e a TVI "apostam em pesos pesados de programação", mas "não inovam", "limitam-se a repetir formatos". Sem qualificar a prestação das apresentadoras, Cintra Torres vai mais longe e afirma que a ‘Casa dos Segredos’ é "uma reformulação do ‘Big Brother’". "Não há ali outro objectivo senão fomentar a coscuvilhice e exibir a vida íntima dos concorrentes". Uma ‘fórmula’ que parece continuar a conquistar telespectadores. Quem conhece bem esta realidade é José Eduardo Moniz, ex-director-geral da TVI, que foi responsável pelo lançamento do ‘Big Brother’ em Portugal, há mais de dez anos, o formato que, em conjunto com a ficção nacional, conduziu a estação de Queluz à liderança das audiências no País. Hoje, José Eduardo Moniz é vice-presidente da Ongoing Media e não consegue acompanhar os formatos por causa das ausências no estrangeiro. Apesar disso, não hesita em afirmar que "a ‘Casa dos Segredos’ se revela mais impactante. Mas isso é uma coisa que sempre se soube..." Uma opinião comprovada pelos números, que não deixam dúvidas. Os telespectadores preferem a ‘Casa dos Segredos’ a ‘Peso Pesado’, apesar de o programa apresentado por Bárbara Guimarães também ser um sucesso de audiências.

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Sobre o inquestionável êxito destes formatos, Eduardo Cintra Torres conjectura: "O sucesso é do género ‘de vitória em vitória até à derrota final’, porque quem está a ganhar todas as semanas é o cabo. E são telespectadores que não voltam!" Comparando os formatos,o crítico, que lamenta "a exploração dos concorrentes" do ‘Peso Pesado’, consegue vislumbrar uma nota positiva no programa: "Apesar de tudo, os concorrentes beneficiam do emagrecimento e aprendem algumas regras de alimentação. O formato coloca a questão da obesidade na agenda do dia. Há milhares de telespectadores que mesmo não vendo o programa contactam com ele e com a mensagem sobre os malefícios da obesidade".

Do lado das apresentadores, Teresa Guilherme já disse que quando assume estes desafios faz questão de se colocar "no papel de quem está a concorrer". "Tento viver aquilo! E pensar no que motiva as pessoas a apaixonarem-se e a zangarem-se. Pergunto tudo o que me passa pela cabeça". Profissional e perfeccionista, Teresa Gui-lherme é autora dos guiões do programa, o que acrescenta vivacidade às suas observações. E a pertinência das questões prende-se com a preparação do seu trabalho. "Não me perdoaria se algo corresse mal só porque não me preparei". Uma preparação que pode bem ser um dos segredos do sucesso.

GAFES DE GEOGRAFIA E PORTUGUÊS LIDERAM

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Para encontrar um concorrente da casa mais vigiada do País que tenha escapado a uma ‘calinada’ é quase preciso ir a África que, a crer em Cátia, é um país da América do Sul. Desde considerar que alguns concorrentes sofrem de ‘peneira do sono’ (e não de apneia do sono), que o maior mamífero na terra é o dinossauro ou a dificuldade em encontrar o alpendre da casa, a lista de erros da algarvia cresce proporcionalmente às gargalhadas que desperta no público. Mas não é caso único. Fanny quis deixar ‘apelidos’ aos portugueses, em vez de apelos. E Marco acredita que a Índia fica na Oceânia e não na Ásia.

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