“TVI foi a melhor decisão que podia ter tomado” (COM VÍDEO)

Feliz na TVI, o director de Informação de Queluz fala das mudanças efectuadas, mas também de alguns casos complicados. Não gostou de ver Marcelo Rebelo de Sousa na SIC, mas está confiante na renovação de contrato

09 de março de 2012 às 00:00
“TVI foi a melhor decisão que podia ter tomado” (COM VÍDEO) Foto: Sérgio Lemos
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Está há um ano na TVI, que balanço faz?

Muito positivo. Tem sido um ano muito cansativo, com muitos acontecimentos históricos, que é importante para um jornalista, ainda que as razões não sejam as melhores, por causa da crise, com consequência directa para a vida das pessoas e também para a vida das empresas onde trabalhamos, desde logo para a indústria dos media de uma forma muitíssimo violenta. Do ponto de vista de resultados, um ano cansativo, mas muito estimulante e recompensador. Procedemos a uma série de mudanças, em alguns caso seriam impensáveis para algumas pessoas há um ano, mas que estamos a conseguir concretizar com calma, serenidade, com segurança no caminho que estamos a trilhar e com o envolvimento de toda a redacção.

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Uma das primeiras mudanças foi o formato do ‘Jornal Nacional' que passou a ‘Jornal das 8'. Porquê fez questão de mudar o nome do noticiário?

Já ninguém se lembra hoje do ‘Jornal Nacional'. Está demonstrado que fizemos uma boa aposta

Está satisfeito?

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Satisfeito com a mudança e acho que os nossos espectadores também.

Quando arrancou apostou na apresentação em dupla, mas depois desapareceu. O levou a voltar atrás?

A dupla sempre foi assumida como um exercício inicial, porque era algo que os espectadores não estavam à espera. Apostámos no efeito surpresa, tendo consciência que seria extraordinariamente cansativo e que seria um exercício transitório, como uma fórmula que iria ceder o seu espaço a outra e foi o que aconteceu. Desde logo por questões de cansaço, estávamos os dois esgotados, e porque achamos que o efeito surpresa estava conseguido e que iriamos encontrar outro modelo de apresentação mais sereno.

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Em termos de resultados não estava a resultar?

Nem fizemos essa avaliação. Foi pura e simplesmente por esgotamento. Achámos que não valia a pena estarmos a esgotar-nos mutuamente e porque estávamos convencidos que conseguiríamos apresentar um bom trabalho de uma outra forma.

Disse que o ‘Jornal das 8' ia marcar a diferença em relação ao ‘Jornal de Nacional', na sua perspectiva marcou?

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Marcou, mas não quero perder muito tempo com isso. Já passou muito tempo e a realidade que temos hoje é completamente diferente.

Em que sentido?

Em todos. Os espectadores da TVI e os que passaram a ser da TVI sabem disso muito bem. E se passaram a ser da TVI por alguma razão foi. Os critérios editorias, a confiança que conseguimos estabelecer ao longo deste último ano é o que mais atrai as pessoas. As pessoas podem confiar no que estamos a fazer.

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Que feedback tem do público?

São em regra muito cordiais, muito encorajadores, sendo que há um ou outro que não se habituaram às mudanças todas, seja na RTP seja na TVI. Mas é natural. São processos muito lentos. Há que dar tempo ao tempo.

Parte do público que tinha na RTP pode ter vindo de ‘arrasto' para a TVI?

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Não temos estudos para documentar isso. Não consigo responder com honestidade.

E qual o feedback da administração? Sabemos que, por exemplo, o presidente da Media Capital criticava a antiga linha de informação da TVI?

O feedback é positivo e é só isso que acha que devo dizer, não devo entrar em outro tipo de matérias.

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Sem considerações...

Não, não devo.

Como avalia o ‘Jornal das 8' comparativamente com o ‘Telejornal' e o ‘Jornal da Noite'?

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As empresas são como as pessoas, têm ADN. E vão criando hábitos, géneros e estilos. E o desafio que temos aqui é preservar algumas das marcas históricas do jornalismo da TVI e acrescentar-lhe outras. É esse o esforço que temos tentado. Queremos que os espectadores tenham a certeza, confiança e credibilidade no trabalho que produzimos e isso é um esforço que se consegue no dia-a-dia não falhando as histórias, abordando-as com o ângulo correcto e ao mesmo tempo manter e reforçar uma tradição de independência, de inconformismo, de ousadia por parte da redacção da TVI. Queremos um jornalismo independente, ousado e responsável. E temos conseguido fazer isso.

Mas acabou por não me responder...

Não gosto de falar da concorrência. Porque isto não é contra ninguém.

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Mas são necessariamente diferentes, pessoas diferentes, empresa diferentes...

Naturalmente e isso percebe-se no dia-a-dia. A forma como se consome televisão é hoje muito diferente do que era no passado, o zapping, a mudança de canal, a comparação de conteúdos, de estilos, de formatos, de imagem é permanente por parte do espectador. Os intervalos são momentos de grande transferência de público de um lado para o outro. As pessoas têm uma enorme variedade de opções e escolhem conscientemente. Não acredito que acha alguém que veja aquele canal apenas porque está a ver aquele canal. Não, há razões para estar a ver aquele canal e não os outros. Esse exercício de escolha é feito diariamente, minuto a minuto, segundo a segundo pela esmagadora maioria das pessoas. Agora, não é o meu género fazer em público, dissecar o que nos distingue dos outros. Os espectadores são quem tem de fazer essa avaliação.

Na sua opinião a informação da TVI é actualmente a melhor em televisão?

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Nunca estou satisfeito, temos feito um percurso muito positivo. A ideia é construir algo e para mim um processo de construção é naturalmente inacabado. Nunca me darei por satisfeito com aquilo que conseguimos.

E a qualidade da informação da TVI é hoje melhor do que quando chegou?

O que posso dizer? Na minha opinião, sim. É a minha opinião e é naturalmente suspeita e enviesada. Agora, estou convencido que os espectadores reconhecem isso também. Os espectadores e a opinião pública e publicada.

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Este ano de trabalho também não foi isento de polémicas. O conselho de redacção demitiu-se, foi obrigado a fazer alguns despedimentos...

Nós não fizemos despedimentos...

Mas houve redução de pessoal?

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O que posso dizer é que não houve despedimentos na informação. Houve redução de efectivos, isso é verdade. Houve pessoas que rescindiram contrato e houve não renovação de contractos a termo, coisa que está a acontecer em todas as empresas.

Como está o ambiente na redacção?

Em relação ao trabalho, está mobilizado e empenhado. Em relação à situação geral do País está como estão todos os portugueses. As pessoas estão apreensivas, estão preocupadas com o seu futuro e isso é um sinal de responsabilidade e de maturidade. As pessoas estão muito sensíveis e preocupadas com o futuro. Isso sente-se. Somos um espelho do País.

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Como qualquer treinador, quando chegou à redacção da TVI analisou o plantel. Na altura, ficou satisfeito? Percebeu algumas fragilidades? Queria ter tido margem para fazer reforços?

Foi um período de avaliação e não devo pronunciar-me em público, pelo respeito pelo trabalho das pessoas e pela forma como encaro as minhas funções. Sou responsável pela minha redacção. Portanto, ela é a melhor redacção do mundo. Gosto que as pessoas tenham espaço para se desenvolverem, para melhorar aquilo que fazem. Essa é a minha preocupação. Independentemente de avaliações pessoais e de haver pessoas mais talhadas para uma função. Um grupo é um grupo, quanto maior o grupo mais diferenças se encontram. Mas também costumo dizer, e estou convencido disto, se puder escolher prefiro ter 100 pessoas diferentes. Se houver duas pessoas iguais, uma delas está a mais.

Outro dos casos passou pela saída do Júlio Magalhães, mas pela sua continuidade no comentário com o professor Marcelo. Como está a situação?

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Tudo normal.

Júlio Magalhães fica até quando na TVI?

Neste momento está e não vale a pena fazer futurologia. A permanência do Júlio Magalhães pretendeu responder a duas coisas. Ponto um: a certeza de que enquanto dupla ela funcionava. Não valia a pena por um capricho formal ou contratual perturbar uma relação e um espaço que é importante para a TVI. Em segundo lugar: uma forma de reconhecimento, neste caso da direcção de informação e da empresa, pelo trabalho que o Júlio Magalhães fez aqui e pela forma como se dedicou à empresa. Obviamente, nada disto é para a vida, mas foi uma solução temporária que encontrámos sem nenhum drama 

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A continuidade mereceu reprovação do CR...qual a sua opinião?

Que o CR se tenha pronunciado, acho normal, faz parte das competências do CR.

E é verdade que o professor Marcelo fez pressão para a continuidade do Júlio Magalhães?

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As decisões são da direcção de informação. O professor Marcelo é um comentador muito amigo da TVI, com quem nós queremos continuar a contar. Gostamos muito de desempenho dele, acreditamos muito na importância que ele tem para o debate público de ideias em Portugal, ele tem uma enorme e singular capacidade de comunicação.

E como está a renovação de contrato com o Professor Marcelo?

As questões contratuais são tratadas na serenidade das conversas entre as pessoas e as entidades. E é assim que deve ser.

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Mas gostava de manter o Professor Marcelo na TVI?

Gostava. Inquestionavelmente. 

E o que sente quando vê o principal comentador da TVI a aparecer em espaços da SIC (Conversas Improváveis, Curto Circuito)?

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Tanto quanto sei, até por uma conversa que tive com responsáveis da SIC, o ‘Conversas Improváveis' não é um espaço da SIC...

É emitido na SIC Notícias, moderado por jornalistas da SIC...

A explicação que me foi dada é que não era da SIC, que era uma iniciativa de uma entidade não-governamental, de Leiria, a que estão associados jornalistas da SIC e a que a SIC se associou. E não vou fazer mais comentários sobre isso.

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Mas o ‘Curto Circuito' é um espaço da SIC.

É. O professor Marcelo tem uma dimensão pública que não o enclausura neste estúdio aos domingos. Ele intervém com uma enorme regularidade, tem uma agenda infernal. Conferências, debates. Vejo isso com normalidade. Esse episódio do programa ‘Conversas Improváveis'...revestiu-se de alguma peculiaridade, mas já passou.

Não gostou. Depreendo pelas suas palavras.

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Foi a semana em que estreamos a TVI 24. Acho que não foi a melhor semana para aquilo, mas já falei com o professor Marcelo sobre isso.

E Ricardo Araújo Pereira e Marcelo juntos têm força...

São dois excelentes comunicadores. Por alguma razão isso também aconteceu do lado da SIC (risos)

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Teme perder o Professor Marcelo?

Não, não temo.

O contrato está prestes a terminar...

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Não temo, porque acho que não há razões para isso acontecer. Estamos todos empenhados em que isso se mantenha. A TVI é um espaço de liberdade e os comentários semanais do professor Marcelo são um enorme contributo para a liberdade e para a reflexão colectiva que o País precisa.

E se Marcelo ficar na TVI é sustentável manter o comentário com Júlio Magalhães ou aí deixará de ser esta solução transitória, como lhe chamou?

Tudo na vida tem o seu tempo. Então em televisão estamos permanentemente a fazer a avaliação daquilo que é o nosso trabalho.

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Mas disse que Júlio Magalhães era uma solução transitória...

Daí dizer que as coisas têm o seu tempo. Nem estas coisas se anunciam pela imprensa.

Foi anunciado pelo Grupo Prisa cortes salariais na ordem dos 7%. Vai ser obrigado a implementar cortes na estrutura da informação da TVI?

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Essas matérias dizem respeito ao negócio da empresa e não devem ser objecto de comentário da minha parte.

Também não me vai responder se o seu ordenado foi cortado?

Não sou a pessoa indicada para responder a isso.

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Sobre o seu salário não há pessoa mais indicada...

Não sou. São matérias que têm que ver com o negócio. O que posso dizer é que toda a empresa, a começar pelas pessoas de maior responsabilidade, são chamadas a decisões que devem ser compatíveis com a sua responsabilidade na empresa, no sentido de fazer face à grave crise económica que estamos a travessar e que está a atingir de uma forma violenta e dramática este negócio.

Neste cenário, que não é brilhante para o futuro dos media...

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Não sei se é brilhante ou não. Sei que é difícil. Estamos a trabalhar com um orçamento muitíssimo limitado...

As receitas publicitárias estão em quebra há três ou quatro anos...

E essa queda agravou-se de uma forma brutal desde o último Verão. Numa escala sem precedentes. Se alguém há um ou dois anos antecipasse o que está a acontecer seria apelidado de louco. Não sei se o futuro vai ser brilhante ou não, tenho a certeza que não está tudo inventado, que há sempre oportunidades para procurar, encontrar e construir e muitas vezes só através de alguma dor é que se conseguem tomar algumas decisões que poderiam ter sido tomadas em outras circunstâncias.

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É uma altura decisiva.

É, mas acho que enfrentámos riscos. Sem dúvida. Perante a ameaça da sustentabilidade do negócio o que vai acontecer, que empresas vão desaparecer, quais é que vão sobreviver? Qual é o futuro. Esse desafio está colocado às empresas, todas elas, e não estou aqui a introduzir outra questão controversa, que é a privatização de um canal da RTP, que será um factor ainda mais desestabilizador, mas não consigo precisar quão desestabilizador, até porque ainda não se percebeu verdadeiramente o que significa privatizar um canal da RTP. É vender um nome? Uma licença? Equipamento? Pessoas? Um estúdio, dois estúdios? Ainda não se percebeu.

É contra a privatização de um canal da RTP?

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Sou um liberal em relação ao funcionamento do mercado, desde que haja capacidade de intervenção dos reguladores e para mim o Estado deve ser sobretudo regulador de todas as actividades. Agora, em relação à análise do mercado, por mais liberal que seja, só faz sentido se concluirmos que desse pensamento resulta algo de positivo e de benéfico para as pessoas. Tenho uma enorme dificuldade em perceber quem é que ganha. O que é que os espectadores ganham, o que é que o Estado ganha, e só é possível depois de se perceber verdadeiramente o que é alienado, de que forma, em que condições, por quanto. Estes dados são fundamentais.

Neste momento, há espaço para mais um canal comercial?

Diria que é catastrófico. Precisava de perceber quem é que ganha. Ainda não percebi quem é que pode ganhar com isso.

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E sobre a RTP Informação? O António José Teixeira considera que é concorrência desleal. Qual é a sua opinião?

Em relação à TV generalista o poder político entende que é possível e até conveniente alienar um canal, em relação aos canais de informação no cabo o pensamento não é o mesmo. Limito-me a constatar esta dualidade, esta dupla abordagem. O canal generalista faz sentido alienar, o canal de informação no cabo faz sentido manter. E não quero produzir mais nenhum comentário sobre isto. Também acho que não me fica bem. Estive na RTP até há um ano.

O António José Teixeira defendeu também que a RTP deveria diminuir a sua presença na informação. Partilha desta ideia?

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Reafirmo a constatação que acabei de apresentar.

Continuando no cabo, impunha-se a mudança na TVI24.

Impunha. Por uma questão de identidade. E por procurar um reconhecimento mais justo do público e dos líderes de opinião do trabalho que esta redacção é capaz de produzir. E o modelo que estava em antena não permitia chegar a essa conclusão e neste momento permite. Conseguimos fidelizar muito mais pessoas, tivemos um incremento de audiência na ordem dos 47 a 50%, em média. Num projecto que tinha tido algumas dificuldades desde que foi lançado. Queremos demonstrar que temos identidade própria, que não somos confundíveis com nenhum dos nossos concorrentes, reivindicamos o nosso espaço, temos capacidade para o fazer e empenho para o conseguir.

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O objectivo é alcançar a SIC Notícias?

O objectivo é sempre produzir o melhor que conseguirmos.

Certamente tem um número na cabeça.

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Tenho...

Mas não o vai partilhar.

Não o vou partilhar em público. No mês de Janeiro ficamos à frente da RTP Informação. No mês de Fevereiro ficamos ligeiramente à frente também. Sendo que estamos a trabalhar num cenário de profundas restrições orçamentais. Portanto, há um conjunto de opções que não foram tomadas ou que foram tomadas de forma condicionada. Só podemos produzir aquilo que conseguimos pagar. E isto levantou um conjunto de condicionalismos muito grandes. Temos tido resultados muito encorajadores.

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Tem mais condicionalismos hoje na TVI do que aqueles que tinha quando estava na RTP?

A TVI é líder de mercado, mas a crise económica é geral. Todas as decisões que são tomadas em qualquer empresa têm de ser muito, muito, muito ponderadas, muito fundamentadas, muito sustentadas do ponto de vista financeira.

Mas não quer fazer a comparação...

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Não quero, porque as realidades são diferentes e acho que corro o risco de ser mal interpretado e as pessoas não merecem. As pessoas com quem trabalhei e com quem trabalho não merecem que permita que as minhas palavras sejam mal interpretadas.

O Nuno Santos disse que queria que a RTP Informação fosse líder dos canais de informação. Acha realista esta afirmação? Ou é a TVI 24 que vai lá chegar primeiro?

O único comentário que posso fazer é se esse é o objectivo da RTP Informação, o objectivo da TVI 24 é ficar à frente da RTP Informação.

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Quando aceitou o convite da TVI, veio com a Judite de Sousa. Porquê a vinda da dupla? O convite foi feito aos dois, ou fez questão de estender o convite ao seu braço direito?

A Judite de Sousa é uma das mais versáteis, talentosas e trabalhadoras jornalistas que há em Portugal. Portanto, se tiver essa opção, não faz qualquer sentido prescindir do contributo dela.

Mas foi uma decisão sua?

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Foi uma decisão partilhada por várias pessoas, desde logo por mim, claro.

A pergunta era se o convite foi feito aos dois ou se o José Alberto fez questão de o estender à Judite de Sousa...

Não vou entrar em detalhes. Tivemos um longo percurso de trabalho na RTP e tudo aquilo que já aconteceu na TVI ao longo deste último ano com o contributo da Judite é uma prova absoluta do que acabei de dizer. É um privilégio poder trabalhar com uma pessoa como a Judite.

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E como é a vossa relação no dia-a-dia?

É uma relação muito profissional, com alguns momentos mais emocionais, somos pessoas diferentes, naturalmente, mas isso é bom, porque cola com a minha teoria de que numa redacção se houver 100 pessoas elas devem ser diferentes.

Faço a pergunta porque foi publicado, em vários locais, que vocês não falam na redacção. É verdade?

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Não faço a mais pequena ideia porque é que isso é publicado. Somos jornalistas e sabemos que não devemos acreditar em tudo o que vem na imprensa.

Quando olha agora para trás, foi a melhor decisão que podia ter tomado aceitar o convite e vir para Queluz?

Não me arrependi por um segundo. Foi a melhor decisão que podia ter tomado. Confrontado com o convite, com o desafio que foi colocado, a ponderação que fiz na altura voltaria a fazê-la. Foi uma boa decisão. Não estou a dizer que foi uma decisão fácil, ou desprovida de pensamento ou de algumas reticências...

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Na altura hesitou...

Ponderei muito. Fiz uma análise muito cuidadosa dos prós e dos contras, do desafio, do que havia a perder e a ganhar. Colocando também em cima da mesa algumas ligações afectivas, que não se conseguem transportar todas de um lado para o outro, mantenho muitos amigos nas outras estações por onde passei.

Quando vê hoje a informação da RTP consegue fazer uma análise 100% objectiva?

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Não, conheço as pessoas em múltiplos aspectos. Ocupei cargos de direcção na RTP durante sete anos. Conheço a redacção inteira. Os que estavam lá na altura. Num ano muita coisa mudou também na RTP.

Como vê hoje a informação da RTP?

Acho que não devo fazer comentários...Não quero ser mal interpretado.

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Quando estava na RTP, dizia que a informação era a marca distintiva da RTP. Actualmente continua com essa percepção?

Não tenho que me pronunciar sobre isso, mas a informação é claramente uma marca distintiva da RTP. Como é evidente. Por alguma razão nesta controvérsia sobre as audiências a sensação que transparece é que a direcção de informação está mais preocupada que a direcção de programas. Portanto, isso também não deixa de ser significativo.

E como tem visto essa polémica das audiências?

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É uma pena para o negócio. Num período de crise económica, de indefinição sobre o futuro da RTP, de angústia sobre o futuro do negócio dos media em Portugal é uma pena que não haja uma transição mais serena.

A culpa é da Marktest, é da GfK, é das duas, é da CAEM, é dos canais... O que justifica que um processo que demorou tanto tempo crie tanta polémica?

Ao longo de um ano houve reuniões técnicas. Espero que as dúvidas técnicas sejam clarificadas o mais depressa possível.

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Este é um bom painel?

O painel anterior é melhor?

Diga-me o José Alberto que lida com as audiências todos os dias...

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O mais desagradável que pode acontecer aqui é colocarem-.se operadores contra operadores. A CAEM reúne a RTP, SIC e TVI, PT e ZON, os anunciantes e agências de publicidade. Esta entidade concluiu que era necessário um novo modelo de avaliação de audiências, concluiu que esta solução apresentada pela GfK era melhor, que o modelo que se pretendia obter de representatividade e que o nível de verdade do consumo de televisão em Portugal seria potencialmente melhor.

Estranha a reacção da RTP?

Estranho que só agora eu tenha percebido o nível incomodidade da RTP. Não tinha percebido antes.

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A TVI, nomeadamente a informação, está confortável com os primeiros números que tem recebido da GfK?

Aguardemos para ver. Há necessidade de ajustar alguns parâmetros da amostra? Sim, sem dúvida.

Na representatividade demográfica, geográfica...

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E algumas debilidades, por aquilo que me vou apercebendo, que importa corrigir para depurar o modelo e ter mais certezas sobre a fiabilidade dos números. É fundamental para a nossa actividade ter fiabilidade dos números e se isso não acontecer perdemos todos. Agora, não posso deixar de sublinhar que em Janeiro e Fevereiro não houve nenhuma alteração do painel e a informação da TVI é líder à hora de jantar no mês de Fevereiro. Não posso pactuar também com uma certa leitura que parece que dá a entender que mudou o painel e que mudou o mundo. O mundo até pode estar a mudar, mas já mudou antes. Não é por causa do método de medição das audiências que isso está a acontecer. Vamos ser claros, o Jornal da Uma da TVI é líder no acumulado de Janeiro e Fevereiro e o ‘Jornal das 8' foi líder, por uma escassa margem, é verdade, em Fevereiro. Pela primeira vez na história, esta estação é líder nos dois principais segmentos informativos da televisão portuguesa. Isso é um motivo de uma enorme satisfação, de um enorme sentimento de orgulho por parte da redacção.  Preferia que a RTP estivesse mais confortável com o modelo, preferia que não houvesse divergência pública sobre isto. Ninguém ganha com isso. Dito isto, percebo a incomodidade da RTP. 

Percebe, mas concorda?

Não tenho que concordar ou discordar. Os números não são confortáveis, mas também quando se mudou o sistema, não se mudou para ficar tudo na mesma. Não faz grande sentido. Estava toda a gente de acordo que era preciso mudar a forma, incluir outro tipo de consumos. Conversa de ministros

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Quando viu as imagens da conversa entre o ministro das finanças e o homólogo alemão hesitou em pôr no ar?

Demorei cinco segundos a tomar a decisão.

Foi imediato.

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Foi, cinco segundos.

E quando tomou a decisão, já antevia que ia ter problemas?

Já. Mas é inultrapassável. A partir do momento em que um jornalista tem conhecimento daquela conversa ele não pode ignorar. Não pode apagar a conversa da sua mente e redigir as notícias como se não tivesse ouvido aquilo e aquilo dizia coisas muito diferentes daquilo que nós conhecíamos até então.

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A TVI não queria captar o som daquela conversa, mas o que é que se faz? Arrancam-se os microfones das câmaras?

Foram sancionados pela Comissão Europeia.

Preventivamente. Ainda não tivemos uma decisão formal. Esta situação desencadeou um confronto de direitos, não é a primeira vez que aconteceu e é óbvio que quando envolve um membro como o ministro das finanças da Alemanha, os países são todos iguais, mas há uns mais iguais que outros. É natural que tenha provocado alguma incomodidade e que tenha suscitado uma reflexão interna dos serviços de imprensa do Conselho Europeu sobre que regras devem ser observadas. A única coisa que já disse ao responsável pelos serviços de imprensa do Conselho europeu e que já transmiti a outras entidades oficiais portuguesas e europeias é que a TVI percebe que se tenha instalado um debate em função disto, a TVI reafirma o interesse público daquela matéria e que tendo de respeitar as regras do ‘tour de table' ou respeitar as regras da profissão, não pode haver nenhuma dúvida que qualquer jornalista deve respeitar as regras da profissão em primeiro lugar. Não queríamos captar aquela conversa, mas captamos e a partir daí tornou-se impositiva por si só.

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E a informação de que a porta-voz do REPER (Representação Permanente de Portugal junto da União Europeia) Maria Rui, queria suspender a TVI de forma permanente?

Quero acreditar nas posições oficiais que foram transmitidas do Governo português e da representação permanente em Bruxelas de que se trata de uma posição individual, de uma pessoa que quis ser mais papista que o Papa. De resto, manifestei a minha incomodidade pelas vias que entendi sobre isso. A única coisa que fizemos ver aos serviços de imprensa do conselho europeu é que entendemos que possa desencadear-se aqui um debate sobre quais são as regras que devem ser cumpridas. Percebemos isso. Provavelmente até está na altura de as rever. A única coisa que não aceitamos é sermos nós penalizados de uma forma cirúrgica e individualizada. Ao longo dos últimos tempos houve variadíssimas situações semelhantes em que não se verificou esse comportamento tão aceso e determinado por parte dos serviços de imprensa do conselho europeu.

O problema foi na imagem estar o ministro das finanças alemão?

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Espero bem que não. Espero bem que não, mas até agora não recebemos uma resposta definitiva.

PERFIL

José Alberto Carvalho nasceu em Penacova, a 12 de Dezembro de 1967. Começou na rádio, primeiro em estações locais e depois na TSF, passou pela RTP e em 1992 tornou-se pivô do ‘Jornal da Tarde' da SIC. Dez anos depois regressou à estação pública, onde apresentou o ‘Telejornal'. Depois foi director de Informação até Fevereiro de 2011, altura em que se mudou para a TVI, juntamente com Judite de Sousa, a sua directora adjunta. Casado com Marta Atalaya, jornalista da SIC, tem quatro filhos, dois deles do seu anterior casamento.

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